quinta-feira, 13 de abril de 2017

A Cultura do Beijo



                                                       


                                                           A CULTURA DO BEIJO


Um beijo (do latim basium) é o toque dos lábios em outra pessoa ou objeto. Na cultura ocidental é considerado um gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida. O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual - neste último caso, o beijo pode ser também noutras partes do corpo. Ainda há o chamado beijo de língua, em que as pessoas que se beijam mantêm a boca aberta enquanto trocam carícias com as línguas.
Os mais antigos relatos sobre o beijo remontam a 2500 a.C., nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia. Diz-se que na Suméria, antiga Mesopotâmia, as pessoas costumavam enviar beijos aos deuses. Na Antiguidade também era comum, para gregos e romanos, o beijo entre guerreiros no retorno dos combates.
Era uma espécie de prova de reconhecimento. Aliás, os gregos adoravam beijar. Mas foram os romanos que difundiram a prática. Os imperadores permitiam que os nobres mais influentes beijassem seus lábios, e os menos importantes as mãos. Os súditos podiam beijar apenas os pés. Eles tinham três tipos de beijos: o basium, entre conhecidos; o osculum, entre amigos; e o suavium, ou beijo dos amantes.
Na Escócia, era costume o padre beijar os lábios da noiva ao final da cerimônia. Acreditava-se que a felicidade conjugal dependia dessa benção. Já na festa, a noiva deveria beijar todos os homens na boca, em troca de dinheiro. Na Rússia, uma das mais altas formas de reconhecimento oficial era o beijo do czar.
No século XV, os nobres franceses podiam beijar qualquer mulher. Na Itália, entretanto, se um homem beijasse uma donzela em público, era obrigado a casar imediatamente. No latim, beijo significa toque dos lábios. Na cultura ocidental, ele é considerado gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida; entre amantes e apaixonados, como prova da paixão.
Mas é também um sinal de reverência, ao se beijar, por exemplo, o anel do Papa ou de membros da alta hierarquia da Igreja. No Brasil, D. João VI introduziu a cerimônia do beija-mão: em determinados dias o acesso ao Paço Imperial era liberado a todos que desejassem apresentar alguma reivindicação ao monarca. Em sinal de respeito, tanto os nobres, como as pessoas mais simples, até mesmo os escravos, beijavam-lhe a mão direita antes de fazer seu pedido. Esse hábito foi mantido por D. Pedro I e por D. Pedro II.

O que essa língua está fazendo na minha boca? E agora, o que eu devo fazer com a minha? O primeiro beijo causa dúvidas e desencontros. Os sentimentos passam longe do romantismo e vão do susto ao desconforto, da esquisitice ao arrependimento. Para a maioria de nós, a sensação única dessa carícia acaba tornando a insistência quase obrigatória. Depois de algum treino, o susto se torna frio na barriga, o desconforto prazer, a esquisitice estímulo sexual e o arrependimento uma inquietação à espera do bis. Mas, se essa enxurrada de sensações ilustra o primeiro beijo de quase todos nós, quais teriam sido as motivações do primeiro beijo de nossos ancestrais? Ou seja: como chegamos à invenção desse hábito bizarro? (Ainda mais numa época sem escovas de dentes nem fio dental.)
Se o primeiro beijo foi dado na pré-história, ninguém sabe, ninguém viu (ou, pelo menos, ninguém registrou). Não há desenhos em cavernas, artesanatos ou pinturas em tecidos que indiquem o costume de encostar os lábios entre nossos ancestrais. Nem a civilização egípcia, prodigiosa em suas expressões artísticas e provas documentais, que retratou em pinturas e esculturas seus hábitos de caça, alimentação e até suas relações sexuais, deixou qualquer traço que pudesse sugerir um beijo.
As mais antigas referências ao comungar de bocas vieram do Oriente, mais precisamente dos hindus. Há um registro de aproximadamente 1200 a.C., no livro védico Satapatha (textos sagrados em que se baseia o bramanismo), recheado de sensualidade: “Amo beber o vapor de seus lábios”. Mais explícito e deliciosamente malicioso, o Mahabarata (poema épico com mais de 200 mil versos, compilados em aproximadamente 1000 a.C.) descreve: “Pôs a sua boca em minha boca, fez um barulho e isso produziu em mim um prazer”.
Algum tempo depois, outro texto indiano, o Kama Sutra, um compêndio sobre os preceitos do prazer escrito entre 400 e 200 d.C., apresentou uma versão mais amadurecida sobre o assunto, com cerca de 200 passagens detalhando a prática, a moral e a ética do beijo. Verdadeiro manual do usuário, o texto descreve, por exemplo, os três tipos de beijo a que uma moça da época tinha acesso: o beijo “nominal”, no qual só poderia tocar a boca do amante com os lábios; o “palpitante”, que permite movimentar apenas o lábio inferior, e havia o de “toque”, no qual a moça está autorizada a passar a ponta da língua nos lábios do namorado.
A importância do Kama Sutra não é só a de fornecer talvez o primeiro glossário sobre o tema. Ele é a principal referência para determinar a idade do beijo. Segundo o antropólogo americano Edgar Gregersen, em seu livro Práticas Sexuais – A História da Sexualidade Humana, o texto tem um importante papel histórico, pois dá a pista de que o costume de beijar representa uma continuação de tradições muito anteriores. “O Kama Sutra está repleto de referências históricas e geográficas que remetem a tradições antigas. A partir dele podemos rastrear as origens do beijo e concluir que ele é mais velho que a civilização hindu e mais jovem que a pré-história”, afirma Gregersen.

Alexandre, o Grande beijador
Se os hindus foram pioneiros ao descrever suas aventuras bucais, os invasores de suas terras devem ter sido os primeiros difusores da prática: os soldados de Alexandre, o Grande. Eles dominaram parte da Índia, entre 327 e 325 a.C., e, quando partiram para outras terras, levaram na bagagem esse ensinamento lascivo. A partir de então, por onde passavam, em sua trilha de guerras e conquistas, espalharam o hábito de beijar.
Foi mais ou menos assim – entre tapas e beijos –, e por essa época, que o hábito estreou em grande estilo na capital do mundo antigo: Roma. Lá, com os requintes do tempero local, ele desmembrou-se em três versões: o osculum, o beijo de amizade; o basium, mais sensual, entre homem e mulher; e o savium, que o poeta Ovídio definiu como “de língua, voluptuoso e vergonhoso”. Outro poeta romano, Catulo, descreveu-o como “mais doce do que o doce da ambrosia”. Devia ser bom mesmo.
Se entre os romanos o beijo manteve seus contornos eróticos, para os gregos ele tinha funções protocolares, quase burocráticas: beijava-se para selar um acordo e para demonstrar respeito. Os cidadãos de mesmo nível social encostavam os lábios. Se um deles era de uma casta inferior, o beijo era no rosto. E quando a diferença social era ainda maior, os lábios de um desciam aos pés do outro.

Proibido e perigoso: ainda melhor
Se até então tudo era festa, a partir do século 4 os beijoqueiros passaram a enfrentar uma crescente oposição: a da Igreja Cristã. Incomodada com a sensualidade do beijo e preocupada em eliminar esse símbolo do Império Romano, ela o instituiu como um gesto religioso, de adoração às imagens dos santos e louvação a Deus. Nos anos de trevas que se seguiram na Europa, ao longo da Idade Média, o beijo permaneceu ilícito e perigoso, acusado de propagar doenças do corpo e da alma. Mas, mesmo com todas as restrições, ele resistia e ganhava adeptos. Tanto que, no século 12 o Papa Inocêncio III travaria uma verdadeira cruzada contra o inimigo, banindo-o dos ritos religiosos e proibindo-o na vida mundana. “Beijo com objetivo de fornicação é pecado mortal, mesmo que a fornicação não se consume”, dizia o édito de Sua Santidade. Tarde demais. O beijo já fazia parte dos hábitos sociais e íntimos dos casais e todos continuaram beijando mais e melhor.
No século 17, já glamourizado e muito popular nas cortes europeias, o beijo de língua, o savium dos romanos, ganhou o nome que tem até hoje: beijo francês. Na época, os puritanos ingleses ficaram impressionados com o grau de libertinagem que caracterizava o beijo em terras gaulesas. Pelas mãos da Inglaterra, os franceses ficariam para sempre conhecidos aos olhos do mundo pela volúpia com que se entregavam às carícias labiais. O curioso é que, na França, o beijo de língua ficou conhecido como beijo inglês. Mais do que revanchismo, os franceses associavam o beijo de língua à importância que os ingleses davam àquela forma de beijar, que para eles era tão comum.

FONTES DE PESQUISA: https://pt.wikipedia.org/wiki/Beijo
                                           http://super.abril.com.br/historia/historia-muitos-beijos/