sábado, 29 de outubro de 2016

O Calendário da Cinthia: JANEIRO

Clube Lunáticas por Romance, Janeiro de 2016.

– Eu preciso de um empréstimo.
A frase dita por Cinthia foi curta e direta, seu porte imponente tentava esconder o quanto a decisão de procurar ajuda no clube a afetava. O Lunáticas por Romance era um negócio lucrativo e de elite comandado por sua tia, SCarolina Miranda. O rosto delicado e os longos cabelos encaracolados davam um ar angelical para a mulher, mas Cinthia a conhecia bem, de anjo, a Carol não tinha nada.
– E quem é você na fila do pão? – Thaise Ewbank, vice no comando, perguntou. Ela não gostava de pessoas que esnobavam o clube e isso foi o que Cinthia fez desde a sua inauguração tanto tempo atrás. – Por que você acha que te daríamos dinheiro?
Cinthia respirou fundo, não brigaria com Thaise. Não quando a vida da irmã estava em jogo. Ela se dirigiu à tia, apelando para o bom senso:
– A Xena está em perigo, tia! Eu preciso de um milhão de reais o mais rápido possível.
O choque com a valor dito pela sobrinha foi tão grande que Carol arregalou os olhos e permaneceu em silêncio, se perguntando em quais problemas o irmão se meteu desta vez. Coisa boa não era, já que uma filha estava em perigo e a outra veio em busca de ajuda. A risada de Thaise encheu o silêncio estabelecido na sala e Carol sabia que não poderia oferecer esta soma. O clube era um lugar democrático, decisões como esta seriam tomadas em acordo com todas as administradoras e nenhuma concordaria em entregar tanto dinheiro. Só havia uma solução:
– Junte-se ao clube e você ganhará mais do que deseja – ela abriu uma gaveta e de lá tirou uma pasta preta: – Dizem que Paris em janeiro é linda.
“Paris?”, Cinthia pensou com uma centelha de felicidade. Se o trabalho era na França, não poderia ser tão ruim, mesmo assim suas próximas palavras saíram como se ela estivesse assinando sua condenação:
– Aceito.
☙ ♪♫ ❧


Paris, uma semana depois.

Cinthia desceu do avião com as pernas trêmulas. Ela adorou a viagem de primeira classe e parecia que seu futuro cliente não poupava dinheiro no quesito luxo. O clube Lunáticas por Romance era um negócio pouco convencional, contratava acompanhantes de luxo para homens ricos e poderosos. As mulheres mais lindas eram escolhidas para atender às exigências dos clientes.

Cinthia soltou um suspiro, ela odiava se sentir como uma boneca preparada para servir macho. Ainda bem que o sexo não fazia parte de suas obrigações. Segundo Fabíola, amiga de longa data e funcionária do clube, só haviam dois motivos para transar: quando o homem era muito perfeito, raro, porém possível ou quando o precisava muito de dinheiro, já que havia um bônus envolvido. Ela decidiu manter a mente aberta, era seu primeiro trabalho, não sabia se conseguiria se manter nesta farsa de namorada troféu até o fim do mês.

Um homem alto e forte, com ombros largos e terno cinza segurava uma placa com seu nome: Cinthia Gutierrez. Ela se aproximou e falou com cautela uma das poucas frases que sabia em francês:
– Bonjour, je suis Cinthia.
Amistoso, o homem sorriu:
– Bom dia, eu sou Gabriel. Me perdoe, mas não falo francês.
– Ótimo! – ela se animou ao perceber que não teria que recorrer ao google tradutor para ter uma conversa decente. – Eu também não.
– Todos estão aguardando a senhorita no hotel, vamos.
Ele pegou as malas que Cinthia carregava e se dirigiu até a saída com ela em seu encalço. Dizem que Paris é linda em janeiro, foi o que Carol disse. Ela esqueceu que por “linda”, quis dizer fria e coberta de neve! Onde estavam as cores e o amor de Paris? Tudo estava branco e cinza. Tudo bem que ela gostava de cinquenta tons de cinza, mas não era neste sentido…
– Aquela vaca! – Cinthia exclamou ao perceber que nenhum dos belos jardins parisienses eram visíveis.
– O quê? – Gabriel perguntou.
Ela apontou para uma mulher qualquer na rua e tentou disfarçar:
– Aquela mulher que estava com uma bolsa com estampa de vaca.
O hotel, definitivamente, compensou as ruas congelantes. O Four Seasons Hotel George V traduzia o luxo e a elegância parisiense. Cinthia sentiu-se como uma monarca ao entrar na Penthouse com sua decoração sofisticada em branco e dourado. A cama convidativa parecia chamá-la para um descanso após as horas de viagem, mas foi o terraço privativo que roubou sua atenção: uma visão panorâmica de toda a cidade e vista privilegiada da torre Eiffel. Perfeito! Ela abriu a porta de vidro e tirou a luva de sua mão, deixando que a neve fina tocasse em sua pele, fechou os olhos, saboreando por um momento a realização de um sonho: estava na cidade luz.
– Fez boa viagem?
Uma voz a chamou e quebrou o encanto. Ela virou-se para encontrar um homem belo de sorriso doce. Seus cabelos loiros caíam lisos um pouco acima do ombro e os olhos azuis eram tão límpidos que brilhavam. Tão lindo pessoalmente, quanto nas fotos. Chris era o guitarrista da banda em ascensão Jack Rock. Eles eram a sensação do momento, não apenas pela boa música, mas também pela beleza e carisma de seus componentes.
– Ótima, obrigada – Cinthia colocou as luvas de volta e voltou para dentro da suíte, onde era mais quente. – É você que eu vou acompanhar?
Sua tia afirmara que ela deveria fingir ser a namorada de um dos componentes da banda durante um evento de rock em Paris, contudo não especificou de quem. Chris sorriu ao analisar o corpo da jovem mulher. Ela era do tipo físico que ele mais apreciava: gostosa, lábios carnudos e de longos cabelos castanhos. Ele gostaria de afirmar que sim, porém não poderia. Já tinha tudo esquematizado para a noite de hoje. Chris apontou para a mesa repleta de comida com a melhor comida que o hotel tinha a oferecer e pediu que ela se sentasse:
– Não sou eu, infelizmente. Vou explicar seu serviço durante o café da manhã, tudo bem?
Cinthia balançou a cabeça concordando e se sentou. Ela se serviu de um croissant que parecia desmanchar em sua boca de tão macio, sentia como se estivesse no céu gourmet.
– O evento de hoje é de suma importância para que a Jack Rock comece a ter reconhecimento mundial. Somos grandes em nosso país, queremos conquistar o mundo. Nossa imagem faz parte do pacote e um vocalista de uma banda sempre tem mais visibilidade que o restante. Eu não estou falando mal do meu amigo, mas preciso que você entenda a real situação.
Ela já compreendera de quem seria acompanhante: John, o sexy cantor. Seu rosto de deus grego e fama de bad boy parecia ser um chamariz para as fãs enlouquecidas.
– John precisa ter mais tato com a imprensa e não podemos lidar com escândalos em Paris. Você se apresentará como a bela namorada dele e o manterá na linha durante o evento: nada de mulheres e nada de excesso de bebida.
– Ou seja, eu serei a babá dele? – Cinthia falou em descrença. – O baixista tem tanta fama de comedor quanto John, por que só ele tem acompanhante?
– Ah, ele tem uma! Arrumamos uma para ele há mais de mês, Kim, nossa baterista, não aguentava mais as orgias na turnê e convenceu nosso empresário a chamar uma garota do clube Lunáticas. Stella, conhece?
Puta merda! Então foi aqui que a vaca da Stella se meteu? Pelo menos eu teria um rosto conhecido por perto.
– Conheço, ela é minha amiga.
Chris ficou aliviado ao saber que não haveria competição entre as duas e se levantou:
– Perfeito, ela está duas portas à direita, converse com ela, Stella sabe o protocolo a seguir. Preciso ir para o meu quarto, John está na piscina e não deve demorar a subir. Pode ficar à vontade enquanto ele não chega.
Ele saiu sem perceber o semblante assustado de Cinthia. Este era o quarto de John e ele chegaria em breve? Se ela deveria ficar à vontade enquanto isso, o que deveria fazer depois que John chegasse?

☙ ♪♫ ❧

Sem ter certeza do que fazer, Cinthia resolveu ligar para a tia antes de procurar Stella. Queria avisar que chegara bem e tirar algumas dúvidas. O telefone tocou várias vezes e ninguém respondia, quando estava prestes a desligar, ouviu a voz conhecida, porém ofegante, do outro lado da linha:
– Como foi a viagem?
– Boa – Cinthia olhou para a cidade através da janela de vidro. – Paris é linda, mesmo coberta de neve.
Cinthia enfatizou a última frase, ignorando a respiração levemente pesada da tia, o que fez Carol rir. Ela sabia que era inverno em janeiro, porém acreditava que aquilo não diminuía o encanto da capital francesa. Cinthia começou a bombardeá-la com perguntas das quais já sabia a resposta: quais eram suas obrigações, deveres e direitos como uma acompanhante de luxo.
Carol revirou os olhos não apenas por causa dos questionamentos da sobrinha, mas também pelo que seu segurança fazia entre suas pernas. Luís Felipe era um moreno alto, tatuado e forte que parecia um tanque de músculos. Seu currículo como guarda costas garantiu o emprego dele, porém o que realmente impressionou a patroa foram suas habilidades orais.
– Se eu quiser ir embora? – Cinthia insistiu. – Posso ir, não é?
– Pare com isso!
O grito de Carol foi tão repentino que até o segurança parou o movimento de sua língua e dedos. Ela cobriu o telefone com a mão e disse baixinho: – Você não, a minha sobrinha.

– Cinthia, pelo amor de Deus, lembre-se dos princípios básicos e relaxe. Você está em Paris, com uma banda famosa e acompanhando um homem lindo. Considere isso um presente de aniversário e seja feliz!

– Ok!

Cinthia se despediu da tia e resolveu seguir seu conselho. Andou pela Penthouse, observando o suntuoso lugar. Sua curiosidade estava aguçada e ela abriu cada uma das portas sem se preocupar se estava ou não autorizada a fazê-lo.

Uma delas dava para um closet impressionante. O lado direito estava repleto de roupas masculinas, em sua maioria cores sólidas e escuras. Do lado esquerdo, as roupas deveriam ser para ela. Vestidos, saias, calças e blusas de alta costura. Ela escolheu um conjunto de calça jeans, blusa térmica de alta costura e botas de cano longo. A manteriam linda e confortável.

Depois da manhã cansativa, tudo que Cinthia precisava era de um banho. Ela abriu a última porta e encontrou um banheiro maior do que o quarto de seu apartamento. Todo trabalhado em mármore e detalhes banhados a ouro.

Ela ligou a hidromassagem da banheira, que se iluminou alternando as cores azul, vermelho, verde, roxo e amarelo. Um banho de espuma com cromoterapia! Paris melhorava a cada segundo. Cinthia submergiu seu corpo na água morna e sentiu todas as suas tensões se esvaírem. Agora que estava relaxando, só precisava lembrar dos princípios básicos:
1º Não sou escrava sexual;
2º Não sou obrigada a nada;
3º Não sou… Toda a linha de raciocínio sumiu e um branco completo se apoderou de sua mente no momento que John entrou no banheiro. Ele vestia apenas uma sunga e gotas de água deslizavam por sua pele.
Só. Uma. Sunga.
Ela engoliu em seco, tentando se concentrar. “Foco!”, Cinthia pensou. Ela estava focada sim… na barriga tanquinho do vocalista. John não a viu, ele encarava o espelho e secava seus cabelos castanhos com uma toalha. A boca Cinthia se entreabriu e ela lambeu os lábios, observando os músculos salientes de suas costas. Ele se virou para jogar a toalha no cesto e se deparou com uma mulher desconhecida na banheira.

– Porra! Que susto, garota, como você passou pelos seguranças?
Ela se afundou mais nas bolhas, escondendo seu corpo nu.
– Eu não passei pelos seguranças, foi o Gabriel que me trouxe. Eu sou Cinthia.

John reconheceu o nome e um meio sorriso sarcástico despontou em sua boca. Não era uma groupie qualquer, era a sua “babá”. Ele achava que não precisava de seus serviços e não pretendia facilitar o trabalho dela. John tirou a sunga molhada e jogou com displicência no cesto da lavanderia. Os olhos de Cinthia se arregalaram ainda mais com a falta de pudor dele, ela tentava não encarar, mas era impossível. Como não olhar para aquela maravilha em toda sua glória?

– Você está pelado. – ela finalmente encontrou sua voz.
– E daí? – ele deu de ombros e foi tomar banho. – Você também.
– Olhe aqui, eu não sou uma prostituta! Não pense que me contratar te dá um passe automático para transar comigo.
Ele olhou para ela através do vidro transparente do box do chuveiro e esfregou o corpo devagar, provocando-a.
– Ok, saiba que eu te contratar não te dá um passe automático para transar comigo.
John se divertiu com o ultraje estampado no semblante da garota, ela levantou-se e enrolou seu corpo úmido com um roupão felpudo. Cinthia saiu a passos duros do banheiro, murmurando “idiota” em voz baixa.
Como não havia nenhum compromisso até mais tarde, ela enfrentou o frio e andou pelas ruas de Paris, visitou Notre Dame e o Louvre. Contudo não conseguiu subir ao topo da torre Eiffel, a névoa não permitia.
Ao retornar, Stella e uma garota de longos cabelos ruivos a arrastaram até um dos quartos que também era uma Penthouse como o de John.

– Sua vaca, como você chega, some e não me avisa nada? – Stella ralhou.

– Eu só estava conhecendo a cidade, precisava espairecer. – Cinthia se defendeu.
– Deixe-me adivinhar – Kim, a baterista ruiva da banda falou. – John te irritou em dois segundos? – Cinthia balançou a cabeça concordando e Kim sorriu: – Não se preocupe, é a especialidade dele. Vamos nos arrumar, devemos arrasar hoje!
As duas ligaram o som com músicas de rock e as três se arrumaram entre brincadeiras e piadas. Cinthia sentiu-se em casa naquele clima descontraído e mal se lembrava que foi paga para estar ali. No final, ela se estava poderosa em um Valentino preto longo com decote profundo e que se aderia ao seu corpo como uma segunda pele. No rosto, o destaque da maquiagem era o batom matte vermelho que destacava sua boca desenhada. O salto alto, a bolsa pequena e o colar com uma gota de diamante completavam o visual.
Elas desceram até o lobby para encontrar o resto da banda. Cinthia perdeu a fala ao ver os três roqueiros de smoking. Alysson, o baixista de cabelos curtos e cara de bom moço, segurou o braço de Stella. O sorriso luminoso de Chris era tão tentador quanto o ar soturno de John cujo cabelo comprido estava preso em um coque baixo, a barba cheia parecia mais curta, ele a aparou durante a tarde e os olhos azuis continham promessas obscuras.
O vocalista colocou a mão na base da coluna de Cinthia:
– Não precisava fugir – sua voz rouca tão próxima da orelha dela, arrepiou a pele da garota. – Eu não mordo, a menos que você me peça, é claro.
Cinthia respirou fundo, perguntando-se porque ela precisava resistir à tentação. O evento era grande e parecia uma versão do Grammy exclusiva para o rock. Ela se impressionou com a quantidade de flashes disparados em sua direção quando eles pisaram fora da limusine. Ela também se encantou com a quantidade de artistas conhecidos e só então se deu conta que aqueles não eram meros clientes, era a Jack Rock, celebridades do mundo da música.
Eles sentaram na área reservada para a banda e Cinthia se surpreendeu ao ver Chris e Kim subirem ao palco e iniciarem a premiação.
– É por isto que eles não têm acompanhantes? – ela perguntou para Stella.
– Sim, eles vão apresentar o evento – Stella olhou para os lados e cochichou no ouvido da amiga: – John é ótimo com o microfone na hora de cantar, assisti a um show deles e o cara arrasa. O problema é que ele não é tão carismático quanto o Chris ou comunicativo como a Kim quando não tem música envolvida. Já o Aly... ninguém leva à sério.
Ela riu da própria piada.
– Você está transando com ele? – curiosa, Cinthia a questionou.
– Eu não estava até uns dias atrás quando uma repórter confundiu o nome dele com o de Kim. São apelidos que servem tanto para homem, quanto para mulher aqui. Ele ficou tão irritado que quis provar sua masculinidade.
– E você?
Cinthia ficou chocada, pensando se o baixista teria forçado a amiga. Contudo ela sorriu com malícia antes de responder:
– Eu estava doida para provar a masculinidade dele!
As duas riram e o evento continuou… E continuou… E continuou… Parecia não ter mais fim, John batia o pé impaciente e a única coisa que salvava eram as apresentações musicais entre os prêmios.
– Eu quero comer. – John reclamou.
Cinthia o olhou desconfiada, imaginando se ele pensava que ela era sua babá no sentido literal da palavra. O fato é que ela tinha algo escondido em sua bolsa de grife, um pequeno doce que era sua paixão e Cinthia sempre mantinha um à mão. Ela decidiu oferecer um para John, seria um símbolo da paz, algo para suavizar o primeiro encontro desastroso deles. Não que ela considerasse o corpo dele nu algo que devesse ser considerado desastroso…
Cinthia abriu a bolsa e ofereceu seu doce mais precioso:
– Come isso e fica quieto.
John olhou desconfiado para o que a garota oferecia, mas o aceitou. Aquilo era tão gostoso que ele achou que suas papilas gustativas gritaram amém.
– O que é isto? – sua pergunta saiu entre gemidos de prazer.
– Paçoca, seu guloso, você comeu tudo e não deixou nenhum pedaço para mim?
– Não seja por isto – ele colocou a mão por trás do pescoço de Cinthia e a puxou para perto. Suas bocas se chocaram e ela entreabriu os lábios, a língua dele invadiu sua boca e ela sentiu o gosto doce da paçoca junto com o sabor característico dele. Um calor invadiu o corpo de Cinthia, algo que estava adormecido há tempos.
A barba dele a arranhava e arrepiava sua pele. Cada pedaço do corpo dela estava ciente da presença dele. – Vamos para o hotel, ninguém sentirá nossa falta.
– Eu deveria garantir seu bom comportamento. – Cinthia sussurrou sem muita convicção.
– Esqueça o contrato, se você for comigo, eu prometo me comportar muito mal…
Cinthia suspirou alto, ligou o foda-se e foi ser feliz.


☙ ♪♫ ❧

John fazia mais do que sexo, ele venerava o corpo da mulher. Suas mãos tocaram cada centímetro da pele dela, ele a beijou e a chupou. Cinthia se contorcia nos lençóis de cetim antes mesmo dele penetrá-la. A boca dele parecia feita para dar prazer e ela retribuía, chupando-o com o mesmo vigor.
– Fique de quatro. – John a virou de costas e logo Cinthia sentiu um tapa em sua bunda. Ele segurou seus cabelos e puxou sua cabeça para trás enquanto segurava sua garganta com a outra mão. O leve aperto em seu pescoço roubou o fôlego dela e a excitou ainda mais. A mão dele desceu do pescoço e passeou por todo corpo dela até alcançar a bunda, onde desferiu outro tapa. – Você é gostosa pra caralho.
Ele a penetrou forte, sem aviso, sabia que não teria problemas, ela estava molhada. A cada penetrada ele ia mais fundo e mais rápido, levando Cinthia aos limites do prazer. O silêncio do quarto era preenchido pelo barulho dos corpos se chocando, pelos gemidos enlouquecidos da mulher e por um grito:
– Porra, John, você tem que estar de brincadeira comigo! – os dois pararam o ato e se viraram para enfrentar um irado Chris. Ele jogou um troféu na cama: – Parabéns, idiota, você venceu como cantor favorito do ano e nem estava lá para receber o prêmio. A Jack Rock também ganhou como banda revelação, caso isso seja do seu interesse.
John levantou-se e colocou o troféu em cima de uma mesa. Cinthia se escondeu embaixo do lençol e observou estupefata como ele andou com tranquilidade até o minibar e pegou uma garrafa de champanhe.
– Ótimo, junte-se à nós e vamos comemorar!
– O quê? – Cinthia pulou da cama. – Você está louco?
Chris sorriu e se aproximou com cautela, seus olhos, que antes eram tão gentis, pareciam mais predatórios. Indignação dele fora substituída por desejo:
– O que acontece em Paris, fica em Paris.
– Isso vale para Vegas, não? – Cinthia perguntou desconfiada.
John a abraçou por trás e puxou o lençol, deixando-a nua na frente dos dois:
– E quem se importa?
Não ela, com certeza. John derramou champanhe no ombro de Cinthia e lambeu. Chris a beijou, tomando seus lábios com ardor. Em um momento ela estava em pé, no segundo seguinte se encontrava deitada encarando dois homens lindos, um loiro e outro moreno, ambos pareciam feitos para o pecado.
Mais bebida foi derramada em seu corpo, duas línguas, quatro mãos e dez dedos. Todos em Cinthia. Sentindo. Apertando. Beijando. Acariciando. Seus sentidos estavam sobrecarregados e o prazer dominava seu corpo. Naquele momento, ela era deles.
Chris cobriu o corpo dela com o seu, ela gemeu quando ele a penetrou. Dentro e fora. Dentro e fora. John se ajoelhou na altura da cabeça dela e ele segurou seus cabelos quando ela voltou a chupá-lo.
– Será que você aguenta mais? – Chris a desafiou e John a olhou em dúvida.
– Quanto é mais?
A pergunta dela era mais carregada de curiosidade do que de receio. John abriu uma gaveta na mesinha de cabeceira e tirou um tubo vermelho de lá.
– De joelho. – Foi tudo que ele falou.
Os dois inverteram a posição e agora era o Chris que ela saboreava. Cinthia sentiu algo viscoso entre suas nádegas e ela sabia o que viria, não seria sua primeira vez. Ela sentiu um dedo brincar em sua bunda e logo em seguida outro. A dor era pequena e ainda capaz de administrar, até que algo muito maior substituiu os dois dedos e ela prendeu a respiração.
– Respire e relaxe, será mais fácil. – Chris falou em seu ouvido e a beijou com delicadeza. Ela fez o que ele pediu e logo John a penetrou por completo. Cinthia respirou várias vezes, tentando se acostumar com a sensação. – Boa menina.
Chris a beijou e John esticou o braço para esfregar onde ela mais necessitava. Eles a acariciaram até que o prazer voltou a dominar o seu corpo. John parecia se segurar a cada vez que chegava perto de gozar, até que foi perto demais e saiu dela para que não terminasse a diversão antes do tempo. Chris deitou-se na cama e pediu que Cinthia montasse nele, o que ela fez com muito prazer. Seus seios balançavam enquanto ela cavalgava com vontade, seus gemidos poderiam ser ouvidos por toda a Paris que Cinthia não se importaria. Ela estava tão perto…
Cinthia sentiu as mãos de John em suas costas, empurrando-a para baixo, deitada contra o peito de Chris. Ela não era tola, sabia qual era a intenção dos dois. Sempre foi algo que quis testar, saber se conseguiria, se seria capaz de suportar e estava doida para descobrir. Ela tentou relaxar novamente, porém desta vez, todo seu fôlego foi roubado. Cinthia estava preenchida como nunca estivera antes. Os dois começaram a se mover de forma alternada e rítmica. Seu corpo queimava em chamas, ardendo em labaredas de pura luxúria. O prazer misturado com a picada de dor. Ela se sentia completa e na beira de um precipício.
– Grite! – John puxou seus cabelos e a penetrou mais forte. Chris abocanhou seu seio e segurava seus quadris, dando mais impulso ao movimento. Nenhum dos três demoraram muito antes do prazer dominarem seus corpos e tirarem seus sentidos.
Cinthia estava exausta, o suor pingava de seu corpo e parecia que não recuperaria seu fôlego tão cedo. Os dois homens se encontravam na mesma situação.
– Que tal um banho e pizza? – Chris sugeriu e levantou-se para acionar a água quente da banheira.
– Eu não consigo me mexer… – Cinthia reclamou. Ela estava se perguntando como eles tinham força para qualquer coisa que não fosse desmaiar e dormir.
– Não seja por isto! – John a pegou no colo e levou até o banheiro. – Não há nada que um bom banho não resolva.
Os três terminaram a noite na banheira, depois na cama e depois no banheiro de novo. No dia seguinte, Cinthia ligou para a tia Carol avisando que a noite fora um sucesso. Ela não chegou ao topo da torre Eiffel em Paris, mas subiu em coisas muito mais interessantes…

CONTO POR ARETHA GUEDES