sábado, 29 de outubro de 2016

O Calendário da Cinthia: ABRIL

ATENÇÃO: ESSE CONTO ESTÁ COMPLETO NO LINK https://www.wattpad.com/story/89486733-ilha-do-mel

Clube Lunáticas por Romances, 2016.

Presente para Cinthia Pires Gutierrez

Ilha do Mel, 08 de abril de 2016.

Estou sentada esperando o próximo barco para ir até a Ilha do Mel, situada na embocadura da Baia de Paranaguá, no Paraná. A ilha é um dos principais pontos turísticos do estado, destacam-se suas belas praias isoladas e limpas, sem contar a natureza bela e selvagem que a cerca. É minha primeira vez nesse paraíso, mas já ouvi falar muito da beleza e tranquilidade do lugar.
Por incrível que pareça, está um calor insuportável aqui. Ao invés de estar esfriando por estarmos perto do inverno, aqui no sul, o clima está fora do eixo, fazendo um calor estilo ao nordeste.
Viajei para Curitiba, e de lá, um motorista com um carro preto e luxuoso, me trouxe até Pontal do Sul, de onde saem os barcos para levar as pessoas até a ilha. Lá é completamente retirado, o único acesso é através das embarcações. Me disseram que a média de tempo para chegarmos ao destino final, é de apenas trinta minutos, o que me trouxe alívio, pois eu nunca andei nesse tipo de barco, e confesso que estou com um pouco de medo.
- Senhorita, o senhor Muller mandou uma lancha para melhor acomodá-la. Não precisará ir no barco com todas essas pessoas. – o motorista que me trouxe diz e eu olho ao redor e vejo muitas pessoas animadas com o passeio, ansiosos para chegar até a ilha.
- Obrigada. – agradeço, e assim que me viro, vejo um homem parando a grande lancha perto de nós.
Assim que entro, o homem me oferece uma taça de champanhe e coloca o veículo em movimento. É impossível não se sentir poderosa nesse momento. Apesar do motivo que me fez tornar acompanhante de luxo não seja bom, devo admitir que estou tendo boas experiências e conhecendo pessoas interessantes.
Enquanto a lancha desliza sobre a água limpa e fria do litoral sul e o vento toca a minha pele e bagunça o meu cabelo, aprecio a paisagem e vejo alguns golfinhos passarem perto de nós. Isso me arranca um sorriso, esse lugar é realmente o paraíso.
Com a lancha chegamos dez minutos na frente do barco. Assim que desembarco, o homem moreno e de sorriso simpático pega minha mala e me acompanha até a pousada que meu cliente me espera.
A areia é clara e limpa e tudo parece cena de cinema; a natureza ao redor da praia de Encantadas é espetacular. Caminhamos até chegar a uma pousada em frente ao mar, com lindas palmeiras a rodeando e com apenas o barulho dos pássaros cantando. É uma pousada mais retirada, e pelo que vi, a mais bela também.
- O senhor Muller já está lhe esperando. – o atendente da pousada diz assim que me vê. – Vou lhe acompanhar até o quarto.
Sigo o homem e fico maravilhada com o lugar. De repente, ele para em frente a uma porta de madeira escura e sorri.
- É aqui, senhorita.
Agradeço, e assim que ele sai, respiro fundo antes de bater à porta. É sempre assim, sinto-me ansiosa e nervosa a cada cliente que vou encontrar. Eu não sei o que esperar, cada encontro é uma adrenalina absurda. Mas dessa vez é diferente, sei bem como é Jorge Muller. Minha tia já passou uma ficha do sujeito e ao lembrar disso, sorrio. Jorge é gay, e costuma se aventurar em lugares reservados para que ninguém o flagre, já que a sociedade pensa que ele é um homem selvagem e pegador, pois é um alemão com quase dois metros de altura e com músculos que parecem ter sido esculpidos pelos deuses.
Fico rindo internamente e nem percebo quando a porta se abre e um louro maravilhoso quase cobre o tamanho da porta. Jorge é mais bonito que nas fotos que vi em revistas e jornais, uma pena que ele não goste da fruta.
- Olá, Cinthia! Que bom que chegou! – sorri e me dá dois beijinhos no rosto.
- Obrigada.
Assim que entro, Jorge pega minha bolsa e coloca em cima de uma poltrona grande e macia, e me serve de um pouco de champanhe rosa. O quarto é enorme e arejado, sem contar a decoração rústica e peculiar, um ambiente que deixa qualquer um confortavelmente relaxado.
Bem, você deve saber que é o meu plano de fuga. – diz e abre um sorriso travesso.
- Sim, eu sei. – beberico o liquido cor de rosa e também sorrio. – Fico feliz por ajudar a se divertir um pouco.
- Um pouco não, muito! – pisca maliciosamente.
- Desculpe perguntar, mas é melhor viver se escondendo ao invés de viver completo e feliz? – às vezes falo sem pensar mesmo, mas sinceridade é minha marca registrada.
- Um dia eu irei me revelar, Cinthia. Mas até lá, ficarei com as minhas aventuras secretas e excitantes. Você sabe, um homem como eu, seria apedrejado vivo praticamente, ao revelar a sua verdadeira opção sexual. Mesmo o mundo tendo mudado e que tudo seja tão moderno, as pessoas são cruéis, e eu quero evitar mais dor de cabeça. Eu já tenho problemas demais cuidando da empresa da família.
Balanço a cabeça concordando. Jorge tem razão, vivemos num mundo cheio de preconceitos sem sentidos.
- Bem, tudo que é escondido é mais gostoso. Não é o que dizem? – pergunto e ele me serve mais champanhe.
- Pode acreditar que sim. – sorrimos e continuamos nossa conversa animada.
***
Enquanto Jorge foi encontrar o seu bofe numa pousada do outro lado da ilha, aproveitei para dar um mergulho e pegar um sol. Adoro sentir o calor invadindo a minha pele molhada e me aquecendo, depois de um bom mergulho na água fria.
Jorge falou para eu ficar à vontade, comer e beber tudo o que quisesse e aproveitasse o momento. Também avisou que alguém viria me fazer companhia, o que me deixou sem reação. Jorge me faz sentir como se fôssemos amigos há muito tempo, adorei o seu jeito gentil e animado. Eu definitivamente adoro os gays, mesmo que ele não pareça nada com um.
Enquanto aproveito o fim de tarde, vejo um moreno espetacular caminhando e segurando uma prancha de surfe. Um surfista lindo, da cor do pecado e com os braços e peito tatuados. Tão sexy e selvagem, fazendo algo dentro de mim despertar.
Uau!
Ele parece um deus grego.
O homem caminha em minha direção e eu prendo o ar. Será que o encarei demais e agora ele veio querer saber o motivo?
Ele finca a prancha na areia e se senta ao meu lado, com um sorriso tentador no rosto. Dentes perfeitamente brancos e alinhados. Lábios carnudos e levemente vermelhos.
- Oi, eu sou o Gustavo, mas pode me chamar de Guto. Você deve ser a Cinthia, né? – sua pergunta me pega de surpresa. Como ele sabe o meu nome?
- É, sou eu. – respondo e ele percebe a minha surpresa.
- Desculpe, não pense que sou um psicopata, sou apenas amigo do Alemão.
Alemão... Ah, sim. Ele deve estar falando do Jorge. Será que ele é a companhia surpresa que Jorge mandou? E se ele também for gay? Se for, me deixará profundamente chateada, já que estou excitada por apenas trocar meia dúzia de palavras com ele.
- Eu não sou gay. – diz, arrancando-me de meus pensamentos.
- Oi? – pergunto, confusa e também envergonhada. Parece que ele leu a minha mente.
- Eu disse que não sou gay,
- Mas eu não falei nada...
- Mas pensou. – sua afirmação faz meu rosto queimar.
- Desculpe, eu não queria passar essa impressão e... – ele coloca o dedo indicador sobre a minha boca.
- Podemos ir beber alguma coisa, então eu vejo se te desculpo ou não. – sorrimos um para o outro e ficamos em pé.
- Eu só vou deixar minhas coisas na pousada e colocar um vestido, você me espera? – pergunto e ele concorda.
- Claro.
Gustavo fica deitado em uma das redes ao lado da piscina, enquanto eu tomo um banho rápido para tirar o sal da água. Apenas coloco um vestido curto, passo perfume e deixo meus cabelos molhados. Assim que saio do quarto, ele sorri e assovia para mim.
- Uau! Você está linda! – pega em minha mão e começamos uma caminhada pelo lugar.
Gustavo deixou sua prancha na pousada e me convidou para ir a um barzinho que fica no meio da floresta fechada da ilha. Me senti aventureira e excitada, assim que iniciamos uma trilha fechada, iluminada apenas com a luz da lua e com os celulares de algumas pessoas que passam por nós.
- Isso é incrível! – exclamo e escuto sua risada.
- Você ainda verá o que é realmente incrível. – diz e eu sinto uma promessa em suas palavras.
Chegamos até o famoso barzinho, com pouca iluminação e com som ambiente sensual. Vários casais bebem e trocam beijos e carícias sutis, ver tudo isso acende um fogo dentro de mim. Estou com um completo desconhecido, que se diz ser amigo do meu cliente que é gay e que vai me pagar apenas para pensarem que está saindo com uma mulher. Parece uma completa loucura, mas estou completamente louca para sabe até onde isso dará.
- Não pense muito, apenas viva o momento. – diz, assim que escolhemos uma mesa retirada. Quando sentamos, sua mão desliza pela minha coxa, fazendo-me arrepiar.
O garçom anota nosso pedido e assim que sai, a mão de Gustavo continua subir pela coxa até encontrar a minha abertura. É impossível não se animar, assim que ele percebe que estou sem calcinha. Seus olhos se iluminam mais que a lua.
- Estou sem sutiã também. – digo, me sentindo a mulher mais poderosa dessa ilha. Se Jorge quis me fazer um agrado, vou aproveitar o presente e me entregar ao desejo e luxúria. Afinal, estou numa ilha no meio do nada, com pessoas que nunca vi na vida, então irei usufruir de tudo e mais um pouco.
Nossas bebidas chegam e mal terminamos de bebe-las, e Gustavo me arrasta para fora do bar, levando-me para uma outra trilha, ainda mais escura. Meu coração quase sai pela boca e minha respiração falha. Essa com certeza é a maior loucura que já fiz com um desconhecido em toda a minha vida.
Gustavo me prensa contra uma grande árvore e me dá um beijo devastador. Deixa meus lábios e língua doloridos, uma dor de prazer e desejo. Suas mãos grandes e fortes deslizam para dentro do vestido e agarram a minha bunda, puxando-me e levantando-me, até que minhas pernas abracem a sua cintura bem definida.
Estou agarrada em seu pescoço e curtindo outro beijo selvagem, enquanto a minha entrada lateja e sente o seu membro ficar rígido e volumoso sob a sua cintura. O tecido do seu calção roça em minha entrada, deixando-me ainda mais molhada e necessitada.
Ele abaixa uma das mãos e leva seus dedos até meu clitóris. Ele brinca comigo, soca um, dois, três dedos dentro de mim e arranca gritos de prazer de minha boca.
- Você está tão molhada, tão excitada... Meu pau também está louco para te foder, morena. – suas palavras me arrancam mais suspiros de prazer.
- Então vai, me fode e me marque para sempre. – digo e perco o resto de controle que eu tinha.
Gustavo coloca agilmente a camisinha e me deixando enlaçada em sua cintura, entra forte e duro em mim, implacável. A cada estocada sinto o meu ventre se contrair e eu me contorço sobre o seu pau, que está duro como pedra. Eu já tive muitas aventuras sexuais, principalmente nesses últimos meses, mas nenhuma foi tão sexy e selvagem assim. Estou presa entre uma árvore e um surfista moreno e gostoso, enrolada em sua cintura e tendo uma transa como de dois animais selvagens. É surreal.
Ele abaixa as alças do meu vestido e leva sua boca sedenta até os meus seios e me faz gemer de prazer. Ele lambe, chupa e morde, a agonia começa a tomar conta de mim. Estamos suados e ansiando pelo êxtase total, eu quero mais forte, mais fundo, mais duro.
- Eu quero mais, mais forte vai... – sussurro e ele morde um dos meus mamilos com mais força e aumenta o ritmo das estocadas. Depois morde um dos meus ombros, como um felino faz.
Não demora muito. Minhas pernas amolecem e uma explosão violenta atinge o meu clitóris. Agarro o seu cabelo e puxo a sua boca até a minha, e enquanto nos beijamos, sinto-o tremer dentro de mim. Ele também gozou.
Após recuperarmos o fôlego, Gustavo me acompanha até a pousada e pega sua prancha. Jorge ainda não chegou, provavelmente passará toda a noite com o boy magia.
Guto beija os meus lábios com carinho e sorri assim que nos afastamos.
Saiba que você me marcou também. – sorrio e ele passa a mão em meu rosto. – Até um dia, morena.
Sinto o seu toque e fecho os olhos. Assim que os abro, vejo-o caminhar e sumir ao longe. Uma sensação de perda me atinge. Até quando minha vida será assim? Perder aqueles, que na verdade, nunca os tive.