sábado, 29 de outubro de 2016

O Calendário da Cinthia: MAIO

Clube Lunáticas por Romances, 2016.

La Petite Mort - Maio
“O que acontece em Vegas fica em... Nossas lembranças.”
─ Welcome to Las Vegas! – Diz o letreiro no portão de desembarque.
Para quem só fazia o trajeto Rio/São Paulo, Paris, Los Angeles, lugares incríveis no Brasil que nem fazia ideia existirem e agora Vegas está de bom tamanho, sem contar as experiências... Já posso escrever meu próprio livro quando tudo isso terminar.
Atravesso o salão de desembarque encantada com o que vejo. Isso parece um cassino ao invés de um aeroporto. Telhados espelhados, máquinas caça níqueis por toda parte. A mistura de sons chega a ser ensurdecedora.
─ Vegas Baby! – Comemoro mais animada. Cidade do pecado, ai vou eu.
Caminho em direção ao portão 5B. Segundo as instruções que recebi devo esperar lá. Pego meu celular e tiro do modo voo. Em questão de segundos enxurradas de mensagens começam a chegar e tem quatro ligações perdidas da Fabi. Não deve ser boa coisa.
Quando penso em retornar uma limusine para diante de mim e meus olhos saltam...
─ Uau! - Digo impressionada. Arrasei.
Meus olhos saltam outra vez quando uma mulher se revela como motorista e não um homem como de costume.
─ Você é a Cinthia? - Ela pergunta apressada.
─ So... Sou! - Gaguejo ainda em choque, não por ser uma mulher ao volante, mas pela maneira como ela está vestida. Ela parece ter saído de um filme pornô, uma fantasia sexual ou uma casa de striper.
─ Vai ficar ai parada? - Saio do meu devaneio sobre a roupa dela e caminho apressada em direção à limusine.
Vegas é maravilhosa, o sol começa a se por e a cidade parece ganhar vida. Entramos na Vegas Strip, segundo a placa, sei que é onde os maiores cassinos estão localizados e olho todos com curiosidade tentando adivinhar para qual deles estou indo.
A sensação que tenho é de estar em um Parque de diversões em forma de cidade, afinal creio que seja isso que Vegas é. Parece uma realidade paralela onde todos os sonhos de consumo se encontram. Pela janela posso ver uma replica da Torre Eifel, um pedaço tentador de Paris. Ao lado de Paris os arranha-céus de Manhattan, a Estátua da liberdade, pirâmides, esfinges, uma pequena Veneza, tudo reunido o longo da Avenida que parece não ter fim.
─ Chegamos! - Minha motorista de forma irritada informa.
─ Obrigada! – Pego minhas duas malas e saio do carro de queixo caído. ─ Puta que pariu! - Falo baixinho, mas por dentro dando um grito.
O lugar é maravilhoso, uma torre ostensivamente alta de vidros escuros onde o nome LIBERTINE grita em vermelho bem vivo.
─ Olha só... - Minha motorista vestida de striper chama a minha atenção. ─ Você deve procurar uma mulher chamada Tessa, ela vai te dizer o que fazer.
─ Entendi! - Tento parecer firme e profissional.
Ao cruzar as portas dou de cara com uma vista palaciana. Um suntuoso salão muito bem decorado, móveis escuros, pinturas, esculturas, parece um museu, refinado, mas ainda um museu.
A Hostess me indicou uma salinha quase secreta onde eu encontraria a tal de Tessa. Assim que a vi fiquei impressionada, assim como a motorista ela parecia fazer parte de uma fantasia erótica. Vestida ao estilo mulher gato, couro dos pés a cabeça, uma coleira com um V cravado em prata, olhar mortal e desafiador, só faltou o chicote.
Seguimos até o elevador em silêncio. O único som que se ouvia era de música clássica, algo ao piano. Sorri quando ela apertou o botão da Penthouse.
Sempre coberturas! - Digo a mim mesma.
─ Chegamos! - Tessa sai na frente de forma dominadora, como se quisesse deixar claro que aqui eu sou visita. ─ Vince ainda não chegou, está em reunião. Aquela porta branca ali é o seu quarto, tome banho, coloque um dos vestidos que estão no armário de preferência um vermelho e espere ele falar com você. Entendido?
Olho para ela dos pés a cabeça. Quem ela pensa que é para me dar ordens assim? Sei que estou aqui para ser acompanhante, mas não acompanhante dela.
─ Entendido! – Dou um sorriso tão falso quando uma nota de três reais, gritando vadia e fazendo um carrossel de cotocos na minha mente para essa mulher.
─ Você precisa do dinheiro Cinthia! – Repito como um mantra.
O quarto é lindo, luxuoso e todo branco. Caminho em direção as janelas e as fecho, mesmo da cobertura o barulho da cidade é intenso. Para minha surpresa o barulho some quando as janelas se fecham.
Me jogo na cama estupidamente confortável e retorno a ligação da Fabi, que atende em dois toques.
─ Oi vaca, ainda viva? – Ela sorri do outro lado. É bom ouvir uma voz familiar.
─ Ainda, às vezes acho que isso nunca vai acabar. – Reclamo exausta.
─ Vai passar rápido, acredite em mim. – Ela tenta me animar, sem muito sucesso. ─ Ahh a cretina da sua tia me passou seu próximo destino.
─ Já? – Grito me sentando na cama.
─ Acho que a bruxa da Thaise tem culpa nisso, ela sempre quis você aqui e agora vai montar em cima de você em busca de dinheiro. Enfim, sua tia ia te passar as instruções, mas ela teve uma viagem de negócios, mas todo mundo sabe que ela subiu a serra com o Luís Felipe, um segurança que é um escândalo de tão gostoso.
─ A minha tia? A tia Carol? – Pergunto incrédula.
─ Querida aquela cretina de anjo só tem a cara... Bom, de qualquer forma as instruções. Vamos por partes, primeiro seu cliente atual. Ele se chama Vincent Albertini, dono do Hotel barra Cassino LIBERTINE, que traduzindo ao pé da letra quer dizer libertino, assim como o dono. Um bilionário libertino e excêntrico e quando digo excêntrico é excêntrico mesmo. Stella e eu já participamos de uma das festinhas dele que são dignas de Lord Byron. Então Cinthia mantenha a mente aberta, não saia correndo, não surte e por Deus não ofenda esse homem ele é um dos nossos melhores clientes. Ele é realmente um Lorde, se gostar de você vai tratá-la como uma rainha.
─ Ótimo, já quero ir embora! – Bufo revirando os olhos.
─ Deixa de ser chata, não é nada de outro mundo... Ah falei com a Xena hoje. A levei para minha casa, lá ela ficará segura.
─ Tem certeza? – Minha preocupação só aumenta estando longe dela.
─ Absoluta, mando ela ligar depois e vocês conversam melhor... – Concordo e sinto meu corpo relaxar. Se tem alguém que pode manter minha irmã segura é a Fabi. ─ Ahhh advinha quem vai para Vegas no fim de semana? Isso mesmo, eu.
─ Não acredito, como? – Fabi é acompanhante fixa do Governador, e até onde lembro ele é um cara possessivo e ciumento.
─ Tenho minhas estratégias de convencimento, estou sem poder sentar, mas funcionou. – Ela diz rindo me fazendo rir também.
─ Mas e a Xena? – Minha preocupação cresce sem ela por lá.
─ Vai ficar na minha casa com a minha mãe... Relaxa, mamãe sabe de tudo e vai cuidar dela. Além do mais é só um fim de semana.
─ Confio em você! – Meu coração aperta, mas não tenho outra escolha.
─ Preciso desligar à vaca da Thaise está chamando, sem a sua tia aqui ela se acha a rainha da Inglaterra. Na real se a grana não fosse tão boa juro que faria como você e ligava o foda-se para elas.
─ Meu foda-se anda desligado ultimamente! – Digo com pesar e desligo a ligação.
****
Contradizendo tudo que Tessa disse não coloquei a merda do vestido vermelho, usei um preto longo e com duas generosas fendas que deixam minhas pernas completamente a mostra. Deixo meus olhos bem marcados, assim como meus lábios, um batom vermelho vinho tipo fosco, minha marca registrada. Solto os cabelos que caem até pouco abaixo dos ombros em ondas perfeitas, dou uma bagunçada neles com os dedos para dar mais volume e pronto.
Congelo quando ouço uma batida na porta. Faço postura e peço para a pessoa entrar e tive que me apoiar na mesa para não cair. Porra, só pode ser sacanagem. Desde que comecei repito a mim mesma que sexo está fora de cogitação, mas se continuarem aparecendo esses homens que são a própria encarnação de Apolo eu vou surtar.
─ Você deve ser Cinthia, sou Vincent Albertini! – Ele se aproxima a passos lentos e sinto o ambiente ficar pequeno. Ele exala virilidade. Os olhos dele varrem meu corpo de cima a baixo até encontrarem meus olhos e que olhos ele tem, escuros, intensos e de certa forma perturbadores.
─ Cinthia Gutierrez, prazer! – Estendo a mão e ele a recebe afagando com delicadeza e levando aos lábios sem tirar os olhos dos meus.
─ Bela escolha de palavra... Prazer. Já gostei de você! – Ele me lança um sorriso daqueles que faz a calcinha molhar e a pepeca bater palmas.
Maxilar firme, barba perfeita, um furinho no queixo, cabelos bem cortados sendo curto dos lados mais alto e bem penteado em cima, lábios bem desenhados, um corpo forte e largo, alto estilo muro de proteção, terno bem cortado e perfeitamente alinhado ao corpo... Esse homem não é real.
─ Não sei se lhe informaram o real motivo da sua vinda aqui?
Nego com a cabeça e ele se aproxima me encurralando contra a parede. Se ele tentar algo assim de cara sendo lindo ou não dou um chute no saco dele que ele nunca vai ter filhos.
─ Ótimo, uma novata. São as melhores! – Ele diz animado.
─ Eu não sou novata e...
─ Pode não ser na profissão, coisa que eu duvido muito. – Ele me corta e me olha outra vez dos pés a cabeça como se me analisasse. - A maneira assustada e confusa como você me olha, a maneira como seu corpo se encolhe quando me aproximo. Fora que você está parecendo um animal indefeso acuado nesse canto. Tudo isso me indica que é uma novata ou que está realmente perturbada com a minha presença. – Ele sorri de forma descarada e sedutora.
Endireito minha postura fazendo um ar desafiador...
─ Posso estar me sentindo acuada aqui, mas não sou a merda de um animal indefeso, sou uma fera e como toda fera...
─ Ataca quando se sente acuada! – Ele completa meu raciocino com certo fascínio no olhar. ─ Você se torna mais interessante a cada minuto.
Me calo enquanto ele dá voltas ao meu redor, o corpo dele próximo ao meu me causando um calafrio assustador e excitante. Uma mistura intensa e interessante de sentimentos.
─ Bom, voltando ao motivo de você estar aqui... Uma vez a cada mês eu dou uma festinha diferente.
Olho para ele com curiosidade e confusa de certa forma, as palavras de Fabi ecoam na minha cabeça. Festas dignas de Lord Byron. Lembro de ter lido algo sobre essas festas quando estudei literatura, Byron era famoso por dar festas que duravam dias e reunia todos os tipos de fetiches, dos mais comuns e excitantes aos mais bizarros e perigosos, fora que alguns eram ilegais. Merda, merda, merda. Aonde vim me meter? Se esse cara for louco ligo o foda-se e saio correndo. Titia que me perdoe, mesmo ele sendo o melhor cliente do Lunáticas, eu tenho meus limites. Nessa hora minha irmã me vem à mente, será que tenho mesmo limites? Acho que não por ela, eu faria qualquer coisa por ela.
─ Sei que está assustada, mas não se preocupe nunca lhe forcaria a nada que não quisesse, que não entendesse ou que não estivesse dentro dos seus limites. Nesse prédio funcionam muitas coisas, meu hotel, meu cassino e meu salão de jogos.
Quarto vermelho da dor! Quarto vermelho da dor! QUARTO VERMELHO DA DOR! – Grito em minha mente completamente histérica por dentro. Agora sei como a Anastásia se sentiu em cinquenta tons de cinza.
─ Você não está aqui necessariamente para me servir, você está aqui para me acompanhar. Com o tempo essas festinhas se tornaram menos interessantes, só as realizo ainda porque ver as pessoas saindo da mesmice, se libertando, rompendo com padrões idiotas e arcaicos sempre será excitante... E para fugir de convites que não me agradarem tenho você como desculpa. Estar acompanhado me desobriga a participar. Tenho minhas regras e nem mesmo eu, o anfitrião, posso desobedecê-las. Entrou no jogo tem que participar. Se me virem com você, acharão que estaremos participando de um joguinho particular.
Cada palavra dele é dita com cautela, de forma tranquila, gesticulando com as mãos um verdadeiro Lorde, como Fabi disse.
─ Você entendeu? – Ele pergunta me tirando de um devaneio.
─ Claro! Vamos andar de braços dados, devo sorrir e não vamos fazer sexo! – Digo tranquila e ele sorri.
─ Nunca descarto sexo com pessoas interessantes. – Meus olhos saltam. ─ Mas nunca lhe forcaria a nada, mas até o fim da noite você vai mudar de ideia.
─ Mas você disse...
─ Eu disse que não te obrigaria, nunca disse que não queria. Você é linda, tem seios que parecem ser uma delicia. Se eu fechar os olhos posso me imaginar com eles na boca e isso só faz meu pau se retorcer dentro da calça. Essas fendas do seu vestido me fazer querer invadir o meio das suas pernas e te chupar até você gozar gritando meu nome... Você é uma tentação querida, não se subestime. – Ele puxa a minha mão e dá outro beijo antes de entrelaçar nossos braços.
Caminhamos de braços dados até um restaurante privativo. Comemos e ele me falou como veio da Itália para Vegas. Contei do meu trabalho, confirmei o que ele pensava sobre eu ser nova nisso, e disse que tinha grande motivos para fazer o que estou fazendo. Secamos uma garrafa de champanhe e me sinto leve e rindo para qualquer coisa. Ele é um homem espirituoso e charmoso, não sei se foi a bebida, mas esse clima todo de “só vamos transar se você quiser” me deixou excitada.
─ Vamos está na hora! – Ele olha rápido no relógio e novamente entrelaça o braço no meu. ─ Fique calma e lembre-se que não é obrigada a fazer nada.
─ Certo, agora pare de me assustar e vamos logo! – As maravilhas do álcool.
Pegamos o elevador e Vincent digitou um código no painel do elevador que nos levou até o sexto andar.
─ Mantenha a mente aberta e não saia do meu lado! – Ele sussurra em meu ouvido e sinto meu corpo tremer.
Congelo na saída do elevador e engulo em seco. Não posso acreditar no que meus olhos estão vendo.
─ O que?? – Digo em um fio de voz.
Vincent me guia até o meio do salão e quanto mais ando mais meu coração dispara e já não sei mais para onde olhar. Estamos em um salão palaciano redondo banhado por uma leve luz vermelha. Os gemidos são ensurdecedores.
Nem sei para onde olhar. A minha direita um grupo de cinco ou seios homens, não sei ao certo, se divertem com uma única mulher. Ela está de quatro sendo penetrada pela frente, por trás, chupando dois homens, outros em seus seios... Oh Céus!
A minha esquerda tem outro grupo, dessa vez misto. Homens e mulheres se chupando, se penetrando, gemendo, se derramando coisas.
A minha frente um grupo de homens se diverte em uma espécie de trenzinho. Ao lado deles um casal em algo que lembra um balanço. Mais ao lado um trio em uma cadeira estranha que vibra... Grupos e mais grupos de pessoas transando de formas que nunca tinha visto, em posições que acho que devem doer e com coisas que nem sei dizer o que são. Merda, merda, merda!
─ Eu vou embora! - Vocifero irritada. Eu não vou ficar aqui essas pessoas são loucas.
─ Por quê? - Enquanto estou exacerbada e desesperada Vincent parece tranquilo nada o abala.
─ Essas pessoas - olho em volta com horror - O que eles estão fazendo...
─ Se chama sexo! - Ele me corta tranquilo.
─ Não, isso é... é... Loucura! - O ar começa a falhar em meu peito.
─ Isso é sexo querida!
Estamos parados no centro do grande salão redondo. Para onde eu olho pessoas estão transando, em grupos, sozinhas, em duplas, trios, às vezes parecem uma coisa só. Usam acessórios, fantasias, coisas que não sei o que é... Acho vou desmaiar.
─ Veja bem Cinthia...
Vincent usa um tom de voz tranquilo enquanto se posiciona atrás de mim com os braços ao meu redor. De forma estranha me sinto protegida de tudo que me cerca. A boca dele em meu ouvido, posso sentir sua respiração quente em meu pescoço.
─ O que você provavelmente entende ou conhece como sexo é só uma parte dele, a parte que a sociedade julga moralmente aceitável, mas o que é o sexo Cinthia?
Balanço a cabeça negativamente não consigo pensar, não sei o que dizer, tento me concentrar nele e esquecer onde estou.
─ Dois corpos tentando satisfazer os desejos um do outro, seria a mais simples, afinal sexo é satisfação, satisfazer prazeres e desenhos.
Meu coração dispara com a forma como ele diz tudo isso, suas palavras me envolvem e soam tão naturais, tão eróticas...
─ O problema é... – Ele faz uma pausa e beija meu pescoço rocando a barba em meu ombro me fazendo inspirar profundamente. Isso é golpe baixo. ─ O que nos satisfaz? Nós como seres humanos, criaturas imperfeitas nunca estamos satisfeitos. Sempre temos sede de alguma coisa. Sede de amor, sede de dinheiro, sede de poder... No fim tudo se resume a busca da satisfação, do grande orgasmo e nem precisa ser o sexual... Buscamos aquele ápice de felicidade, aquele ápice de prazer que nos faz morrer e voltar à vida em instantes.
─ Isso é... é loucura! – Não soei tão convincente quando gostaria já que minha voz sai quase como um gemido.
─ Sabe como os franceses chamam o orgasmo? - Nego com a cabeça. ─ La petite mort, a pequena morte. Não consigo descrever melhor... Não há como descrever a sensação exata de um orgasmo, porque nesse momento você literalmente não pensa...
As mãos de Vincent descem pelo meu corpo de forma lenta e possessiva seguindo minhas curvas, não deixando passar um detalhe... Minha pele de forma estranha reconhece aquele toque, meu coração dispara, sinto meu sangue ferver a um nível quase febril. Quero correr, quero pedir que ele pare, mas minha voz sumiu. Como naqueles pesadelos em que estamos conscientes, mas não conseguimos gritar.
─ Cada neurônio do nosso cérebro, cada músculo do nosso corpo, cada partícula, cada célula... Tudo se concentra no que está prestes a acontecer. De repente nosso corpo precisa daquilo, com a urgência que precisamos de ar.
As mãos dele encontram minha pele nas fendas do vestido. Ele me acaricia por cima da calcinha fazendo um gemido tímido escapar entre meus lábios.
─ Posso? - Ele está mesmo pedindo minha permissão? Oh céus! ─ As pessoas costumam julgar errado o que não entendem. O que não conhecem. Acham que tudo que foge dos padrões morais aceitáveis é condenável. O mundo nos chama de loucos, pervertidos, doentes, mas muitos dariam um braço ou uma perna para estarem aqui. Liberdade é o nome do fazemos, somos livres para explorar nossos desejos mais profundos, nossos desejos mais primitivos sem medo...
─ Eu, Ahhh! – Um gemido escapa sofrido quando ele começa a esfregar meu clitóris por cima do tecido fino da maldita calcinha. – Pode! – Acho que enlouqueci.
─ Não encare isso como um trabalho, eu sei que é não se preocupe, mas liberte-se Cinthia. Aproveite! Esqueça onde estamos. Esqueça os outros. Esqueça os gemidos, embora eles sejam excitantes.
Beijando minhas costas por cima do vestido ele desce e com ele minha calcinha. Saio da calcinha para não tropeçar, com meu grande equilíbrio é bem capaz que eu tropece nela e cair de cara em algum desses grupos.
─ Deixe-se levar... – Arqueio contra o corpo dele quando sinto seus dedos me penetram com suavidade... Meu corpo o recebe, o abraça. Estremeço.
─ Vincent! – O nome dele sai sofrido entre meus lábios. Minha respiração descontrolada, nem consigo abrir os olhos.
Enquanto uma das mãos deles se ocupa do meu ventre a outra sobe aos meus seios... Oh Merda! Isso é – Ahhh! – Gemidos e mais gemidos.
Arqueei me comprimindo contra ele quando sinto outro de seus dedos me penetrar...
─ Você está sentindo? – Nego com a cabeça já que não sei ao que ele se refere. – Seus músculos se contraindo. Eu posso sentir você se tencionando contra os meus dedos. Isso é bom não é?
─ Sim! – Minha voz quase inaudível ecoa e se mistura a tantas outras que estão ali.
Os dedos dele me penetrando, a palma de sua mão em meu clitóris causando um atrito delicioso que estava fazendo meu corpo tremer. Posso sentir o sangue correndo em minhas veias a toda velocidade, meu coração batendo tão forte que temo uma parada cardíaca, meus músculos se contraindo, gemidos saindo sem controle, meus pensamentos fora de ordem. Só sei que quero mais, preciso de mais.
─ Nessas horas você perde o controle... Seus gemidos é o seu corpo falando, implorando pela libertação. Pela pequena morte. Quanto mais próximo você fica, com mais força cada musculatura do seu corpo se contrai, você sente a dor? Ela é prazerosa, não é?
─ Vincent! – Meu corpo treme por completo... Espasmos que me tomam desde a raiz dos cabelos até o dedão do meu pé. Sinto uma vontade absurda de gritar, minhas pernas estão ficando bambas. A mão livre de Vincent me puxa para junto dele me mantendo um pouco mais firme, sinto a ereção dele comprimida em minhas costas, me esfrego contra ela, meus quadris ganham vida e acompanham os movimentos de Vincent que se tornaram intensos, entrando, saindo, entrando, saindo... ─ Ahhhh! Merda!
─ Bienvenue a la petite mort Cinthia! – Gritei como nunca antes na vida, sobrepondo todas aquelas pessoas ali. Os braços de Vincent me envolveram e me mantiveram firme contra o seu corpo. Não tenho forças para me manter em pé sozinha.
─ Me acompanha? – Ele me vira para encarar seu rosto o ar de vitória brilha em seus olhos.
─ Para onde? – Pergunto sem forças e sem ar.
─ Meu quarto. Quero foder com você de verdade e não vai ser na frente dessas pessoas. Hoje você é minha. Concorda?
Assinto com a cabeça e com um sorriso idiota nos lábios. Não sei o que me aguarda no quarto dele, mas se for tão bom quando esse simples ato acho que vou precisar de ajuda para andar amanhã de manhã.
─ Eu amo Las Vegas!
****
─ Vincent e eu estamos passando momento agradáveis juntos. Nossas noites são quentes e cheias de descobertas. Ontem ele me fez usar um balanço estranho onde minhas mãos e pernas ficavam presas e como em um balanço transamos até eu explodir em orgasmo, ou melhor, em orgasmos, ou pequenas mortes como ele gosta de chamar. No começo achei estranho, mas agora soa excitante.
─ Vacaaaaaa! – O grito de Fabi ecoa pelo aeroporto quase todo. Ela corre em minha direção e me abraça. – Senti saudades!
─ Percebi! – Respondo rindo e tentando ignorar os olhares ao nosso redor. Foda-se não conhecemos essas pessoas mesmo.
─ Então, você e Vincent?? – Ela me incentiva a falar e sem restrições conto tudo a ela que sorri as gargalhadas conforme vou avançando na história. Contei que quase fugi e que tive quatro orgasmos seguidos.
─ Um brinde a isso! – Ela pega uma taça de champanhe em um balde dentro da limusine. Cortesia de Vincent.
─ Advinha, ele me deu uma quantia bem generosa como bônus e acho que mais um ou dois meses e consigo a quantia necessária. Vou me livrar disso. – Comemoro e o olhar da minha amiga não é o que eu esperava.
─ A vaca da sua tia ou da Thaise não te explicaram como as coisas funcionam não é? – Ela larga o champanhe e me olha séria quando nego. ─ Elas são duas vadias. Dois demônios em terra. – Ela vocifera irritada.
─ O que elas não me explicaram? – Pergunto preocupada, meu sexto sentindo diz que estou fodida.
─ Você assinou um contrato de um ano Cinthia, não pode quebrá-lo. Sei que você tem uma meta a ser atingida e fico feliz de verdade que em quatro meses esteja bem perto, mas mesmo que Vincent tivesse te dado a quantia necessária você teria que cumprir o contrato caso contrário todo dinheiro que você ganhou será delas, uma espécie de multa.
─ O que? – Grito desesperada. ─ Eu não sabia, assinei um contrato e elas falaram um ano, mas obrigada a ficar? Multa? Caralho! – Afundo o rosto nas mãos em desespero.
─ Você assinou um contrato com o diabo Cinthia. Eu disse que elas não são boas pessoas. Elas se aproveitaram do seu desespero para ajudar sua irmã e te fizeram assinar sem ler. – Ela tenta me consolar.
─ Eu não pensei... Ela é minha tia, talvez conversando eu...
─ Sinto muito, conheço aquelas duas cobras e quando o assunto é dinheiro você é só mais um contrato, família não existe.
─ Vadias! – Vocifero irritada. Não acredito que fui tão burra assim.
─ Detesto dizer isso, mas não perco essa oportunidade... Eu te avisei!
─ Valeu! – Digo irritada. ─ Pelo menos se eu conseguir o dinheiro ajudo a Xena que é minha grande preocupação agora, esse contrato resolvo depois.
─ A gente dá um jeito... Podemos matar elas e enterrar no quintal, ele é grande, ninguém vai dar falta. – Ela brinca me fazendo rir.
─ Que bom que está aqui! – Ela me oferece outra taça de champanhe e no momento não vejo ideia melhor que não seja beber, beber e esquecer o quão fodida eu estou.
Fim....