domingo, 30 de outubro de 2016

Resenha crítica do livro Rawena da Angie Stanley

Capa do livro
Resenha Livro: Rawena
Autora: Angie Stanley

Imagina vc ser todos os dias sendo maltratada durante três longos anos por um carinha popular só pelo seu modo de se vestir ou por não ser tão popular.
Mas e se você pudesse se vingar o que faria?

Rawena é uma garota ao que parece simples. Usa roupas largas pretas, com o cabelo e o capuz do agasalho constantemente ocultando seu rosto, ela é ridicularizada todos os dias por um colega de trabalho insuportável que se acha o melhor, até que o destino ou algo mais oculto lhe dá a oportunidade de se vingar por esses anos de humilhação.
Rodrigo é o famoso mocinho que arranca suspiros por onde passa e acha que com sua beleza pode ter e conquistar tudo que quer, mas o que será que ele esconde das pessoas? A beleza vem acima de tudo?

Esse livro me pegou logo de cara,cada página lida eu ansiava saber um pouco mais o que seria desse casal. Rawena é uma mulher forte e que acredita que o que você planta você irá colher,mas o feitiço acaba virando contra o feiticeiro e embarcamos nessa história emocionante e eletrizante,cada personagem da um toque a mais a esse livro que soube me deixar desesperada e rindo feito uma louca a noite toda até Tentou me levar para Seus braços,o livro é tão bom que eu mal tirei as remelas dos olhos e ja estava ansiando para saber o final do livro.
Angie, muito obrigada por esse presente fantástico que foi ler o seu livro e obrigada Audrey por numa simples troca de livros me mostrar todo o carinho que tem por essa escritora. Esses dias estou sendo muito agraciada por encontrar livros tão bons e tão diferentes que me atraem muito,agora é pegar A Ladra de Almas e ver se eu vou amar tanto ela quanto amei o livro da Rawena...
Desejo todo sucesso pra você.
Nota Mil!

* Resenha feita por SCarolina Miranda, anjo lunática.

sábado, 29 de outubro de 2016

O Calendário da Cinthia: JULHO


Clube Lunáticas por Romance, Julho de 2016.

Mês de julho. Cinthia olhava para o calendário pensando em todas as experiências que até então havia vivido. Já com as malas prontas, ela seguiria para o aeroporto em poucos minutos. Tudo que sabia até o momento, era que seu contratante se chamava Pietro Brizolli, um advogado de sucesso, inclusive, de casamento marcado. Fato esse que descobriu em uma pesquisa no Google.
Cinthia observou sua foto, um homem charmoso, elegante, olhos castanhos, lábios medianos, nariz aquilino e barba levemente por fazer. E o físico, meu Deus, que físico! Um praticante nato de atividades físicas. E olhando seu sorriso encantar, parecia mesmo um verdadeiro cavalheiro. Mas algo naquela história não batia. Ela o encontraria na mesma cidade onde sua noiva morava, na verdade, ambos.
Se tudo isso não fosse uma maneira de romper um noivado, não havia outra explicação para tê-la contratado. Mas saber os reais motivos, não era uma clausura em seu contrato, e sim, atender seu cliente. E mais uma vez, ela seguiu de encontro ao que parecia ser seu destino.
Cinthia tinha seus motivos, e salvar a vida de sua irmã, a faria seguir até o ultimo mês. Apesar da viagem de primeira classe ter sido confortável, o mesmo frio na espinha se apossava dela a cada vez que desembarca em uma nova cidade. E Cinthia já fora surpreendida algumas vezes. Mas ter loira, de beleza estonteante e sorriso fácil, com uma plaquinha com seu nome escrito, era bem mais do que ela poderia prever. Pelas roupas de grife e jeito de socialite, teve certeza que não era uma assistente.
— Cinthia Gutierrez? — A loira mantinha o sorriso convidativo.
— Sim! — Se aproximou ainda sentindo-se confusa.
— Sei que esperava por um homem, ou alguém a mando dele, mas... Sou a noiva dele. Parece confuso, mas posso te esclarecer no hotel sobre o porquê te contratei?
Puta que pariu! O pensamento veio como uma explosão, então era isso mesmo, ela foi contratada pela noiva do cara?
— Claro! — Sorriu sem jeito, nisso até mesmo a vaca da sua tia Scarolina se sentiria enganada. No contrato estava expresso o nome dele, e agora essa bomba. Talvez fosse um ménage a trois, algo assim. Mas, meu Deus, como assim ficar com um cara com a noiva bem ao seu lado? Isso poderia ser aceito por outras acompanhantes, mas embrulhava o estômago de Cinthia.
Ela tinha consciência que não era obrigada a fazer sexo, porém qual a finalidade de ela estar ali se esse não fosse o intuito do casal?
Era necessária mesmo uma conversa, e ela deixaria bem claro como funcionavam as regras no clube Lunáticas.
Como a estadia seria de um mês, Caroline optou por um flat de luxo, dizendo ter visado privacidade e comodidade. Cinthia não fez objeções quanto a isso.
Seguiram para o último andar, ao saírem do elevador, entraram no Flat. A sala acomodava um grande sofá luxuoso com uma televisão de ultima geração. Ao lado esquerdo, uma moderna cozinha conjugada com uma pequena sala de jantar. Entrando a primeira porta a esquerda, ela se deparou com o quarto. De início as cortinas de sedas por todas as janelas tiveram sua atenção. A cama grande, na parte central da suíte, lhe fez desejar um bom cochilo. O closet, igualmente luxuoso, dava um detalhe sofisticado ao local. Na parede em frente à cama, outra televisão. Ao lado esquerdo, um mini bar, ao direito, uma mesa de vidro para dois, com vaso de lírios brancos. No canto, uma poltrona branca para leitura, e banheiro com hidromassagem. Sim, ela poderia ficar um mês ali, com certeza.
Após deixar suas malas no quarto, apesar de querer um banho, a imensa curiosidade em saber o motivo de ter sido contratada, a fez adiar tudo para enfim conversar com Cristine.
A loira ainda estava sentada ao sofá, pelos momentos das mãos, parecia mesmo nervosa.
Cinthia se aproximou, enfim ela saberia o motivo, então disse às palavras que tanto necessitavam de respostas.
— Então Cristine, poderia me informar para quê fui contratada?
Cristiane respirou fundo.
— Te contratei para uma pequena vingança. Mas não pense que eu sou uma má pessoa, não mesmo. Só queria uma vez na vida, dar o troco.
— Imagino que seja com seu noivo, isso? — Cristiane confirmou ainda nervosa. Cinthia ainda estava surpresa, mas vingança era seu segundo nome e ela gostava mesmo disso. Sentou-se de frente a sua cliente — Mas primeiramente, por que quer se vingar e como irá fazer?
— Primeiro quero deixar claro que não foi fácil chegar a isso e pode até parecer loucura, mas...
— Relaxa, tenho vivido uma loucura durante esses meses e nada vai me surpreender. Então pode desembuchar. — A espontaneidade de Cinthia arrancou um sorriso de Cristine. Ela respirou fundo.
— Meu pai era administrador na advocacia do meu noivo, inclusive, foi através dele que o conheci. A principio foi amor, parecia uma verdadeira história de amor, um conto de fadas. Ele, lindo e tão educado, mas depois, todas as mentiras vieram a tona, ele me traia, e bem além disso, me ameaça dizendo que mandaria meu pai embora caso colocasse um fim. Parece mentira, mas só conheci sua péssima fama depois de estar nisso até o pescoço.
— E por que não contou a verdade a seu pai?
— Meu pai já estava de idade, como a advocacia foi passada a Pietro por seu pai, ele não tinha consideração nenhuma pelos anos que meu pai dedicou à empresa. E não é só isso, até com minha melhor amiga, ele dormiu.
— Que vaca! Isso não é amiga, não mesmo!
— Cega pela paixão, demorei a tirar a venda e enxergar a verdade, ter uma noiva considerava boa moça, era tudo que Pietro precisava para acalmar os ânimos de seus pais que exigiam que ele deixasse sua vida de farra e gastos exagerados. Nunca foi amor...
— Mas como irá se vingar?
— Pietro sempre me humilhou, mês passado eu perdi meu pai. E agora mesmo deve estar se perguntando o que esse anel continua fazendo em meu dedo? Então, está aqui pela vingança. Quero humilhá-lo como ele sempre fez comigo com suas infidelidades, mas quero algo público, e nada melhor que o dia do meu casamento para isso. Quero que finja estar apaixonada por mim, em mais que isso, quero beijos e demonstração de amor mesmo.
Cintia deu um salto do sofá, como assim ter um relacionamento com ela?
— Nossa, eu adoraria poder ajudar, mas não me imagino beijando uma mulher apaixonadamente.
— Não pense que gosto de mulheres, não é isso, mas mais que ser trocado por outro homem ele surtará ao saber publicamente que foi trocado por uma mulher. Teremos tempo para ensaiar isso.
— Como assim ensaiar? Eu não me acho capaz disso, entende, gosto de macho, de rola.
— Eu também, mas pode fingir que...
— Desculpe, não tem como!
— Te pago a mais por isso...
— Não se trata de pagar a mais, se trata de não ser minha praia beijar mulheres.
— Podemos tentar, será tudo ensaiando, no casamento você estará como madrinha e na hora do, alguém tem alguma coisa contra, você se levantará e irá se declarar contando nossa história de amor!
Cinthia começou a rir, aquilo era muita loucura até mesmo para ela. Nunca se imaginou beijado e se declarando em público para uma mulher.
— Mas ele vai investigar e pode descobrir que foi armado.
— Mas nós temos um mês para tornar isso verdade.
— Como assim tornar verdade? — Cinthia se afastou desconfiada.
— Relaxa, eu não vou te agarrar, será ensaiado, lembra? Fotos juntas, beijos em pequenos vídeos, mensagens de amor... E então, aceita?
Cinthia pensou por minutos, aquilo era bem além do que ela esperava, como conseguiria beijar uma mulher, e ainda por cima, apaixonadamente? Mas pela família, fazemos sacrifícios, inclusive esse era o motivo de estar ali, e pensando bem, não seria algo tão ruim assim, já que, supostamente era ensaiado.
— Tudo bem, vamos lá! Quando começamos esse teatro?
— Hoje à noite, o que acha?
Ela respirou fundo, então era isso, um mês em um “suposto” relacionamento com uma mulher.
— Tudo bem!
— Então nos veremos a noite! — Cristine sorriu animada, se levantou, aproximou de Cinthia. — Até mais tarde! — Lhe deu um beijo no rosto.
Meu Deus!
A ideia ainda soava tão estranha, Cinthia não tinha certeza se conseguiria levar isso adiante. Mas antes de deixar seus neurônios ferverem. Atentou as suas necessidades. Ela precisava de um banho, e após, pediu sua refeição. Estava com fome, e antes que a fome a matasse. Ela a mataria.
Foi ao quarto, deitou-se a cama. Que delícia de colchão, sentia como se estivesse sobre uma nuvem de tão macio. Ligou para Tia, e ao escutar o que a sobrinha iria encarar agora, suas risadas foram pertinentes.
— Ora Cinthia, não se sinta mal, a vida é feita de novas experiências, quem sabe não gosta? — Sua voz soava debochada e provocativa. A tia desligou antes mesmo de dar brecha para Cinthia continuar.
Ela respirou fundo. A menos ela estava a par de tudo e caso tivesse certeza que não poderia continuar, seria sincera com Christine.
Próximo as nove, como foi prometido, sua campainha tocou. Ao atender, se deparou com a loira de sorriso fácil a sua frente.
— E então, está pronta?
Cinthia olhou para a mulher. Que maravilha, após resgatar a irmã, ela mesma iria mata-la por fazê-la passar por isso.
— Vai ser aqui mesmo? — Perguntou ainda com reservas.
— Claro, no quarto, não é nele que casais apaixonados ficam?
Cinthia coçou a cabeça, aquilo estava saindo dos eixos.
— Não se sinta mal, é da natureza humana, meninas são tão beijáveis, não acha?
— Não, não acho, definitivamente não!
A loira entrou sem reservas, seguiu direto para o quarto, Cinthia, após fechar a porta, a acompanhou. A loira tirou o casaco revelando estar de camisola, uma com estampa de vaca, que por sinal era a estampa preferida de Cinthia. E mesmo sendo Cristine bem sedutora, ela não queria mesmo se aproximar de uma mulher com camisola sexy, de estampa de vaca, não mesmo.
Christine se jogou na cama. Mantendo sorriso radiante no rosto.
— Não sente vontade de vir aqui deitar comigo? — Perguntou animada a Cinthia.
— A única vontade que tenho é de sair correndo desse quarto, sem ofensas. Mas acho que está exagerando!
— Não seja tímida, vem cá e me mostre o que é capaz?
— O que?! Com você eu não sou capaz de nada, tenho certeza!
Cristine respirou fundo.
— Cinthia, eu trouxe a câmera, preciso de fotos nossas, preciso fazer essa história real. Eu te entendo, é estranho para mim também, e se não fosse por um motivo, eu nunca faria isso. Sabe, esse mundo machista nos faz acreditar que somos inimigas, mas acho isso ridículo. Esses homens safados nos colocam como produtos de loja, pedaços de carne que estão ali, a mero prazer deles, e quando nos apaixonamos, despedaçam nosso coração sem consideração alguma. — Cinthia continuou a distância. — Eu trouxe paçoca, você quer?
Bom! Agora a proposta começava a fazer sentido, por paçoca podemos deitar na cama com outra mulher, afinal é paçoca, não é? Nossa melhor amiga em situações extremas.
Ainda sim, com cautela, ela se deitou ao lado da mulher. Christine se aproximou, Cinthia se afastou um pouco.
— Por favor, só uma foto?
— Tá, tudo bem! Uma foto!
— Pode ter beijo?
— Calma lá que as coisas não são assim, ainda não me acostumei com a ideia.
— Um selinho? — Quando Christine se aproximou, Cinthia a deteve.
— Me deixa mentalizar isso primeiro, senão sem chance.
— Tudo bem, quer que te ajude? Ouvir minha voz pode te ajudar... — Ela se mantinha próxima com olhos cheios de expectativas. Olhar aquele rosto angelical e logo se imaginar beijando a garota, era algo que a vaca da Xena merecia. Isso mesmo, ela quem deveria estar ali. Que merda! Depois de tantos homens bonitos, agora Cinthia beijaria uma mulher.
Ouviu Cristine pedir para que ela fechasse os olhos.
— Olhos fechados!
— Agora vou me aproximar e te dar um beijo.
— Calma, as coisas não são assim. Não é vou beijar e me beija. É preciso tempo, precisa me conquistar primeiro, entende, deixar a ideia amadurecer. Até sugiro ser assim, hoje falamos do beijo, e amanhã beijamos, o que acha?
— Relaxa, você consegue minha linda! Vamos lá, agora eu vou...
Cinthia levantou os braços a afastando.
— Acho melhor você ficar caladinha e só beijar, ouvir sua voz dá um treco aqui no estômago, e não é legal.
— Então vamos lá, em silêncio! Posso segurar seu rosto?
— Hei, hei, hei, não vem com essa não, não precisa segurar rosto para dar um selinho, e acho que para o bem estar das duas, é melhor mantermos a distância de um braço.
— Tudo bem, um braço.
Cinthia fechou os olhos e fez um beiço que faria qualquer um se afastar, mas ao contrario disso, sentiu Christine lhe dar um selinho.
Arregalou os olhos, a mulher ainda estava a sua frente. Provavelmente foi a pior visão de sua vida. Mas sem dramas, não sairia correndo tendo concordado.
— Já demos o primeiro passo, que tal um drinque?
— Se pensa que vai me deixar bêbada e...
— Ei, lógico que não, precisamos beber, assim nos soltamos um pouco.
— Então vamos lá! Um drinque apenas... Não sou de exageros.
Foi o que Cinthia disse antes de acabar com três garrafas de uísque e a vaca que há nela se rebelar. As gargalhadas das duas mulheres eram tão altas que provavelmente incomodava até os outros hospedes.
Primeiro falaram mal dos homens, para depois choram por eles. Christiane chorou tanto que Cinthia se compadeceu, ela ainda gostava do filho da puta, e bota filho da puta nisso. Mas ele teria seu troco e como teria.
— Por que somos mestres em amar quem só sabe ser filha da puta com a gente, Cinthia?
— Porque somos vacas! — Gargalharam. — Sei que não se deve confiar em promessa de bêbado, mas de uma vaca bêbada, você pode! Vou te ajudar nisso, pode contar comigo!
***
Passar um mês fingindo um relacionamento com uma mulher, não era algo maravilhoso. Mas Cristine, além de divertida, era uma pessoa maravilhosa, excelente campainha. Na altura do campeonato Cinthia se perguntava como o filha da puta do Pietro não sabia valorizar isso.
Ela estava levando vantagens, no fim, Christine estava carente de uma amiga, alguém que realmente apreciasse sua amizade. E se tinha uma coisa em que Cinthia era leal, além de resgatar sua irmã, era com amizades, e em um menos de um mês ela encontrou em Christine uma boa amiga. Apesar dos vários selinhos para fotos, e boas risadas depois deles. Os abraços, e até mesmo fotos na cama em posição de conchinha. O grande desafio ainda estava por vir. Ela teria mesmo coragem de se levantar em frente a vários convidados e se declarar apaixonada pela mulher?
Não seria fácil, mas estava longe de ser impossível.
***
O dia do casamento finalmente chegou, estando entre as madrinhas, Cinthia já sabia de cor o que deveria fazer. Ainda sim, estava nervosa. Não deixou de reparar no gostosão que entrou ao seu lado, mas estava ali “apaixonada” pela noiva, então não daria bandeira. Quando entrou a igreja, se deparou com Pietro no altar, e vê-lo lhe fez ter certeza de que o diabo é bonito, porque Deus do céu, que homem!
Se concentre! — Respirou fundo!
Aquilo seria um desafio, talvez o maior desafio depois de ter aceitado entrar no clube Lunáticas. Mas ela faria. Precisava fazer.
Quando finalmente a noiva entrou na igreja. Ela sorriu ao ver Cinthia. E bem mais que um sorriso, Cinthia sabia que havia feito uma promessa e retribuir o sorriso para Christine era a confirmação de que iria mesmo adiante.
Após os votos, o esperado e ensaiado momento finalmente chegou, a pergunta da qual Cinthia jamais iria esquecer!
— Se alguém tem algo contra essa união, fale agora, ou cale-se para sempre! — A voz do padre ecoou pela igreja que se manteve em silêncio. Cinthia sentiu que lhe faltava coragem, respirou fundo! Era o momento.
— Padre! — sua voz soou alta chamando a atenção de todos para si. Até mesmo os noivos. Pietro a olhava confuso, Já Christine, a encorajava através de seu semblante. — Padre, eu amo essa mulher e sei que ela me ama!
— Oh!!!! — Os convidados soaram em uni som.
— Essa mulher é louca, nem a conhecemos! — Pietro disse ainda tentando se recuperar do susto. Obviamente estava envergonhado. Em um súbito impulso, Cinthia se aproximou do altar, precisava mesmo terminar com aquilo.
— Christine, sei que foi apenas um mês, mas em um mês eu descobri a mulher maravilhosa que você é. E se esse mês significou para você, tudo que significou para mim. Eu lhe imploro, não se case com esse imbecil! Sabe que eu amo você.
— Oh!!!! — Agora foi à vez do pobre padre se surpreender. Ainda com olhos arregalados ele encarou a noiva.
Cristiane olhou para Pietro.
— Não faz isso, pelo amor de Deus! — Ele sussurrou para a noiva.
— Pietro — Christine disse em bom som — Eu poderia dizer que sinto muito, mas eu não sinto. Em um mês essa vaca me deu muito mais prazer que você! Então sim — Se virou para Cinthia — eu digo sim a você!
Se aproximou de Cinthia, aquele era o momento do beijo apaixonado. Cinthia estava tremendo, e não era pelo casamento, olhou para a boca de Christine, ela faria mesmo isso? E em uma igreja? Se lembrou de todos os momentos que foram divididos entre as duas. Todos os segredos e confissões.
Sim, ela faria.
E se existisse um premio para melhor beijo, com certeza seria aquele. Ainda que seu estômago tenha embrulhado, ela o fez. E como se o casamento fosse entre as duas, ambas encararam os convidados de cabeça erguida. Deixaram a igreja segurando o riso. Nenhuma se atreveu a olhar para trás. Um carro já as aguardava.
— Muito obrigada! — Foi tudo que Christine disse ao abraça-la.
— Mulher, se eu tinha um conceito de vingança, ele mudou agora depois disso tudo aí. E ele é quem pagou por tudo!
Christine sorriu.
— Foi até divertido, não foi?
— Tirando a parte do beijo! Foi sim!
— Ah! Fala sério Cinthia, você amou me beijar!
Cinthia gargalhou, não foi o pior beijo de sua vida, mas estava longe de ser o melhor! Ainda sim nunca confessaria isso a ninguém!
Sorriu com o pensamento. Ainda que tenha sido loucura, essa era uma loucura que ela levaria por toda a vida.
Já de volta para casa, pensou em qual nova aventura o próximo mês lhe traria. No entanto essa seria história para outra noite, no momento ela queria apenas cultivar as boas lembranças dessa nova amizade! E por hora, era o que faria!

O Calendário da Cinthia: JUNHO

Clube Lunáticas por Romances, 2016.

Literalmente A Garota do calendário

Clube Lunáticas por Romance, Junho de 2016

Junho chegou com tudo. Mal tive tempo de me recompor de Vegas, já fui mandada para outro destino. Bem que a Fabi me disse, mas eu queria muito acreditar que não seria despachada logo no primeiro dia do mês.
Campinas era meu novo destino. A viagem de avião foi feita em exatos e cronometradas 14horas .O meu novo “par” ainda era segredo, mas foi bem generoso me pagando uma passagem de primeira classe.
As vacas da Thaise e da Carol não me deram nenhuma pista de quem é meu novo cliente. E se for um psicopata? Um sádico? Ou pior, e se for aquelas pessoas com gostos peculiares na hora do sexo?
Tudo por dinheiro, falta pouco, já estamos na metade garota. — Meu subconsciente me lembra.
Faço o check-out e pego a minha bagagem, que está muito mais recheada devido às roupas novas que ganhei em Barretos.
O celular vibra e vejo que recebi uma mensagem de texto. No mínimo os caras com quem tenho saído devem achar que não tenho dinheiro para comprar dados de internet. Ninguém manda whatsaap, só torpedo.
Pegue um taxi e peça para ele te deixar no hotel Lagoa Serena. Tem uma suíte reservada em seu nome. Tome banho e vista sua melhor lingerie. Assim que sair do trabalho me encontro com você. A.R.
Que porra é essa? A pessoa nem me buscar vem?
Digito uma mensagem no grupo de whats onde tem as duas cobras que me meteram nessa furada. Só não as chamo de santa, mas que usei todos os palavrões do meu vocabulário eu usei. E sem culpa.
Saio do saguão em direção onde ficam os taxis. Por sorte trouxe uma grana comigo.
—Bom dia, o senhor poderia me levar até este endereço? — Digo lendo o nome do hotel que a criatura me mandou via torpedo.
— É aqui pertinho, demora nem cinco minutinhos. — Responde já colocando minha bagagem no porta malas do carro amarelo.
Tomo o meu lugar no banco traseiro do carro e encosto a cabeça no vidro. Em poucos meses minha vida tomou um rumo completamente diferente de tudo aquilo que planejei.
Tá certo que conheci lugares e pessoas que jamais conheceria quando ainda estava com minha pacata vida... Mas sinto falta da minha liberdade...
— Moça quer que eu passe por alguns pontos turísticos próximos ao hotel? — O motorista diz me tirando dos meus devaneios.
— Eu adoraria, mas infelizmente estou com o dinheiro contado e se essa corrida ficar mais do que trinta reais vou ter que ficar te devendo. — Respondo com sinceridade.
Menos de três minutos depois ele para o carro em frente ao luxuoso flat hotel. Baixo meus óculos aviador para poder contemplar a beleza da fachada toda em tons quentes.
— Chegamos senhorita...
— Cinthia. — Falo estendendo a mão que ele gentilmente aperta.
— Está entregue ao seu destino. E eu me chamo Bernardo. Dá próxima vez que vir para Campinas me chame para fazermos um tour, fica pouco mais de trinta reais, mas garanto que não vai se arrepender. — Fala me entregando seu cartão.
É impressão minha ou esse senhor estava me cantando? Apesar que, em outras ocasiões ele faria bem meu tipo.
O mensageiro do hotel vem até onde estou e pega as minhas malas. Ele não aparenta ter mais do que vinte anos e percebo que ele ficou tempo demais observando as minhas pernas.
Não sei se sou mesmo bonita ou se esse trabalho esta fazendo meu ego dar uma inflada, mas estou me sentindo gostosa pra caralho com todo esse assédio.
— Você deve ser a senhorita Gutierrez. — Puxa assunto levando minha mala até o balcão para que eu fizesse o check in.
— Sim sou e você é?
— Jonas o carregador de malas. Mas só das oito as oito, depois sou apenas Jonas.
— Todos os homens de Campinas são assanhados assim?
— É que é raro ver uma mulher bonita na cidade. Ai quando aparece uma já sabe... O não a gente já tem, não custa nada tentar.
— Jonas volte para seu trabalho e leve a mala da senhorita Gutierrez até a suíte master. — Dita à senhora que está atrás do balcão. — Me desculpe senhorita Gutierrez...
— Cinthia. Pode me chamar apenas de Cinthia. — Interrompo-a.
— Está certo Cinthia. Peço desculpas pelo Jonas. Aqui está a sua chave. — Fala me entregando um cartão magnético. — Tenha uma boa estadia.
— Só por curiosidade dona Rute, — falo lendo seu crachá — você pode me dizer quem fez a minha reserva?
Ela dá um sorriso de canto de boca. Cara de sapeca querendo contar um segredo.
— Não posso dizer seu nome, pois senão ele me mata, mas posso adiantar que ele é um fotógrafo gostosão. Sem contar que é sócio do maior jornal da cidade e tem uns amigos que são uns pão. — Diz se abanando.
— Obrigada Rute, me ajudou muito. — Respondo rindo. — Já fico mais tranquila em saber que não vou me encontrar com um velhote barrigudo.
Viro as costas e vou sentido ao elevador.
— Qual andar? — Pergunta o ascensorista.
— O andar da suíte master por favor. — Respondo e tiro o celular da bolsa para mexer nas minhas redes sociais.
Viro o celular para o espelho para tirar uma selfie. Faço um bico — embora minha tia diz que fico parecendo um pato — mas velhos hábitos jamais mudam. Faço a foto e fico feliz com o resultado.
— Está linda. — O ascensorista finalmente fala.
— Eu sou linda meu bem. — Acaba saindo mais presunçoso do que imaginei. — Mas mesmo assim obrigada.
O elevador para e me deparo com um andar somente meu. As portas duplas do quarto em madeira de lei e as paredes pintadas em vermelho me fazem sentir a verdadeira Anastácia em frente à porta do quarto vermelho da dor do Christian Grey.
Passo a chave na porta e assim que as abro não consigo segurar um palavrão que insiste em sair. PUTA QUE PARIU.
A cama Queen size me convida a testá-la e como uma boa dama que sou não posso recusar seu convite. Corro em sua direção me jogando sobre ela.
Os lençóis de seda branca dão o contraste no quarto de cores quentes. Por incrível que pareça estou adorando tudo isso.
O celular toca e vejo que é o meu contratante quem me mandou um torpedo.
Espero que esteja bem instalada. Aproveite esse tempo sozinha e descanse. A.R.
Ui ele pensa que manda em mim. Fico tentada a responder seu torpedo, mas pretendo ganhar uns extras com esse mandão.
O relógio marca uma hora e me lembro que ainda não almocei. Ligo para o serviço de quarto e peço uma macarronada ao molho pesto, suco de laranja e de sobremesa sorvete de paçoca.
Delicio-me com meu banquete. O cansaço da viagem e a preguiça pós almoço se apoderam de mim e sou obrigada a fazer o que o A.R. seja lá quem for mandou. Deito para tirar um cochilo de dez minutos.
(XXX)
Sou despertada do meu sono de beleza por vozes e muito barulho. Achei que esse andar fosse só meu e do meu acompanhante.
Bocejo e coço os olhos com dificuldade para abri-los. A luz invade o quarto sem dó.
— Quem é o corno que acendeu essa bosta? — Falo com mal humor.
— Primeiro que para ser corno deve- se estar em um relacionamento, coisa que não tenho, e segundo que não estou pagando uma fortuna para você dormir o dia todo. Te mandei um torpedo pela manhã com as instruções e não era assim que eu deveria lhe encontrar senhorita Cinthia. — Diz uma voz rouca.
Sento na cama e ai olho melhor ao meu redor. Não estou com apenas um homem no quarto. Estou com oito!
— O que significa isso? — Pergunto ficando em pé. — Eu não fui contratada para fazer gang bang não. Orgia nem é minha praia.
— Meu amor, — o dono da voz rouca fala novamente — você foi contratada para fazer o que eu quiser. Acertei tudo com as Lunáticas e pode ter certeza que desembolsei uma grande quantia para lhe ter aqui hoje. Mas para lhe tranquilizar, você não terá que dar para todos nós, apenas se você quiser. — Ele ri acompanhado pelos demais.
— Poxa Adam, você falou que encontraríamos ela pronta pra nós e olha só como ela está — o moreno aponta pra mim — com a cara amassada e com uma roupa nada sexy.
— Mas eu comeria fácil, — fala o loiro de olhos claros — ela parece ser apetitosa. Essa boca carnuda faria um estrago...
— Meninos vamos nos comportar, assim vocês estão assustando a moça.
— Adam para de ser careta cara, ela sabe a que veio.
— E vocês também sabem a que ela veio. E não é para ser fodida por vocês. — Adam fala enfatizando cada palavra.
— Dá para vocês pararem de falar de mim como se eu fosse uma mercadoria? Adam é este o seu nome né? — Falo apontando para o homem branco de cabelos escuros e olhos azuis a minha frente — você pode por favor me explicar o que está acontecendo aqui?
— Tudo bem princesa, senta ai na cama que vou te explicar. — Adam fala enquanto os outros nos deixam as sós.
— Eu realmente não quero sair com todos vocês se é que me entende.
— E você não vai. Costumo dividir sempre com meus amigos, mas você será só minha. Se tem alguém que vai te saborear toda sou eu.
— Não tô entendendo mais nada. Se é você quem vai ficar comigo, o que esse monte de homem está fazendo aqui?
— Você será a garota do meu calendário.
— O que?
— Isso mesmo Cinthia. Eu sou o famoso fotógrafo Adam Rodrigues. Todo ano faço o calendário do ano seguinte com garotas assim como você. Quando falei com a Carol e solicitei uma garota ela logo me indicou você. O calendário que faço é somente para alguns amigos, portanto você não terá suas fotos divulgadas por ai.
— São fotos nuas? — Inquiro.
— Nú artístico. Mas cada mês é com uma fantasia diferente. Algo bem erótico...
— E o que esses homens fazem aqui então se você é o fotógrafo e eu a modelo?
— Eles serão modelos juntos com você.
— Nada de fotos sexuais né? — Pergunto para me certificar.
— Somente fotos sensuais.
— Acho que é melhor começarmos logo então.
— Sem pressa Cinthia. Quero que você vá tomar um banho e fique bem cheirosa pra mim. Faça uma maquiagem bem marcada que deixarei sua fantasia de janeiro em cima da cama.
Que homem é esse? Fantasia de janeiro?
Paro de questionar e vou logo tomar banho. A figura que olho no espelho é horrenda. Meu cabelo está uma bagunça só e o rímel fez um estrago em meu rosto.
A água morna arrepia minha pele. Não sei se é devido a temperatura ou a excitação de fazer algo novo e totalmente diferente do que tenho feito. Aliás, o que de normal tem sido esses meses?
Saio do banheiro e sobre a cama tem uma fantasia de doméstica. Olho para os lados para ter a certeza de que não tem nenhum engraçadinho me espionando.
Começo a vestir a minúscula calcinha e o vestido transparente em preto e branco. As meias 7/8 pretas sobem até o meio das minhas coxas. Sinto-me uma empregada pervertida e rio do meu pensamento. Pego o espanador e sigo até o anexo do quarto onde estão os meninos.
— Foi daqui que pediram uma empregada? — Falo com voz sedutora.
Sinto oito pares de olhos sobre mim e consigo sentir a corrente elétrica que eles mandam para meu corpo que se eriça todo.
— Puta que pariu que delicia de mulher. — Fala Renan. — Com uma empregada dessas eu pagava a diária duas vezes ao dia.
— Foco meninos. A Cinthia vai apenas fazer as fotos. — Adam fala tentando soar sincero, mas sua ereção é visível sob a calça.
— Você é um sem graça Adam, nunca vi você regulando mulher pra gente, agora fica to cheio de frescuras com essa ai. — Victor fala apontando para mim.
— Meninos — grito — eu fui contratada pelo Adam e ele me explicou o que vim fazer aqui. Não vão pensando que por trabalhar como acompanhante de luxo, sou uma prostituta barata. Ou faremos as fotos como o Adam falou ou eu arrumo as minhas coisas e taco o foda-se. — Sei que essa última parte é mentira, pois preciso muito da grana, mas como num jogo de truco, ganha quem blefa e eu arrisquei.
— Leonardo você será o primeiro. — Adam dita. — Vamos para a antessala fazer as fotos lá.
Sigo o Adam e o tal de Léo — como ele me pediu que o chamasse — até o cômodo do quarto o qual eu ainda não havia conhecido.
— Bem Cinthia quero que você faça poses bem sensuais. Entre no seu personagem e comece a limpar tudo o que quiser. Leonardo você entra depois e começa a contracenar com ela, enquanto isso eu vou fazendo as fotos. — Adam fala já posicionando seu equipamento.
Léo tira a camisa e seus músculos me deixam excitada. Fazer fotos assim era algo que eu jamais imaginaria que faria. E o melhor, ainda tem mais seis gatos no outro cômodo esperando para tirar fotos comigo.
A música da Lana Del Rey — Summertime Sadness — ecoa pela sala o que me deixa mais a vontade por ser A MINHA MÚSICA.
Começo a fazer meus movimentos ritmados com a música e os flashes da câmera me faz senti-se como uma verdadeira diva.
Léo se junta a mim e o clima esquenta. Ele se esfrega “acidentalmente” em mim todo o tempo e essa brincadeira está me deixando molhada.
— Quer beber algo Cinthia? — Pedro pergunta entrando na sala no momento em que estou de quatro fingindo limpar o chão.
— Algo quente, por favor. Digo, algo gelado. Uma Skol beats iria bem.
— Vou pedir na recepção. E só pra constar, você está um tesão nesta roupa. Não vejo a hora de chegar maio e você ser minha enfermeira safada. — Fala se retirando da sala.
Acabo as fotos com o Léo e é a vez do Renan. Minha fantasia agora é de bombeira e me seguro para não usar a mangueira do meu par. Puta homem gostoso.
Segue a sessão de fotos embaladas pelas músicas da Lana. Mês após mês eu encarno uma nova personagem.
Março sou uma noiva sexy, maio uma enfermeira pervertida, junho uma jogadora da seleção, julho uma colegial muito má. Em agosto sou uma advogada, setembro uma policial, outubro uma bailarina, novembro chega e as fotos com o Victor são feitas como Eva no paraíso.
As horas passaram tão depressa que nem me dei conta que passamos madrugada adentro bebendo e fotografando.
— Meninos eu estou muito cansada, será que não podemos fotografar dezembro mais tarde? — Pergunto bocejando.
— Claro princesa, embora a nossa vontade seja outra — Henrique fala olhando para os demais colegas — sei que o Adam não vai deixar a gente ficar.
— Sorte que sabem, agora se mandem daqui. — Adam fala indo em direção a porta e sendo seguido por todos, quer dizer, quase todos pois Victor fica no quarto comigo.
— Você sabe que é muito gostosa né? Pensa que não sei que estava morrendo de vontade de dar para todos nós. Sorte sua que o Adam é um bunda mole, senão já teríamos feito a festa com você. — Victor fala se aproximando de mim. — Vou ligar para as Lunáticas e solicitar os seus serviços, mas ao contrário desse panaca eu vou saber bem como usá-la. — Termina de falar lambendo meus lábios e saindo do quarto em seguida.
Corro para o banheiro tomar um banho e tirar toda a maquiagem pesada. A fantasia sai com facilidade e o efeito da bebida começa a querer passar. Olha só onde fui me meter? Ser tratada como um objeto nunca foi meu sonho — nem nos eróticos, diga- se de passagem — e agora me sinto como um animal de raça numa vitrine de pet shop.
Calma Cinthia, tudo pela Xena. Você é forte. Estamos na metade do ano. Os próximos clientes serão melhores. Pensamento positivo garota.
Saio do banheiro e não encontro o Adam. O silêncio dessa suíte chega a ser ensurdecedor. Deve ser a ressaca. Quem mandou beber tanto assim?
Olho o celular e vejo que tenho duas mensagens. Uma no grupo de whatsaap, das vacas querendo noticias — a qual nem respondo — e um torpedo do Adam.
Durma bem princesa. Á tarde estarei ai contigo. A.R.
Sem pensar duas vezes me jogo na cama. Fazer 11 meses em um dia só não é mole não. Esse contrato está me custando muito mais do que apenas um calendário.
(XXX)
Acordo com alguém batendo na porta. Caramba que ousa me acordar às — pego o celular para conferir as horas — uma da tarde! — Dou um pulo da cama e corro atender a porta.
— Boa tarde senhorita Gutierrez — Jonas fala todo animado ao ver que ainda estou de camisola — vim trazer o seu almoço.
— Coloque na mesa por favor... — Respondo ainda despertando.
— Parece que a noite foi boa né?
— Foi ótima! — Falo querendo cortar assunto.
— Adam sempre trás garotas aqui, mas nunca trouxe uma tão bonita quanto você...
— Jonas já pode sair tá? Não estou com saco para cantadas pela manhã.
— Mas já passam da uma...
— Para mim ainda é cedo, como você pode reparar ainda estou de pijama.
Que cara chato!
Espero ele sair e bato a porta com força. Minha cabeça lateja e sei que foi por causa das secret que tomei ontem.
Abro a bandeja que o Jonas deixou e o cheiro de abadejo grelhado na crosta de ervas finas invade o quarto. Meu estômago protesta e sem modos ataco o prato literalmente.
O petit gateau estava divino e finalizou com chave de ouro o meu almoço tardio.
Tiro a camisola e coloco o vestido azul de grife que o Beto me deu. Aquele viado sabe bem das coisas. O vestido tem um caimento perfeito em meu corpo. Como diz a Fabi, estou sexy sem ser vulgar.
Digito uma mensagem para o Adam que retorna quase que no mesmo instante.
Estou chegando. Fique linda pra mim. Peça um champanhe bem gelado que quero prová-lo juntamente com seu corpo. A.R.
Ui ui ui, faço o que ele me pediu e dou uma caprichada a mais nos cabelos e na maquiagem que hoje saiu sutil.
A champanhe chega num balde com gelo acompanhado de duas taças com a borda dourada.
Cara da riqueza benhê. Tiro várias fotos do quarto, da mesa, da champanhe importada e mando para o grupo de whats das vacas.
Eu nem sei por que chamo essas piranhas de vacas. É uma afronta as indefesas energúmenas sagradas na Índia.
Morram de inveja é a legenda que coloco e como sempre elas visualizam sem me dar uma resposta.
O perfume do Adam chega primeiro do que ele e pela minha experiência tenho certeza que ele usa Azzaro.
— Boa tarde princesa, sentiu a minha falta? — Diz assim que entra.
— Não sei, quem sabe? — Falo fingindo pouco caso.
— Eu sei que sentiu. Mas prometo te recompensar hoje. — A malicia na voz faz acender o que até então estava quietinho...
— Você sabe que relações sexuais têm o pagamento por fora né?
— Princesa a quantia que passei para o Lunáticas me dá direito de te foder o mês inteiro...
Que caralho, ele passou a grana para a minha tia e ela nem me falou nada.
— Te dou um real pelo seu pensamento. — Fala se aproximando de mim.
— Ah meu bem, esses valem muito mais do que um real. Mas te falo no 0800 mesmo. Estava pensando no quanto eu sou uma fodida...
— Somos Cinthia. Não sou muito diferente de você. Todos têm um segredo que revela muito sobre nós...
— Até o Adam Rodrigues tem segredos? — Falo inquisitiva. — Quer me contar?
— Se te contar não será mais um segredo e correrei o risco de você fugir daqui...
— Vamos tomar esse champanhe ou ficar aqui choramingando como se estivéssemos no muro das lamentações?
— Adorei a ideia.
Adam abre a garrafa com maestria e me serve com uma taça. O liquido borbulhante desce pela minha garganta me dando plena sensação de prazer.
— Aposto que Moët & Chandon fica muito melhor acompanhado de Cinthia Gutierrez.
Adam pega a minha mão e me leva até a cama. Com delicadeza retira meu vestido me deixando apenas de calcinha e sutiã.
— Você é tão linda Cinthia. Olha só como sua pele se ouriça toda pra mim...
Adam pega a champanhe e derrama um pouco sobre meu umbigo. O frio da bebida faz com que minha pele arrepie e meus seios fiquem duros.
Sua boca vem em direção ao meu corpo e o misto da bebida gelada com a boca quente me deixa louca.
— Eu sabia que seu gosto era bom Cinthia, só não imaginei que seria tanto...
Sua voz saia carregada de sensualidade. Ai meu Deus, que homem é esse?
Ele continua derramando a champanhe em mim e a tomando em seguida. Sinto que estou encharcada literalmente.
— Quero saborear a champanhe na parte mais gostosa do seu corpo... — Adam fala puxando lentamente a minha calcinha para baixo.
Já me livro do sutiã também para já adiantar o trabalho dele.
O champanhe desce pela parte do meu corpo que está pegando fogo. Que sensação boa. Ele dá uma assoprada e logo vai com a boca no ponto que estava implorando por isso.
— Ai Adam, isso é tão bom... — Gemo segurando em seus cabelos.
Ele é perfeito no que faz. Não é igual os demais que acham que existe um interruptor de liga e desliga e que isso que faz uma mulher sentir prazer.
— Agora é sua vez. — Adam fala se pondo em pé já se livrando das roupas.
Sem demora começo a chupá-lo com a mesma velocidade em que ele derrama a champanhe sobre seu membro.
É uma delicia esse misto de frio e calor.
— Cinthia Cinthia, um mês será muito pouco para fazer com você tudo o que tenho em mente...
— Aproveite o momento Adam. Temos mais 28 dias pela frente...
Ele me levanta e me joga novamente na cama, mas desta vez estou de bruços. Ele dá um sonoro tapa em minha bunda e leves mordidinhas.
— Vou entrar tão fundo em você e quero que goze chamando meu nome. — Dita sussurrando em meu ouvido.
Sou preenchida por ele que entra como falou. Fundo e forte.
Adam segura meus cabelos e com a outra mão segura em minha cintura marcando o ritmo de vai e vem perfeito.
— Adam eu vou...
— Ainda não Cinthia...
— Não consigo mais segurar... — Choramingo.
— Então me chame. Peça que eu lhe dou...
— Adam eu vou gozar... — Gemo sentindo os espasmos de um belo orgasmo.
— Isso princesa...
Ele goza e sai de dentro de mim. Eu acabo desmontando na cama.
— Não vai tomar banho? —Pergunta.
— Tenho que ir agora? — Respondo manhosa.
— Pode vir depois então. Vá pedindo o jantar para nós. Gosto de carne.
Sento na cama me recompondo do melhor sexo que fiz por esses dias. Ligo na recepção e peço duas picanhas grelhadas acompanhadas de arroz branco e batata.
Assim que Adam desocupa o banheiro eu entro. O banho me relaxa e me faz pensar que embora minha vida esteja fodida eu ainda tenho tempo de foder. E que fodas ando tendo...
Termino o banho optando por não secar o cabelo. Coloco apenas um shorts doll e vou até onde meu contratante está.
— Te dou um real pelos seus pensamentos. — Falo o imitando.
— Ah princesa esses nem por um milhão, mas diferente de você eu não irei lhe dizer...
— Eu vou ficar nesse hotel durante todo o contrato ou irei para a sua casa?
— Não posso te levar para minha casa. Rosa iria me encher de perguntas...
— Mamãe ciumenta?
— Rosa não é a minha mãe é a minha empregada, mas é como se fosse uma mãe.
— Entendi...
— Você não gostou do hotel?
— Claro que gostei. Só me sinto um pouco sozinha aqui...
— Posso pedir para os meninos revezarem para te entreter, o que acha?
Demoro um pouco para responder. O que ele está propondo? Que eu dê para um diferente a cada dia?
— Eles te pagarão um bom bônus... Victor está louco para te conhecer melhor...
Xena olha só a enrascada em que me meti por sua culpa...
— Eu aceito a companhia dos meninos, menos a desse Victor. Não fui com a cara dele e olha, ele te odeia tá, fica esperto.
Adam gargalha e eu acabo o acompanhando.
Nosso jantar chega e como o almoço estava delicioso. Ele me faz companhia até as dez e depois diz que tem que ir embora.
Não tenho o que reclamar, pelo menos ele está me respeitando e se mostrando ser um bom homem.
Coloco uma serie na TV e deito para descansar.
(XXX)
Minhas semanas em Campinas passam voando. Estar com os meninos tem me feito bem. Nem sempre rola sexo, mas só o fato de estar acompanhada todos os dias já me tira do tédio.
Algumas vezes tenho acordado sem me lembrar da noite anterior e me sentindo lesada. Preciso parar de beber um pouco...
Hoje é meu último dia aqui e já estou sentindo falta sem ao menos ter partido.
— O que é? Já está com saudades de mim? — Adam pergunta me abraçando por trás.
— Estou. Você foi uma boa companhia neste mês de inverno. Digamos que me aqueceu de uma forma boa.
— Quando quiser voltar será bem vinda.
— Claro que voltarei e da próxima vez não será devido um contrato...
Adam me vira de frente e beija a minha testa.
— Vamos? Tem um bom caminho a fazer até o aeroporto e se você se atrasar sua tia me mata. — Diz rindo.
— Tá me despachando é?
— Você já viu a clausula do contrato que fala sobre atrasos? É algo exorbitante.
— As vacas sendo vacas... — Sibilo.
E é ao som de Lana Dey Rey — Born to die — que faço o caminho no carro do Adam até o aeroporto. Vou curtindo a música da minha diva na maior tranquilidade, pois vai saber até quando vai durar a minha paz.
Estar cada mês com um cliente diferente é algo assustador a primeira impressão, mas tem me proporcionado conhecer outras pessoas e ampliar meus contatos.
— Chagamos.
— Então é aqui que nos despedimos? — Digo segurando o choro.
— É aqui que estamos nos dando um até breve. Não pense que me esqueci que você disse que voltaria.
Assinto com a cabeça porque sei que se falar vou chorar.
Entro no aeroporto e me dirijo ao guichê para fazer check in.
O celular vibra e vejo que é um whats da Thaise.
Seu próximo destino já está definido. O upgrade da sua passagem já foi acertado com a companhia aérea. Faça boa viagem baby.
É e lá vou eu para mais um destino inesperado.
Julho ai vou eu!

O Calendário da Cinthia: MAIO

Clube Lunáticas por Romances, 2016.

La Petite Mort - Maio
“O que acontece em Vegas fica em... Nossas lembranças.”
─ Welcome to Las Vegas! – Diz o letreiro no portão de desembarque.
Para quem só fazia o trajeto Rio/São Paulo, Paris, Los Angeles, lugares incríveis no Brasil que nem fazia ideia existirem e agora Vegas está de bom tamanho, sem contar as experiências... Já posso escrever meu próprio livro quando tudo isso terminar.
Atravesso o salão de desembarque encantada com o que vejo. Isso parece um cassino ao invés de um aeroporto. Telhados espelhados, máquinas caça níqueis por toda parte. A mistura de sons chega a ser ensurdecedora.
─ Vegas Baby! – Comemoro mais animada. Cidade do pecado, ai vou eu.
Caminho em direção ao portão 5B. Segundo as instruções que recebi devo esperar lá. Pego meu celular e tiro do modo voo. Em questão de segundos enxurradas de mensagens começam a chegar e tem quatro ligações perdidas da Fabi. Não deve ser boa coisa.
Quando penso em retornar uma limusine para diante de mim e meus olhos saltam...
─ Uau! - Digo impressionada. Arrasei.
Meus olhos saltam outra vez quando uma mulher se revela como motorista e não um homem como de costume.
─ Você é a Cinthia? - Ela pergunta apressada.
─ So... Sou! - Gaguejo ainda em choque, não por ser uma mulher ao volante, mas pela maneira como ela está vestida. Ela parece ter saído de um filme pornô, uma fantasia sexual ou uma casa de striper.
─ Vai ficar ai parada? - Saio do meu devaneio sobre a roupa dela e caminho apressada em direção à limusine.
Vegas é maravilhosa, o sol começa a se por e a cidade parece ganhar vida. Entramos na Vegas Strip, segundo a placa, sei que é onde os maiores cassinos estão localizados e olho todos com curiosidade tentando adivinhar para qual deles estou indo.
A sensação que tenho é de estar em um Parque de diversões em forma de cidade, afinal creio que seja isso que Vegas é. Parece uma realidade paralela onde todos os sonhos de consumo se encontram. Pela janela posso ver uma replica da Torre Eifel, um pedaço tentador de Paris. Ao lado de Paris os arranha-céus de Manhattan, a Estátua da liberdade, pirâmides, esfinges, uma pequena Veneza, tudo reunido o longo da Avenida que parece não ter fim.
─ Chegamos! - Minha motorista de forma irritada informa.
─ Obrigada! – Pego minhas duas malas e saio do carro de queixo caído. ─ Puta que pariu! - Falo baixinho, mas por dentro dando um grito.
O lugar é maravilhoso, uma torre ostensivamente alta de vidros escuros onde o nome LIBERTINE grita em vermelho bem vivo.
─ Olha só... - Minha motorista vestida de striper chama a minha atenção. ─ Você deve procurar uma mulher chamada Tessa, ela vai te dizer o que fazer.
─ Entendi! - Tento parecer firme e profissional.
Ao cruzar as portas dou de cara com uma vista palaciana. Um suntuoso salão muito bem decorado, móveis escuros, pinturas, esculturas, parece um museu, refinado, mas ainda um museu.
A Hostess me indicou uma salinha quase secreta onde eu encontraria a tal de Tessa. Assim que a vi fiquei impressionada, assim como a motorista ela parecia fazer parte de uma fantasia erótica. Vestida ao estilo mulher gato, couro dos pés a cabeça, uma coleira com um V cravado em prata, olhar mortal e desafiador, só faltou o chicote.
Seguimos até o elevador em silêncio. O único som que se ouvia era de música clássica, algo ao piano. Sorri quando ela apertou o botão da Penthouse.
Sempre coberturas! - Digo a mim mesma.
─ Chegamos! - Tessa sai na frente de forma dominadora, como se quisesse deixar claro que aqui eu sou visita. ─ Vince ainda não chegou, está em reunião. Aquela porta branca ali é o seu quarto, tome banho, coloque um dos vestidos que estão no armário de preferência um vermelho e espere ele falar com você. Entendido?
Olho para ela dos pés a cabeça. Quem ela pensa que é para me dar ordens assim? Sei que estou aqui para ser acompanhante, mas não acompanhante dela.
─ Entendido! – Dou um sorriso tão falso quando uma nota de três reais, gritando vadia e fazendo um carrossel de cotocos na minha mente para essa mulher.
─ Você precisa do dinheiro Cinthia! – Repito como um mantra.
O quarto é lindo, luxuoso e todo branco. Caminho em direção as janelas e as fecho, mesmo da cobertura o barulho da cidade é intenso. Para minha surpresa o barulho some quando as janelas se fecham.
Me jogo na cama estupidamente confortável e retorno a ligação da Fabi, que atende em dois toques.
─ Oi vaca, ainda viva? – Ela sorri do outro lado. É bom ouvir uma voz familiar.
─ Ainda, às vezes acho que isso nunca vai acabar. – Reclamo exausta.
─ Vai passar rápido, acredite em mim. – Ela tenta me animar, sem muito sucesso. ─ Ahh a cretina da sua tia me passou seu próximo destino.
─ Já? – Grito me sentando na cama.
─ Acho que a bruxa da Thaise tem culpa nisso, ela sempre quis você aqui e agora vai montar em cima de você em busca de dinheiro. Enfim, sua tia ia te passar as instruções, mas ela teve uma viagem de negócios, mas todo mundo sabe que ela subiu a serra com o Luís Felipe, um segurança que é um escândalo de tão gostoso.
─ A minha tia? A tia Carol? – Pergunto incrédula.
─ Querida aquela cretina de anjo só tem a cara... Bom, de qualquer forma as instruções. Vamos por partes, primeiro seu cliente atual. Ele se chama Vincent Albertini, dono do Hotel barra Cassino LIBERTINE, que traduzindo ao pé da letra quer dizer libertino, assim como o dono. Um bilionário libertino e excêntrico e quando digo excêntrico é excêntrico mesmo. Stella e eu já participamos de uma das festinhas dele que são dignas de Lord Byron. Então Cinthia mantenha a mente aberta, não saia correndo, não surte e por Deus não ofenda esse homem ele é um dos nossos melhores clientes. Ele é realmente um Lorde, se gostar de você vai tratá-la como uma rainha.
─ Ótimo, já quero ir embora! – Bufo revirando os olhos.
─ Deixa de ser chata, não é nada de outro mundo... Ah falei com a Xena hoje. A levei para minha casa, lá ela ficará segura.
─ Tem certeza? – Minha preocupação só aumenta estando longe dela.
─ Absoluta, mando ela ligar depois e vocês conversam melhor... – Concordo e sinto meu corpo relaxar. Se tem alguém que pode manter minha irmã segura é a Fabi. ─ Ahhh advinha quem vai para Vegas no fim de semana? Isso mesmo, eu.
─ Não acredito, como? – Fabi é acompanhante fixa do Governador, e até onde lembro ele é um cara possessivo e ciumento.
─ Tenho minhas estratégias de convencimento, estou sem poder sentar, mas funcionou. – Ela diz rindo me fazendo rir também.
─ Mas e a Xena? – Minha preocupação cresce sem ela por lá.
─ Vai ficar na minha casa com a minha mãe... Relaxa, mamãe sabe de tudo e vai cuidar dela. Além do mais é só um fim de semana.
─ Confio em você! – Meu coração aperta, mas não tenho outra escolha.
─ Preciso desligar à vaca da Thaise está chamando, sem a sua tia aqui ela se acha a rainha da Inglaterra. Na real se a grana não fosse tão boa juro que faria como você e ligava o foda-se para elas.
─ Meu foda-se anda desligado ultimamente! – Digo com pesar e desligo a ligação.
****
Contradizendo tudo que Tessa disse não coloquei a merda do vestido vermelho, usei um preto longo e com duas generosas fendas que deixam minhas pernas completamente a mostra. Deixo meus olhos bem marcados, assim como meus lábios, um batom vermelho vinho tipo fosco, minha marca registrada. Solto os cabelos que caem até pouco abaixo dos ombros em ondas perfeitas, dou uma bagunçada neles com os dedos para dar mais volume e pronto.
Congelo quando ouço uma batida na porta. Faço postura e peço para a pessoa entrar e tive que me apoiar na mesa para não cair. Porra, só pode ser sacanagem. Desde que comecei repito a mim mesma que sexo está fora de cogitação, mas se continuarem aparecendo esses homens que são a própria encarnação de Apolo eu vou surtar.
─ Você deve ser Cinthia, sou Vincent Albertini! – Ele se aproxima a passos lentos e sinto o ambiente ficar pequeno. Ele exala virilidade. Os olhos dele varrem meu corpo de cima a baixo até encontrarem meus olhos e que olhos ele tem, escuros, intensos e de certa forma perturbadores.
─ Cinthia Gutierrez, prazer! – Estendo a mão e ele a recebe afagando com delicadeza e levando aos lábios sem tirar os olhos dos meus.
─ Bela escolha de palavra... Prazer. Já gostei de você! – Ele me lança um sorriso daqueles que faz a calcinha molhar e a pepeca bater palmas.
Maxilar firme, barba perfeita, um furinho no queixo, cabelos bem cortados sendo curto dos lados mais alto e bem penteado em cima, lábios bem desenhados, um corpo forte e largo, alto estilo muro de proteção, terno bem cortado e perfeitamente alinhado ao corpo... Esse homem não é real.
─ Não sei se lhe informaram o real motivo da sua vinda aqui?
Nego com a cabeça e ele se aproxima me encurralando contra a parede. Se ele tentar algo assim de cara sendo lindo ou não dou um chute no saco dele que ele nunca vai ter filhos.
─ Ótimo, uma novata. São as melhores! – Ele diz animado.
─ Eu não sou novata e...
─ Pode não ser na profissão, coisa que eu duvido muito. – Ele me corta e me olha outra vez dos pés a cabeça como se me analisasse. - A maneira assustada e confusa como você me olha, a maneira como seu corpo se encolhe quando me aproximo. Fora que você está parecendo um animal indefeso acuado nesse canto. Tudo isso me indica que é uma novata ou que está realmente perturbada com a minha presença. – Ele sorri de forma descarada e sedutora.
Endireito minha postura fazendo um ar desafiador...
─ Posso estar me sentindo acuada aqui, mas não sou a merda de um animal indefeso, sou uma fera e como toda fera...
─ Ataca quando se sente acuada! – Ele completa meu raciocino com certo fascínio no olhar. ─ Você se torna mais interessante a cada minuto.
Me calo enquanto ele dá voltas ao meu redor, o corpo dele próximo ao meu me causando um calafrio assustador e excitante. Uma mistura intensa e interessante de sentimentos.
─ Bom, voltando ao motivo de você estar aqui... Uma vez a cada mês eu dou uma festinha diferente.
Olho para ele com curiosidade e confusa de certa forma, as palavras de Fabi ecoam na minha cabeça. Festas dignas de Lord Byron. Lembro de ter lido algo sobre essas festas quando estudei literatura, Byron era famoso por dar festas que duravam dias e reunia todos os tipos de fetiches, dos mais comuns e excitantes aos mais bizarros e perigosos, fora que alguns eram ilegais. Merda, merda, merda. Aonde vim me meter? Se esse cara for louco ligo o foda-se e saio correndo. Titia que me perdoe, mesmo ele sendo o melhor cliente do Lunáticas, eu tenho meus limites. Nessa hora minha irmã me vem à mente, será que tenho mesmo limites? Acho que não por ela, eu faria qualquer coisa por ela.
─ Sei que está assustada, mas não se preocupe nunca lhe forcaria a nada que não quisesse, que não entendesse ou que não estivesse dentro dos seus limites. Nesse prédio funcionam muitas coisas, meu hotel, meu cassino e meu salão de jogos.
Quarto vermelho da dor! Quarto vermelho da dor! QUARTO VERMELHO DA DOR! – Grito em minha mente completamente histérica por dentro. Agora sei como a Anastásia se sentiu em cinquenta tons de cinza.
─ Você não está aqui necessariamente para me servir, você está aqui para me acompanhar. Com o tempo essas festinhas se tornaram menos interessantes, só as realizo ainda porque ver as pessoas saindo da mesmice, se libertando, rompendo com padrões idiotas e arcaicos sempre será excitante... E para fugir de convites que não me agradarem tenho você como desculpa. Estar acompanhado me desobriga a participar. Tenho minhas regras e nem mesmo eu, o anfitrião, posso desobedecê-las. Entrou no jogo tem que participar. Se me virem com você, acharão que estaremos participando de um joguinho particular.
Cada palavra dele é dita com cautela, de forma tranquila, gesticulando com as mãos um verdadeiro Lorde, como Fabi disse.
─ Você entendeu? – Ele pergunta me tirando de um devaneio.
─ Claro! Vamos andar de braços dados, devo sorrir e não vamos fazer sexo! – Digo tranquila e ele sorri.
─ Nunca descarto sexo com pessoas interessantes. – Meus olhos saltam. ─ Mas nunca lhe forcaria a nada, mas até o fim da noite você vai mudar de ideia.
─ Mas você disse...
─ Eu disse que não te obrigaria, nunca disse que não queria. Você é linda, tem seios que parecem ser uma delicia. Se eu fechar os olhos posso me imaginar com eles na boca e isso só faz meu pau se retorcer dentro da calça. Essas fendas do seu vestido me fazer querer invadir o meio das suas pernas e te chupar até você gozar gritando meu nome... Você é uma tentação querida, não se subestime. – Ele puxa a minha mão e dá outro beijo antes de entrelaçar nossos braços.
Caminhamos de braços dados até um restaurante privativo. Comemos e ele me falou como veio da Itália para Vegas. Contei do meu trabalho, confirmei o que ele pensava sobre eu ser nova nisso, e disse que tinha grande motivos para fazer o que estou fazendo. Secamos uma garrafa de champanhe e me sinto leve e rindo para qualquer coisa. Ele é um homem espirituoso e charmoso, não sei se foi a bebida, mas esse clima todo de “só vamos transar se você quiser” me deixou excitada.
─ Vamos está na hora! – Ele olha rápido no relógio e novamente entrelaça o braço no meu. ─ Fique calma e lembre-se que não é obrigada a fazer nada.
─ Certo, agora pare de me assustar e vamos logo! – As maravilhas do álcool.
Pegamos o elevador e Vincent digitou um código no painel do elevador que nos levou até o sexto andar.
─ Mantenha a mente aberta e não saia do meu lado! – Ele sussurra em meu ouvido e sinto meu corpo tremer.
Congelo na saída do elevador e engulo em seco. Não posso acreditar no que meus olhos estão vendo.
─ O que?? – Digo em um fio de voz.
Vincent me guia até o meio do salão e quanto mais ando mais meu coração dispara e já não sei mais para onde olhar. Estamos em um salão palaciano redondo banhado por uma leve luz vermelha. Os gemidos são ensurdecedores.
Nem sei para onde olhar. A minha direita um grupo de cinco ou seios homens, não sei ao certo, se divertem com uma única mulher. Ela está de quatro sendo penetrada pela frente, por trás, chupando dois homens, outros em seus seios... Oh Céus!
A minha esquerda tem outro grupo, dessa vez misto. Homens e mulheres se chupando, se penetrando, gemendo, se derramando coisas.
A minha frente um grupo de homens se diverte em uma espécie de trenzinho. Ao lado deles um casal em algo que lembra um balanço. Mais ao lado um trio em uma cadeira estranha que vibra... Grupos e mais grupos de pessoas transando de formas que nunca tinha visto, em posições que acho que devem doer e com coisas que nem sei dizer o que são. Merda, merda, merda!
─ Eu vou embora! - Vocifero irritada. Eu não vou ficar aqui essas pessoas são loucas.
─ Por quê? - Enquanto estou exacerbada e desesperada Vincent parece tranquilo nada o abala.
─ Essas pessoas - olho em volta com horror - O que eles estão fazendo...
─ Se chama sexo! - Ele me corta tranquilo.
─ Não, isso é... é... Loucura! - O ar começa a falhar em meu peito.
─ Isso é sexo querida!
Estamos parados no centro do grande salão redondo. Para onde eu olho pessoas estão transando, em grupos, sozinhas, em duplas, trios, às vezes parecem uma coisa só. Usam acessórios, fantasias, coisas que não sei o que é... Acho vou desmaiar.
─ Veja bem Cinthia...
Vincent usa um tom de voz tranquilo enquanto se posiciona atrás de mim com os braços ao meu redor. De forma estranha me sinto protegida de tudo que me cerca. A boca dele em meu ouvido, posso sentir sua respiração quente em meu pescoço.
─ O que você provavelmente entende ou conhece como sexo é só uma parte dele, a parte que a sociedade julga moralmente aceitável, mas o que é o sexo Cinthia?
Balanço a cabeça negativamente não consigo pensar, não sei o que dizer, tento me concentrar nele e esquecer onde estou.
─ Dois corpos tentando satisfazer os desejos um do outro, seria a mais simples, afinal sexo é satisfação, satisfazer prazeres e desenhos.
Meu coração dispara com a forma como ele diz tudo isso, suas palavras me envolvem e soam tão naturais, tão eróticas...
─ O problema é... – Ele faz uma pausa e beija meu pescoço rocando a barba em meu ombro me fazendo inspirar profundamente. Isso é golpe baixo. ─ O que nos satisfaz? Nós como seres humanos, criaturas imperfeitas nunca estamos satisfeitos. Sempre temos sede de alguma coisa. Sede de amor, sede de dinheiro, sede de poder... No fim tudo se resume a busca da satisfação, do grande orgasmo e nem precisa ser o sexual... Buscamos aquele ápice de felicidade, aquele ápice de prazer que nos faz morrer e voltar à vida em instantes.
─ Isso é... é loucura! – Não soei tão convincente quando gostaria já que minha voz sai quase como um gemido.
─ Sabe como os franceses chamam o orgasmo? - Nego com a cabeça. ─ La petite mort, a pequena morte. Não consigo descrever melhor... Não há como descrever a sensação exata de um orgasmo, porque nesse momento você literalmente não pensa...
As mãos de Vincent descem pelo meu corpo de forma lenta e possessiva seguindo minhas curvas, não deixando passar um detalhe... Minha pele de forma estranha reconhece aquele toque, meu coração dispara, sinto meu sangue ferver a um nível quase febril. Quero correr, quero pedir que ele pare, mas minha voz sumiu. Como naqueles pesadelos em que estamos conscientes, mas não conseguimos gritar.
─ Cada neurônio do nosso cérebro, cada músculo do nosso corpo, cada partícula, cada célula... Tudo se concentra no que está prestes a acontecer. De repente nosso corpo precisa daquilo, com a urgência que precisamos de ar.
As mãos dele encontram minha pele nas fendas do vestido. Ele me acaricia por cima da calcinha fazendo um gemido tímido escapar entre meus lábios.
─ Posso? - Ele está mesmo pedindo minha permissão? Oh céus! ─ As pessoas costumam julgar errado o que não entendem. O que não conhecem. Acham que tudo que foge dos padrões morais aceitáveis é condenável. O mundo nos chama de loucos, pervertidos, doentes, mas muitos dariam um braço ou uma perna para estarem aqui. Liberdade é o nome do fazemos, somos livres para explorar nossos desejos mais profundos, nossos desejos mais primitivos sem medo...
─ Eu, Ahhh! – Um gemido escapa sofrido quando ele começa a esfregar meu clitóris por cima do tecido fino da maldita calcinha. – Pode! – Acho que enlouqueci.
─ Não encare isso como um trabalho, eu sei que é não se preocupe, mas liberte-se Cinthia. Aproveite! Esqueça onde estamos. Esqueça os outros. Esqueça os gemidos, embora eles sejam excitantes.
Beijando minhas costas por cima do vestido ele desce e com ele minha calcinha. Saio da calcinha para não tropeçar, com meu grande equilíbrio é bem capaz que eu tropece nela e cair de cara em algum desses grupos.
─ Deixe-se levar... – Arqueio contra o corpo dele quando sinto seus dedos me penetram com suavidade... Meu corpo o recebe, o abraça. Estremeço.
─ Vincent! – O nome dele sai sofrido entre meus lábios. Minha respiração descontrolada, nem consigo abrir os olhos.
Enquanto uma das mãos deles se ocupa do meu ventre a outra sobe aos meus seios... Oh Merda! Isso é – Ahhh! – Gemidos e mais gemidos.
Arqueei me comprimindo contra ele quando sinto outro de seus dedos me penetrar...
─ Você está sentindo? – Nego com a cabeça já que não sei ao que ele se refere. – Seus músculos se contraindo. Eu posso sentir você se tencionando contra os meus dedos. Isso é bom não é?
─ Sim! – Minha voz quase inaudível ecoa e se mistura a tantas outras que estão ali.
Os dedos dele me penetrando, a palma de sua mão em meu clitóris causando um atrito delicioso que estava fazendo meu corpo tremer. Posso sentir o sangue correndo em minhas veias a toda velocidade, meu coração batendo tão forte que temo uma parada cardíaca, meus músculos se contraindo, gemidos saindo sem controle, meus pensamentos fora de ordem. Só sei que quero mais, preciso de mais.
─ Nessas horas você perde o controle... Seus gemidos é o seu corpo falando, implorando pela libertação. Pela pequena morte. Quanto mais próximo você fica, com mais força cada musculatura do seu corpo se contrai, você sente a dor? Ela é prazerosa, não é?
─ Vincent! – Meu corpo treme por completo... Espasmos que me tomam desde a raiz dos cabelos até o dedão do meu pé. Sinto uma vontade absurda de gritar, minhas pernas estão ficando bambas. A mão livre de Vincent me puxa para junto dele me mantendo um pouco mais firme, sinto a ereção dele comprimida em minhas costas, me esfrego contra ela, meus quadris ganham vida e acompanham os movimentos de Vincent que se tornaram intensos, entrando, saindo, entrando, saindo... ─ Ahhhh! Merda!
─ Bienvenue a la petite mort Cinthia! – Gritei como nunca antes na vida, sobrepondo todas aquelas pessoas ali. Os braços de Vincent me envolveram e me mantiveram firme contra o seu corpo. Não tenho forças para me manter em pé sozinha.
─ Me acompanha? – Ele me vira para encarar seu rosto o ar de vitória brilha em seus olhos.
─ Para onde? – Pergunto sem forças e sem ar.
─ Meu quarto. Quero foder com você de verdade e não vai ser na frente dessas pessoas. Hoje você é minha. Concorda?
Assinto com a cabeça e com um sorriso idiota nos lábios. Não sei o que me aguarda no quarto dele, mas se for tão bom quando esse simples ato acho que vou precisar de ajuda para andar amanhã de manhã.
─ Eu amo Las Vegas!
****
─ Vincent e eu estamos passando momento agradáveis juntos. Nossas noites são quentes e cheias de descobertas. Ontem ele me fez usar um balanço estranho onde minhas mãos e pernas ficavam presas e como em um balanço transamos até eu explodir em orgasmo, ou melhor, em orgasmos, ou pequenas mortes como ele gosta de chamar. No começo achei estranho, mas agora soa excitante.
─ Vacaaaaaa! – O grito de Fabi ecoa pelo aeroporto quase todo. Ela corre em minha direção e me abraça. – Senti saudades!
─ Percebi! – Respondo rindo e tentando ignorar os olhares ao nosso redor. Foda-se não conhecemos essas pessoas mesmo.
─ Então, você e Vincent?? – Ela me incentiva a falar e sem restrições conto tudo a ela que sorri as gargalhadas conforme vou avançando na história. Contei que quase fugi e que tive quatro orgasmos seguidos.
─ Um brinde a isso! – Ela pega uma taça de champanhe em um balde dentro da limusine. Cortesia de Vincent.
─ Advinha, ele me deu uma quantia bem generosa como bônus e acho que mais um ou dois meses e consigo a quantia necessária. Vou me livrar disso. – Comemoro e o olhar da minha amiga não é o que eu esperava.
─ A vaca da sua tia ou da Thaise não te explicaram como as coisas funcionam não é? – Ela larga o champanhe e me olha séria quando nego. ─ Elas são duas vadias. Dois demônios em terra. – Ela vocifera irritada.
─ O que elas não me explicaram? – Pergunto preocupada, meu sexto sentindo diz que estou fodida.
─ Você assinou um contrato de um ano Cinthia, não pode quebrá-lo. Sei que você tem uma meta a ser atingida e fico feliz de verdade que em quatro meses esteja bem perto, mas mesmo que Vincent tivesse te dado a quantia necessária você teria que cumprir o contrato caso contrário todo dinheiro que você ganhou será delas, uma espécie de multa.
─ O que? – Grito desesperada. ─ Eu não sabia, assinei um contrato e elas falaram um ano, mas obrigada a ficar? Multa? Caralho! – Afundo o rosto nas mãos em desespero.
─ Você assinou um contrato com o diabo Cinthia. Eu disse que elas não são boas pessoas. Elas se aproveitaram do seu desespero para ajudar sua irmã e te fizeram assinar sem ler. – Ela tenta me consolar.
─ Eu não pensei... Ela é minha tia, talvez conversando eu...
─ Sinto muito, conheço aquelas duas cobras e quando o assunto é dinheiro você é só mais um contrato, família não existe.
─ Vadias! – Vocifero irritada. Não acredito que fui tão burra assim.
─ Detesto dizer isso, mas não perco essa oportunidade... Eu te avisei!
─ Valeu! – Digo irritada. ─ Pelo menos se eu conseguir o dinheiro ajudo a Xena que é minha grande preocupação agora, esse contrato resolvo depois.
─ A gente dá um jeito... Podemos matar elas e enterrar no quintal, ele é grande, ninguém vai dar falta. – Ela brinca me fazendo rir.
─ Que bom que está aqui! – Ela me oferece outra taça de champanhe e no momento não vejo ideia melhor que não seja beber, beber e esquecer o quão fodida eu estou.
Fim....

O Calendário da Cinthia: ABRIL

ATENÇÃO: ESSE CONTO ESTÁ COMPLETO NO LINK https://www.wattpad.com/story/89486733-ilha-do-mel

Clube Lunáticas por Romances, 2016.

Presente para Cinthia Pires Gutierrez

Ilha do Mel, 08 de abril de 2016.

Estou sentada esperando o próximo barco para ir até a Ilha do Mel, situada na embocadura da Baia de Paranaguá, no Paraná. A ilha é um dos principais pontos turísticos do estado, destacam-se suas belas praias isoladas e limpas, sem contar a natureza bela e selvagem que a cerca. É minha primeira vez nesse paraíso, mas já ouvi falar muito da beleza e tranquilidade do lugar.
Por incrível que pareça, está um calor insuportável aqui. Ao invés de estar esfriando por estarmos perto do inverno, aqui no sul, o clima está fora do eixo, fazendo um calor estilo ao nordeste.
Viajei para Curitiba, e de lá, um motorista com um carro preto e luxuoso, me trouxe até Pontal do Sul, de onde saem os barcos para levar as pessoas até a ilha. Lá é completamente retirado, o único acesso é através das embarcações. Me disseram que a média de tempo para chegarmos ao destino final, é de apenas trinta minutos, o que me trouxe alívio, pois eu nunca andei nesse tipo de barco, e confesso que estou com um pouco de medo.
- Senhorita, o senhor Muller mandou uma lancha para melhor acomodá-la. Não precisará ir no barco com todas essas pessoas. – o motorista que me trouxe diz e eu olho ao redor e vejo muitas pessoas animadas com o passeio, ansiosos para chegar até a ilha.
- Obrigada. – agradeço, e assim que me viro, vejo um homem parando a grande lancha perto de nós.
Assim que entro, o homem me oferece uma taça de champanhe e coloca o veículo em movimento. É impossível não se sentir poderosa nesse momento. Apesar do motivo que me fez tornar acompanhante de luxo não seja bom, devo admitir que estou tendo boas experiências e conhecendo pessoas interessantes.
Enquanto a lancha desliza sobre a água limpa e fria do litoral sul e o vento toca a minha pele e bagunça o meu cabelo, aprecio a paisagem e vejo alguns golfinhos passarem perto de nós. Isso me arranca um sorriso, esse lugar é realmente o paraíso.
Com a lancha chegamos dez minutos na frente do barco. Assim que desembarco, o homem moreno e de sorriso simpático pega minha mala e me acompanha até a pousada que meu cliente me espera.
A areia é clara e limpa e tudo parece cena de cinema; a natureza ao redor da praia de Encantadas é espetacular. Caminhamos até chegar a uma pousada em frente ao mar, com lindas palmeiras a rodeando e com apenas o barulho dos pássaros cantando. É uma pousada mais retirada, e pelo que vi, a mais bela também.
- O senhor Muller já está lhe esperando. – o atendente da pousada diz assim que me vê. – Vou lhe acompanhar até o quarto.
Sigo o homem e fico maravilhada com o lugar. De repente, ele para em frente a uma porta de madeira escura e sorri.
- É aqui, senhorita.
Agradeço, e assim que ele sai, respiro fundo antes de bater à porta. É sempre assim, sinto-me ansiosa e nervosa a cada cliente que vou encontrar. Eu não sei o que esperar, cada encontro é uma adrenalina absurda. Mas dessa vez é diferente, sei bem como é Jorge Muller. Minha tia já passou uma ficha do sujeito e ao lembrar disso, sorrio. Jorge é gay, e costuma se aventurar em lugares reservados para que ninguém o flagre, já que a sociedade pensa que ele é um homem selvagem e pegador, pois é um alemão com quase dois metros de altura e com músculos que parecem ter sido esculpidos pelos deuses.
Fico rindo internamente e nem percebo quando a porta se abre e um louro maravilhoso quase cobre o tamanho da porta. Jorge é mais bonito que nas fotos que vi em revistas e jornais, uma pena que ele não goste da fruta.
- Olá, Cinthia! Que bom que chegou! – sorri e me dá dois beijinhos no rosto.
- Obrigada.
Assim que entro, Jorge pega minha bolsa e coloca em cima de uma poltrona grande e macia, e me serve de um pouco de champanhe rosa. O quarto é enorme e arejado, sem contar a decoração rústica e peculiar, um ambiente que deixa qualquer um confortavelmente relaxado.
Bem, você deve saber que é o meu plano de fuga. – diz e abre um sorriso travesso.
- Sim, eu sei. – beberico o liquido cor de rosa e também sorrio. – Fico feliz por ajudar a se divertir um pouco.
- Um pouco não, muito! – pisca maliciosamente.
- Desculpe perguntar, mas é melhor viver se escondendo ao invés de viver completo e feliz? – às vezes falo sem pensar mesmo, mas sinceridade é minha marca registrada.
- Um dia eu irei me revelar, Cinthia. Mas até lá, ficarei com as minhas aventuras secretas e excitantes. Você sabe, um homem como eu, seria apedrejado vivo praticamente, ao revelar a sua verdadeira opção sexual. Mesmo o mundo tendo mudado e que tudo seja tão moderno, as pessoas são cruéis, e eu quero evitar mais dor de cabeça. Eu já tenho problemas demais cuidando da empresa da família.
Balanço a cabeça concordando. Jorge tem razão, vivemos num mundo cheio de preconceitos sem sentidos.
- Bem, tudo que é escondido é mais gostoso. Não é o que dizem? – pergunto e ele me serve mais champanhe.
- Pode acreditar que sim. – sorrimos e continuamos nossa conversa animada.
***
Enquanto Jorge foi encontrar o seu bofe numa pousada do outro lado da ilha, aproveitei para dar um mergulho e pegar um sol. Adoro sentir o calor invadindo a minha pele molhada e me aquecendo, depois de um bom mergulho na água fria.
Jorge falou para eu ficar à vontade, comer e beber tudo o que quisesse e aproveitasse o momento. Também avisou que alguém viria me fazer companhia, o que me deixou sem reação. Jorge me faz sentir como se fôssemos amigos há muito tempo, adorei o seu jeito gentil e animado. Eu definitivamente adoro os gays, mesmo que ele não pareça nada com um.
Enquanto aproveito o fim de tarde, vejo um moreno espetacular caminhando e segurando uma prancha de surfe. Um surfista lindo, da cor do pecado e com os braços e peito tatuados. Tão sexy e selvagem, fazendo algo dentro de mim despertar.
Uau!
Ele parece um deus grego.
O homem caminha em minha direção e eu prendo o ar. Será que o encarei demais e agora ele veio querer saber o motivo?
Ele finca a prancha na areia e se senta ao meu lado, com um sorriso tentador no rosto. Dentes perfeitamente brancos e alinhados. Lábios carnudos e levemente vermelhos.
- Oi, eu sou o Gustavo, mas pode me chamar de Guto. Você deve ser a Cinthia, né? – sua pergunta me pega de surpresa. Como ele sabe o meu nome?
- É, sou eu. – respondo e ele percebe a minha surpresa.
- Desculpe, não pense que sou um psicopata, sou apenas amigo do Alemão.
Alemão... Ah, sim. Ele deve estar falando do Jorge. Será que ele é a companhia surpresa que Jorge mandou? E se ele também for gay? Se for, me deixará profundamente chateada, já que estou excitada por apenas trocar meia dúzia de palavras com ele.
- Eu não sou gay. – diz, arrancando-me de meus pensamentos.
- Oi? – pergunto, confusa e também envergonhada. Parece que ele leu a minha mente.
- Eu disse que não sou gay,
- Mas eu não falei nada...
- Mas pensou. – sua afirmação faz meu rosto queimar.
- Desculpe, eu não queria passar essa impressão e... – ele coloca o dedo indicador sobre a minha boca.
- Podemos ir beber alguma coisa, então eu vejo se te desculpo ou não. – sorrimos um para o outro e ficamos em pé.
- Eu só vou deixar minhas coisas na pousada e colocar um vestido, você me espera? – pergunto e ele concorda.
- Claro.
Gustavo fica deitado em uma das redes ao lado da piscina, enquanto eu tomo um banho rápido para tirar o sal da água. Apenas coloco um vestido curto, passo perfume e deixo meus cabelos molhados. Assim que saio do quarto, ele sorri e assovia para mim.
- Uau! Você está linda! – pega em minha mão e começamos uma caminhada pelo lugar.
Gustavo deixou sua prancha na pousada e me convidou para ir a um barzinho que fica no meio da floresta fechada da ilha. Me senti aventureira e excitada, assim que iniciamos uma trilha fechada, iluminada apenas com a luz da lua e com os celulares de algumas pessoas que passam por nós.
- Isso é incrível! – exclamo e escuto sua risada.
- Você ainda verá o que é realmente incrível. – diz e eu sinto uma promessa em suas palavras.
Chegamos até o famoso barzinho, com pouca iluminação e com som ambiente sensual. Vários casais bebem e trocam beijos e carícias sutis, ver tudo isso acende um fogo dentro de mim. Estou com um completo desconhecido, que se diz ser amigo do meu cliente que é gay e que vai me pagar apenas para pensarem que está saindo com uma mulher. Parece uma completa loucura, mas estou completamente louca para sabe até onde isso dará.
- Não pense muito, apenas viva o momento. – diz, assim que escolhemos uma mesa retirada. Quando sentamos, sua mão desliza pela minha coxa, fazendo-me arrepiar.
O garçom anota nosso pedido e assim que sai, a mão de Gustavo continua subir pela coxa até encontrar a minha abertura. É impossível não se animar, assim que ele percebe que estou sem calcinha. Seus olhos se iluminam mais que a lua.
- Estou sem sutiã também. – digo, me sentindo a mulher mais poderosa dessa ilha. Se Jorge quis me fazer um agrado, vou aproveitar o presente e me entregar ao desejo e luxúria. Afinal, estou numa ilha no meio do nada, com pessoas que nunca vi na vida, então irei usufruir de tudo e mais um pouco.
Nossas bebidas chegam e mal terminamos de bebe-las, e Gustavo me arrasta para fora do bar, levando-me para uma outra trilha, ainda mais escura. Meu coração quase sai pela boca e minha respiração falha. Essa com certeza é a maior loucura que já fiz com um desconhecido em toda a minha vida.
Gustavo me prensa contra uma grande árvore e me dá um beijo devastador. Deixa meus lábios e língua doloridos, uma dor de prazer e desejo. Suas mãos grandes e fortes deslizam para dentro do vestido e agarram a minha bunda, puxando-me e levantando-me, até que minhas pernas abracem a sua cintura bem definida.
Estou agarrada em seu pescoço e curtindo outro beijo selvagem, enquanto a minha entrada lateja e sente o seu membro ficar rígido e volumoso sob a sua cintura. O tecido do seu calção roça em minha entrada, deixando-me ainda mais molhada e necessitada.
Ele abaixa uma das mãos e leva seus dedos até meu clitóris. Ele brinca comigo, soca um, dois, três dedos dentro de mim e arranca gritos de prazer de minha boca.
- Você está tão molhada, tão excitada... Meu pau também está louco para te foder, morena. – suas palavras me arrancam mais suspiros de prazer.
- Então vai, me fode e me marque para sempre. – digo e perco o resto de controle que eu tinha.
Gustavo coloca agilmente a camisinha e me deixando enlaçada em sua cintura, entra forte e duro em mim, implacável. A cada estocada sinto o meu ventre se contrair e eu me contorço sobre o seu pau, que está duro como pedra. Eu já tive muitas aventuras sexuais, principalmente nesses últimos meses, mas nenhuma foi tão sexy e selvagem assim. Estou presa entre uma árvore e um surfista moreno e gostoso, enrolada em sua cintura e tendo uma transa como de dois animais selvagens. É surreal.
Ele abaixa as alças do meu vestido e leva sua boca sedenta até os meus seios e me faz gemer de prazer. Ele lambe, chupa e morde, a agonia começa a tomar conta de mim. Estamos suados e ansiando pelo êxtase total, eu quero mais forte, mais fundo, mais duro.
- Eu quero mais, mais forte vai... – sussurro e ele morde um dos meus mamilos com mais força e aumenta o ritmo das estocadas. Depois morde um dos meus ombros, como um felino faz.
Não demora muito. Minhas pernas amolecem e uma explosão violenta atinge o meu clitóris. Agarro o seu cabelo e puxo a sua boca até a minha, e enquanto nos beijamos, sinto-o tremer dentro de mim. Ele também gozou.
Após recuperarmos o fôlego, Gustavo me acompanha até a pousada e pega sua prancha. Jorge ainda não chegou, provavelmente passará toda a noite com o boy magia.
Guto beija os meus lábios com carinho e sorri assim que nos afastamos.
Saiba que você me marcou também. – sorrio e ele passa a mão em meu rosto. – Até um dia, morena.
Sinto o seu toque e fecho os olhos. Assim que os abro, vejo-o caminhar e sumir ao longe. Uma sensação de perda me atinge. Até quando minha vida será assim? Perder aqueles, que na verdade, nunca os tive.

O Calendário da Cinthia: MARÇO

Clube Lunáticas por Romances, 2016.

O corpo cansado despertava ao som de uma voz rouca, que ecoava por todo o avião, anunciando que em alguns minutos pousariam em Ribeirão Preto.
Cinthia havia adormecido logo após o avião decolar, todas essas viagens estavam desgastando-a, porém ela admitia; estava indo muito além do estimado em seu progresso para conseguir o dinheiro que salvaria a vida de sua irmã. Havia ainda um longo caminho a percorrer, mas tudo era válido, desde que Xena ficasse a salvo.
Assim que desembarcou, seu celular começou a vibrar e rapidamente Cinthia cavou em sua bolsa a procura do aparelho.
Ela franziu o cenho ao ver um pequeno envelope piscar na tela, era um SMS.
Que pessoa hoje em dia não possui uma porra de WhatSapp? — pensou, clicando sobre o ícone de mensagem.

De: Anônimo.
Às: 9:45 am.

*Siga pela saída Sul. É uma saída privilegiada, você não terá problemas, uma vez que mostre um documento de identificação. Um motorista estará a sua espera.*

Cinthia ficou estática no lugar, relendo e absorvendo a mensagem.
Saída privilegiada? Que diabos!
Após pegar sua pequena bagagem, seguiu na direção indicada pelas placas até deparar-se com um pequeno guichê. Atrás havia uma senhora, cabelos grisalhos, pele flácida e enrrugada e um ridículo batom vermelho puta nos lábios. Cinthia sentiu vontade de rir, ainda mais quando se aproximou e a mulher lhe sorriu, revelando seus dentes amarelados e borrados com o batom. Seu crachá indicava seu nome, Angelina. Porém, mesmo beirando aos cem anos e com a mínima noção do ridículo, Angelina tinha uma posição e um emprego, enquanto Cinthia apenas tinha que se sujeitar a ir encontrar um desconhecido por dinheiro a fim de salvar a bunda de sua irmã.
A vontade de rir passou, Angelina e seu batom borrado estavam num patamar melhor.
— Bom dia, em que posso ajudá-la? — inquiriu a senhora com uma voz mal humorada.
— Bom dia — respondeu, pescando seu RG na bolsa. — Aqui. — Entregou o documento, que Angelina pegou revelando suas enormes unhas na cor rosa pink. — Fui instruída a passar por essa saída.
Angelina digitou alguma coisa em seu computador e franziu suas sobrancelhas peludas.
Cristo! A mulher era abominável!
— Você não me parece como uma celebridade — disse Angelina ainda mantendo sua atenção no computador.
Então, aquela era à saída de celebridades?
Legal!
— Oh, e nem você! — rebateu Cinthia ofendida. Dane-se a idade da velha. Que abusada! — Qual é, meu nome está no seu computador ou não?
— Querida, com a minha idade tudo é um pouco mais lento, mantenha a calma, sim? — Angelina fez um bico espalhafatoso com todo o seu batom e entregou o documento a Cinthia. — Está liberada, siga o corredor a esquerda.
— Obrigada — agradeceu com tom irônico, guardando o RG em sua bolsa.
Com passos temerosos ela seguiu o longo corredor até finalmente poder ver a luz do dia. O sol já irradiava seus raios extremamente quentes.
Logo Cinthia pôde observar uma enorme limusine, onde havia um homem parado ao lado da fora, ostentando um terno bem alinhado em seu corpo, ele mantinha os braços em linha reta ao lado do corpo.
Show! Tipo o filme O Guarda Costas. — pensou ela, sentindo-se extremamente importante. Seu ego inflou, e os seus passos temerosos tornaram-se confiantes. Ela rebolava o quadril e jogava os cabelos.
Foda-se, ela era uma celebridade, porra!
— Senhorita Gutierrez... — o homem saudou, abrindo a porta do passageiro com uma mão, para que Cinthia pudesse entrar e com a outra retirando seu quepe.
Cinthia sorriu amplamente ao entrar na luxuosa limusine. Não se preocupou em saber o nome do motorista, ele era coadjuvante ali.
Duas horas de percurso, saboreando um bom champanhe e absorvendo as paisagens dos municípios de Sertãozinho e Bebedouro, ela chegou em Barretos.
A limusine sai da estrada principal e pega uma pequena estrada de barro em poucos minutos estacionando em frente a um enorme portão de ferro.
O motorista ajudou Cinthia a descer, enquanto embasbacada, ela observava o tamanho da propriedade.
Agora sim compreendia a limusine, saída de celebridade e todo o luxo oferecido a ela.
O portão foi aberto, como um passe de mágica. Não havia ninguém ali, sequer uma guarita onde poderia constar um porteiro ou qualquer coisa do tipo.
Ela sentiu o coração bater mais ritmado, sentia-se ser observada e não era pelo motorista.
— Tenho ordens para deixá-la aqui, senhorita. Boa sorte — disse o motorista, depositando as malas ao lado dela.
Cinthia assentiu sem desviar seu olhar da enorme mansão rústica a sua frente, porém, algo chamou sua atenção. Ao longe caminhava em sua direção um homem com um andar imponente, um chapéu de cowboy na cabeça, jeans apertado sobre as cochas bem malhadas, camisa xadrez abraçando seus músculos e um cinto de couro com uma enorme fivela.
Ela era observadora, e os quatro primeiros botões da camisa estavam abertos, revelando um peito másculo e muito delicioso, por sinal.
Cinthia sentiu as pernas bambearem, o corpo todo tremia. Um frio lhe percorreu do dedinho do pé até sua nuca.
Puta que pariu! — gemeu em pensamento. Ele era um pedaço de mau caminho. Não era obrigada a ter relações, mas por aquele homem ela rasgaria as suas próprias calcinhas ali mesmo.
Com um sorriso brilhante de dentes perfeitamente brancos e bem alinhados, Romero se aproximou dela, que ainda estava estancada no lugar, e lhe beijou a face.
— Espero que tenha feito uma boa viagem — sibilou.
Ela teve que reprimir um gemido ao sentir o perfume delicioso de fragrância amadeirada que emanava daquele homem.
— Sim, eu fiz — respondeu no modo automático.
Romero pegou as malas de Cinthia e a chamou com um maneio de cabeça. Rápida e um pouco estabanada ela o seguiu.
Os olhos percorriam o enorme jardim... Tinha até mesmo uma fonte!
Assim que entrou no hall, Romero deixou as malas de Cinthia no chão, um empregado já estava posto para levá-las para o quarto.
— Sinta-se em casa — disse ele atrás da jovem.
Cinthia admirava o local, grande, luxuoso e muito bem decorado. Viveria ali... Merda, ela se casaria com aquele homem só para desfrutar de tudo o que seus olhos podiam ver.
— Meu nome é Romero, desculpe-me se te assustei com a mensagem mais cedo, porém era preciso. Eu tenho que manter certa discrição sobre isso — disse ele, referindo-se ao motivo de Cinthia estar ali.
Discrição? Ok, ela também precisava ser discreta. Ser intitulada como uma acompanhante de luxo fodida que estava na merda para salvar a bunda de sua irmã não seria muito legal.
— Eu não sei qual foi o combinado, mas está ótimo. — Cinthia sorriu.
Romero a analisava de cima abaixo. Ela era bonita, como SCarolina havia dito, dava muito bem para enganar os seus familiares. Ele apenas tinha que demonstrar afeto em público e trocar algumas carícias.
O pensamento fez o estômago de Romero revirar.
— Pode ir descansar, Carlos irá levá-la até o seu quarto para que se instale e depois iremos almoçar, precisamos combinar algumas coisas.
— Combinar? Tipo o que? Achei que tudo fosse combinado com O Lunáticas.
Romero levou o indicador até o queixo de Cinthia e esboçou um mínimo sorriso. O toque quente em sua pele a fez tremer.
— Querida, há coisas que não podemos dizer. Eu contratei seus serviços, eu a tenho ao meu dispor, posso fazer com você o que quiser, então iremos combinar. Há algumas coisas as quais você precisa saber antes, ou nada disso valerá à pena, ao menos para mim, pois já depositei metade do combinado.
— Você não é nenhum mafioso, não é? Porque olha, eu estou nessa situação por forças maiores, mas se for me envolver em qualquer furada eu caio fora agora mesmo! — disse Cinthia um pouco assustada. Não era política do clube, mas um homem rico e enigmático que morava no meio de um nada, ou era um mafioso, ou um traficante de drogas, talvez até mesmo um dominador? Se bem que ele não se vestiria como um cowboy... Ou talvez sim... Dane-se, ele era lindo, gostoso, rico, mas muito, muito estranho.
Romero deu um passo para trás e indicou o local o qual Carlos a aguardava com as malas.
— Sedenta por informações, mas fique tranquila. Não irei cortá-la em pedacinhos e jogá-la em um rio. Agora vá — ordenou. — Temos pouco tempo para que possamos planejar tudo.
Ela assentiu e seguiu Carlos, subindo as escadas, cavando o celular em sua bolsa e digitando uma mensagem para sua tia SCarolina e Thayse em um grupo do Lunáticas.

Ele é estranho. Se por acaso eu não aparecer, paguem a porra da dívida e salvem Xena. Ficará como meu seguro de vida! Vocês me pagam. Suas vacas!

Ela não obteve resposta, apenas viu no aplicativo que a mensagem havia sido lida.
Já acomodada e um pouco descansada, Cinthia desceu para o almoço quando Carlos anunciou em seu quarto.
As pessoas haviam perdido o senso de comunicação, pois a ostentação ali era tão demasiado que o quarto tinha um interfone, como se fosse um motel para solicitar serviço de quarto. Era prático para uma mansão como aquela, porém muito bizarro.
Assim que entrou na sala de jantar, Romero já estava sentado em uma ponta da enorme mesa. Um banquete estava servido.
Cinthia sentou na outra extremidade.
Uau! Ele estava sem o chapéu, revelando cabelos escuros e lisos, que iam até a suas orelhas. Os olhos eram de um azul mar, que a fitavam com interesse.
— Cinthia, serei breve — pronunciou ele assim que ela se acomodou. — Tenho uma festa hoje a noite, porém preciso apresentar uma namorada a minha família, questões de negócios, como não tenho uma namorada — enfatizou a última palavra —, eu precisei usufruir dos serviços do Lunáticas.
Cinthia ouvia atentamente, poderia enfim respirar aliviada, talvez ele não fosse mesmo um mafioso e ela poderia desfrutar daquele belo homem. Porque aquele sim não haveria restrições.
— E o que de tão grave tem que ser combinado, meu bem? Fazer uma cena de casal apaixonado é muito óbvia e fácil, não acha?
Para ela poderia ser fácil, mas para Romero a conversa era totalmente diferente.
— Há alguns limites e quero que os respeite — ditou um pouco frio. Cinthia engoliu em seco com o seu tom de voz. — Beijos apenas singelos e nada de língua. Absolutamente fora de cogitação. Carícias do tronco para cima e, por favor, mantenha sua mão na minha, isso será o suficiente, sussurros e conversinhas ao pé do ouvido é o mais tolerável. Além de parecer amorosa e louca de amor por mim, isso basta para minha família.
O que? Ele era louco? Que porra de homem é esse? Tipo o cara com “toque”? Ou...
Cinthia levou a mão à boca quando o entendimento passou diante dos seus olhos.
Caralho, o cara era gay! E ela estava desejando que ele entrasse em suas calcinhas. Mas como? Ele não tinha sequer uma voz afetada, nenhum trejeito afeminado, nada o entregava.
Puta que pariu! Ele deveria ser o ativo. Macho alfa, mas que gosta de foder com outros machos alfas.
Ela gemeu internamente, que desperdício. Porém interessante. Ele tinha um ar de mistério.
Romero percebeu que ela havia entendido.
— Mas por que o fingimento? Pelo o que vi, você é bem sucedido. Qual a verdade por trás dos fatos que sua família não pode saber da sua homossexualidade?
Ele bebericou sua bebida e voltou a atenção para Cinthia.
— Sou de uma família tradicional, “cabras machos” é motivo de orgulho, venho de uma tradição de homens que lidam com gado, boiadeiros... Minha família tem um império aqui. Metade da cidade nos pertence, isso seria uma vergonha e o meu fim como cowboy. Jamais poderia montar novamente com tamanha revelação sem virar motivo de chacota ou discriminação. É complicado, porém minha família já me vem questionando algum tempo. Querem netos e essas coisas todas, porém eu não quero perder meu título! — A voz de Romero havia adquirido um tom mais baixo e Cinthia diria até mesmo que amigável.
Ela mordeu o lábio, estava pensativa.
— Eu compreendo, porém não aprovo essa sua decisão. Está mais como uma missão de auto-ajuda, contudo eu admito ser bem fácil. Esperava uma bonificação, mas acho que valerá a diversão. Ok, cowboy. Vamos impressionar a sua família. — Ela bateu palmas e piscou para ele.
Romero levantou seu copo e sorriu para Cinthia.
Os dois almoçaram e puderam conhecer-se um pouco mais. Romero tinha um namorado que era o seu oposto, afetado, afeminado e ele o amava. No entanto era complicado manter as aparências uma vez que sua própria família questionava a sua aproximação com o rapaz.
Cinthia o instruiu a se assumir para a família, o mundo está bem mais moderno, mas Romero bateu o pé, era impossível para ele com sua família tão tradicional.
Logo após ela subiu para seu quarto a fim de se arrumar, mas em um rompante a porta do seu quarto foi aberta e por ela entrou um homem com um rebolar de dar inveja a qualquer top model. Seu cabelo bem penteado e brilhoso parecia de boneca.
— Ei fofa! — cumprimentou ele com uma voz fina e estridente.
Cinthia o questionava com o olhar.
Mas que porra de bicha louca!
— Você seria? — inquiriu, estava cavando sua mala a procura de algo para a tal festa, ou reunião, ou a merda que fosse com a família de Romero.
— Beto, meu bem, Namorado, dono e único homem na vida do meu Mero, Mero. Prazer. — Ele agarrou os ombros de Cinthia e beijou suas bochechas.
Mero, Mero? Ela teve que segurar a gargalhada.
O que Romero não tinha, sobrava muito em Beto.
— Vamos ver o que você tem aqui. — Beto levantou seu óculos escuro e começou a vasculhar a mala de Cinthia. — Que porcaria, querida. Fez compras desses trapinhos aonde? Andou pela 25 de Março em São Paulo não foi? Acredite, eu já morei lá, trabalhei no Brás e aquela feirinha é enganação. Venha, vamos vesti-la como uma verdadeira cowgirl — disse tudo em um único fôlego, puxando-a pela mão e levando-a até outro quarto.
— Ei, devagar, cacete! — grunhiu ela ao tropeçar. Beto era espirituoso e ela já havia gostado da bicha porra louca, porém ele precisava controlar a sua impulsividade em arrastar as pessoas.
— Desculpe-me meu bem. Mas jamais iria te jogar ao leões daquela família, sem vesti-la a caráter. Não posso jogar o meu TUDO em uma armadilha. Eu morreria enforcado em um pé de couve se ele não pudesse montar novamente. O que seria um desperdício, pois ver aquela bunda durinha sentar é uma realização e...
— Cale a boca! — gritou Cinthia.
Beto abriu a boca em um “O” perfeito, completamente descrente com a atitude da moça, seus olhos estavam hostis.
— Abafa esse grito, vaca. Controle-se eu deixarei você ir com aqueles seus trapinhos de quinta e ser um poodlle indefeso enquanto os leões te jogam de um lado para o outro.
Cinthia mordeu o canto da boca para não bater na face da bicha matraca. Ela não tinha trapos. Suas roupas eram apenas normais.
— Não humilhe minhas roupas, somente porque você está vestido de grife dos pés a cabeça.
Beto revirou os olhos.
— Não, meu bem. Suas roupas se humilham sozinhas. Venha, está quase na hora, vamos por seu traseiro dentro de uma mini saia jeans, botas e uma regatinha e um colete, claro, com estilo. Vá se trocar, está tudo naquele closet, eu vou buscar um chapéu de arraso e um cinto. E por favor, use uma calcinha, a última garota estava com tudo de fora e nossa, — fez uma careta — ela definitivamente não sabia o que era depilação — disse e saiu do quarto.
Então Romero já havia contratado mais de uma namorada. Pobre homem, estava fodido internamente.
Ela se vestiu e olhou seu reflexo no enorme espelho. Estava muito sexy, a saia cobria exatamente sua bunda, nem um maldito centímetro a mais, mas seu rosto ainda estava pálido.
— Voltei fofinha e puxa! Nossa senhora da perna longa, se eu fosse homem eu te devoraria inteirinha com mel. Você está um arraso — gritou Beto com euforia. — Aqui, coloque esse chapéu e passe o cinto em sua saia e ficará perfeita. Vamos para a maquiagem, porque você está com a cara do Gasper, aquela bolha que as pessoas chamam de fantasma camarada. — Revirou os olhos e bateu no banquinho em frente a penteadeira, indicando onde ela deveria se sentar.
Essa definitivamente era a experiência mais engraçada que Cinthia estava vivendo. Sua libido tinha ido por água abaixo com relação a Romero, então iria aproveitar toda aquela bizarrice.
Após a maquiagem Cinthia estava irreconhecível, ela olhava-se por todos os ângulos, girando seu corpo na frente do espelho.
Beto mantinha a mão na cintura e com a outra ele batucava em seu queixo no mesmo ritmo que seu pé batia no chão.
— Minha filha, com esse traseiro, ninguém irá olhar para a sua cara. Pare de rodopiar, está me deixando com náuseas. Eu já disse que se fosse homem a comeria com mel?
— Beto, dá uma segurada, sim? — Cinthia fechou sua mão em punho e mostrou a ele. — Eu amei essas botas, eu as quero para mim. Posso levar o look?
— Queridinha, após ver aqueles trapos em sua mala, direi ao Mero Mero que te dê todo o closet, você é uma pessoa necessitada. — Brincou Beto e a abraçou. — Você está um arraso, minha faculdade de moda valeu a pena. Venha, vá salvar a bunda do meu Mero Mero e... Oh! — gemeu alto fazendo Cinthia pular, ela precisava se acostumar com os gritos. — Faltou o gloss. Como eu me esqueci do gloss. Aqui — puxou o objeto de sua maleta —, faça beicinho queridinha. — Cinthia obedeceu. — Perfeita, mas não deixe esse gloss em Mero Mero. Acredite, eu irei saber se abusou do templo de sedução.
Cinthia não aguentou e soltou uma gargalhada contagiante.
Templo de sedução?
Ela ficou imaginando como seria Romero e Beto juntos, um tão comedido e o outro... Bem, o outro é o Beto.
— Por que ele quer tanto se esconder? Ele poderia montar em outro lugar, sei lá, se as coisas ficarem difíceis...
Beto negava insistentemente com a cabeça enquanto Cinthia falava.
— Barretos é o seu lugar. Apenas nos ajude e iremos levando até o dia que ele ficará satisfeito em apenas assistir a um rodeio sem participar, quem sabe não assumimos?
— Faz quantos anos? — Ela quis saber.
— Sete, mas chega de papinho de vizinhas. Você está quente, vá arrasar. E depois de toda essa coisa chata de família, Mero Mero e eu iremos levá-la a uma festa de verdade. — Piscou e lambeu o dedo para em seguida empinar a bunda e tocar o local. — Lá sim será quente. Mantenha as suas unhas longe do meu templo, queridinha.
Cinthia saiu do quarto sorrindo, por mais entusiasmo que Beto tenha, seus olhos carregavam certa tristeza. Era tão irreal acreditar que em pleno século XXI ainda existe tamanha discriminação ao ponto de das pessoas não poderem viver seus sonhos devido ao que a sociedade julga correto ou não. Opção sexual não muda o caráter de uma pessoa. Isso é algo pessoal, mas a sociedade o torna público. Triste.
— Uau — sibilou Romero quando Cinthia apareceu no Hall. Ele estava um cowboy alinhado e impecável.
— Digo o mesmo a você, Mero Mero. — Brincou e Romero sorriu. — Vamos arrasar com sua família, baby.

(***)

De volta do evento em família de Romero, Cinthia havia cumprido seu papel, mas estava estressada e sentiu vontade de dar uns bons socos em cada membro daquela família.
Pessoas arrogantes com dinheiro e narizes em pé. Um bando de hipócritas, pois ela bem viu o cunhado de Romero enfiando a mão sob a saia de sua prima.
Uma família que pregava mandamentos, mas que não poderia aceitar um amor verdadeiro, mas sim viverem em pecado de traição? Ela sentiu vontade de vomitar.
— Você não pode viver nessa farsa, o que fará quando eu me for?
— Que terminamos, isso me dará um tempo de falso sofrimento até que comecem os questionamentos novamente.
— Isso é ridículo!
— Sim, é. Mas eu decidi assim. Agora se quiser vir a uma festa de verdade, vamos apenas ignorar essas três horas irritantes, ok?
— Eu preciso de uma Skol Beats! Aqui tem Skol Beats? Uma festa só é festa se ela tem a minha bebida.
— Cinthia, fique tranquila, a festa irá começar agora.
Romero estava dirigindo seu Mercedes, mas ao chegar em sua propriedade ele deu a volta por uma estradinha que Cinthia não notou quando chegou pela manhã. Ele estacionou em frente a um enorme galpão, havia um segurança na porta.
Interessante, somente pessoas autorizadas.
Cinthia estava começando a gostar.
Eles passaram sem problema algum pelo segurança que cumprimentou Romero e assim que ela colocou o primeiro pé dentro do galpão pôde ouvir o som.

“Senta!
Eu sei que senta!
Ele senta, eu sei que senta!
Ele senta, eu sei que senta!
Ele senta, eu sei que senta!
Senta no cavalo
Só pra levantar o rabo...”

Seus olhos olhavam para diversos cowboys, uns bebendo, outros dançando, uns vestidos como Romero, alinhado em sua roupa e outros como Beto...
— Caralho! — ela gritou, olhando para Romero. — Essa música... Porra, vamos a festa, cowboy viado. — Cinthia agarrou a mão de Romero o arrastando para dentro.
Beto viu seu namorado de longe e correu para livrá-lo de Cinthia. Abraçando-o e o beijando livremente.
— Ei, vocês dois. Procurem a porra de um quarto e me levem até a cerveja. — Brincou batendo no braço de Romero.
— No toque. Você teve de Mero Mero muito mais do que eu essa noite — grunhiu Beto.
— Ah, foda-se você e o Mero Mero, eu quero dançar. Me tragam cerveja — Cinthia gritou tentando acompanhar a coreografia.
Romero foi para o bar e Beto ficou com ela. A festa era homossexual, mas havia ela era a única hétero. Como ela sabia? Beto contou tudo. O fundador do clube, era Romero. Havia contrato de sigilo dentre muitas coisas as quais ele exigiu.
Era uma forma dele e Beto se encontrarem sem censura. Que ambos pudessem ter um divertimento. O galpão era propriedade de Romero e todo o seu ar arrogante, ele havia adquirido a fim de manter sua família longe.
— Levanta essa bunda sexy, aqui ninguém gosta de ver calcinha — disse Beto, mostrando a coreografia da música.
Cinthia gargalhava quando Romero trouxe um copo de cerveja. Ela sentiu o líquido escorregar pela sua garganta refrescando-a. A música não poderia ser mais sugestiva, Cowboy Viado. Era quando todos ali presentes se revelavam e dançavam mais, talvez fosse um marco para eles.
Depois de alguns copos de cerveja e outras bebidas mais que Cinthia sequer sabia quais eram, ela já estava rodopiando a sua blusa, rebolando sobre a mesa e dançando Cowboy Viado sem errar nenhum passo.
— Arrasa sua vaca! Pena que ninguém sente tesão em seus peitos — Beto gritou, jogou um líquido no corpo de Cinthia.
— É essa a graça, me liberar. TOCA O COWBOY VIADO AI CARALHO! — ela gritava.
Beto tirou a camisa, colocava no meio das pernas e dançava em vai e vem, logo Romero estava sem camisa também sendo seguido por todo o salão.
Se em todos os meses a diversão fosse garantida, Cinthia conseguiria rapidamente o dinheiro. Estava bom até Março, mas ainda faltavam longos 9 meses. Praticamente uma gestação. Ela riu com o pensamento e cuspiu a cerveja de sua boca em um dos homens que apenas soltou um palavrão, que ela respondeu mostrando o dedo do meio.
— Trenzinho!!! — gritou um homem e logo todos estavam um atrás do outro dançando, se apalpando e brincando.
Era uma experiência interessante, uma diversão que ela não poderia imaginar que teria. Estava precisando depois de dois meses com árduas aventuras, às vezes é muito bom somente relaxar e Cinthia estava tendo isso, ela não sabia que precisava até aquele momento. Toda a tensão de Xena em seus ombros era esmagador. Mas algo a incomodava, o olhar tristonho nos olhos azuis de Romero.
Ele não passava de um homem poderoso, mas em seu interior infeliz.
Seria tão fácil se as pessoas vissem o mesmo amor que ela via ali dentro daquele galpão. Um se preocupando com outro, independente da sua cor, raça, sexualidade ou religião. Todos são seres humanos e suas opções e escolhas devem ser respeitadas. Ela não fora discriminada por ser hétero sexual. Ao contrário, eles a acolheram como ser humano.
Gargalhava incontrolavelmente quando a sua primeira impressão de Romero fora de um homem destruidor de calcinhas. Era essa a impressão que ele queria manter nas pessoas, mas valeria à pena a infelicidade?
A festa havia chegado ao seu fim, Romero, Beto e Cinthia voltaram para a mansão. Foi explicado a ela que Carlos sabia, porém também estava sob um contrato de sigilo.
Cinthia estava exausta, tomou um banho e vestiu uma das camisolas de seda do closet o qual Beto a levou antes.
Ela desceu e os encontrou na cozinha, onde se juntou e iniciaram um pequeno bate papo. Ela teria um mês ali, um mês para tentar fazer do coração de Romero e Beto menos infelizes, pois o rodeio era a vida de Romero, e Romero a vida de Beto. Um não podia viver sem outro. Era um amor lindo de ser observado, com a ternura e devoção de um para com o outro.
— Tome, isso é para você. — Beto estendeu a mão entregando um IPod a ela. Cinthia sorriu amplamente e nítida era a sua felicidade. Ela colocou os fones de ouvido e começou a rir imediatamente quando a música começou a tocar.

"Iaê Cowboy Viado!
Senta!
Eu sei que senta!
Ele senta, eu sei que senta!
Ele senta, eu sei que senta!
Ele senta, eu sei que senta!
Senta no cavalo
Só prá levantar o rabo...”

— Como sabiam? Quando compraram? — perguntou em meio a risada.
— Não sabíamos e não compramos. Era meu, agora é seu e treine esse seu rabo para sentar na próxima festa. Beto estava arrasando e você é muito desengonçada. Honre a nossa música e dance-a direito. Você tem 30 dias a partir de hoje para uma avaliação — orientou Romero. Ele estava descontraído e relaxado. Era bom conhecer esse seu lado. O verdadeiro.
Cinthia assentiu e tirou o fone de ouvido.
— Será um longo mês de sentadas no cavalo, mas eu aceito o desafio. — Piscou. — Farei o meu melhor para ser uma namorada convincente e espero que um dia, esse amor seja revelado ao mundo. Gostei do que vi hoje. — Ela acenou e saiu, indo direto para o seu quarto.
Deitou na cama e pegou seu celular.
Não podia abraçar o mundo, ou Xena já estaria a salvo.
Cinthia suspirou pesadamente, Romero era de opinião o medo do preconceito falava mais forte, Cinthia não podia ajudá-lo nessa questão.
Ela começou a digitar...

Suas vacas, você sequer me respondem, mas eu vou falar mesmo assim.
1 dia já foi, tenho mais 30 de pura diversão. Dessa vez deu a boa para mim. Me engulam! MUAHAHAHAHAHAHA.
Beijos e beijos...

Nota da autora: O mundo só será bom, quando a humanidade aprender a amar uns aos outros, com suas imperfeições, escolhas, opiniões e deixar de impor o que nunca cabe a elas. O verdadeiro a julgar vê tudo, ouve tudo e sabe de tudo!
Vamos amar!!!

Por Barbara Dameto