domingo, 6 de março de 2016

A MILIONÁRIA





            A MILIONÁRIA

CAPÍTULO 1
Cindy
Naquela manhã chuvosa a porta da lanchonete se abre com uma pancada, que me fez jogar todo o café no colo do senhor Janson.. e com a pancada na porta, veio o furação...que me fez esquecer de respirar... Alto, enigmático, terno com corte perfeito e um belo par de olhos da cor turqueza e para melhorar - que corpo era aquele???
Depois de me recompor e todo o estabelecimento me encarar... eu começo a limpar o estrago feito pelo café, quando sinto a presença a minha espreita... o que o deus grego quer comigo??? Só se for para me processar, por encarar tal beleza com a maior cara de pau..rs Quando me levanto do chão ele está me encarando com aqueles olhos... pergunto o que eu posso ajudar? E ele fala que está a procura de Cindy Clark... como assim? Eu? Como? Por quê...? Será que vão executar a hipoteca da única coisa que me resta na vida... e de repente me bate um desespero e começo a chorar compulsivamente.... E ele gentilmente me afaga e vai se apresentando como Jack Doman, dono e Ceo da rede de clubes GOLD STAR. O que um cara assim ia querer comigo? Que tipo de clubes?
- Cindy Clarck sou eu mesma. Aconteceu alguma coisa?
- Podemos nos sentar e conversar? – Disse Jack.
- Claro. – Pedi autorização ao meu gerente, que percebendo se tratar de um assunto importante, prontamente permitiu. - Vamos até aquela mesa. - Indiquei o lugar ao Sr Doman.
Seguimos em direção à mesa. Já sentados, ele começou a me explicar:
- Srta. Clarck, eu sou sócio majoritário do clube Gold Star. Seu avô, por parte de pai, detinha a segunda maior parte das ações do clube. Infelizmente, ele veio a falecer essa semana.
Oi? O que isso tem a ver comigo? Não falo com a família do meu pai desde que ele morreu, e isso já tem uns 5 anos. Decido descobrir de uma vez.
- Sr Doman, eu soube da morte de meu avô, mas não tenho nenhum contato com essa parte da minha família há alguns anos. O que isso tudo tem a ver comigo?
- Srta. Clarck, seu avô deixou todas as ações dele para você. Eu estou falando de ações milionárias e, gostaria de conversar com a Srta. sobre isso, pois ele impôs algumas condições para que a Srta tomasse posse das ações...
Condições, condições, que condições seriam essas?
- Condições? Quais condições?
- Coisas simples , Srta, como ir morar na mansão da família, fazer um curso superior na universidade que seu pai e seu avô se formaram, e por fim estagiar comigo no Gold Star.
- Simples? Como assim simples... ter que mudar toda minha vida...
- Bom Srta. Clarck é o que está escrito aqui, é esta as condições que seu avô deixou pra você.
- E que história é essa de estagiar com o senhor, eu mal te conheço, olha aqui meu senhor vá embora e esqueça que eu existo. Ache outra para ficar no meu lugar ou fique você, mas eu não vou.
- Mas Srta. está tudo escrito detalhadamente no Testamento deixado pelo seu falecido avô, que fez questão de o preparar seis meses antes de sua morte, na minha presença e de mais dois advogados. Eu trouxe uma cópia para que a Senhorita leia com atenção.
Ah, meu Deus! Eu estou tão confusa. Por que o Vovô Thomas deixaria essas ações pra mim, sendo que eu não o via há tantos anos? Por que ele não me procurou? Tantas dúvidas em minha cabeça, e eu não conseguia dizer nada para aquele homem perversamente lindo a minha frente. E ele pareceu perceber, pois segurou a minha mão por cima da mesa.
- Não fique tão nervosa Srta. Clarck. Eu e meus advogados estaremos a sua disposição, esclarecendo todas as dúvidas.
Se eu já não conseguia raciocinar antes, com a mão dele sobre a minha é que não conseguiria mesmo. Por isso, mais que depressa, puxei a minha mão para o meu colo junto com a outra, apesar de ter gostado do seu toque. Ele tinha uma mão firme e forte, mas eu precisava me concentrar. Olhei em seus olhos por um momento.
- Sr. Doman, eu agradeço a sua atenção, mas não vejo meios disso dar certo. Quer dizer, eu não tenho nenhuma experiência nesse ramo. Como poderia ser sua estagiária? Sou uma simples garçonete – com contas e mais contas acumuladas, mas preferi omitir esse fato – não posso ir morar em uma mansão e abandonar a minha casa e a minha vida, de uma hora para outra.
Corei feito um tomate ao reparar que, enquanto eu falava sem parar, ele alternava seu olhar entre os meus seios e minha boca.
- Srta. Clarck. entendo que esteja confusa, mas estamos falando de milhões de dólares. Deixarei essa cópia, para que leia – falou e me estendeu uma pasta transparente e grossa, com vários papéis. - Encontre-me amanhã, no Clube Gold Star, às 15 h. Acredito que vá encontrar algumas respostas na carta deixada pelo seu avô.
         Com isso, ele se levantou, fechou os botões de seu terno caro. Olhou fixamente em meus olhos e, então, percebi que eu deveria estar com cara de idiota e com a boca aberta.
         - Até amanhã Srta. Clarck. É bom saber que não admito atrasos.
         E se foi. Só me lembrei de que precisava respirar quando ouvi a porta da lanchonete se fechando. Eu precisava sair dali. Estava perdida e mais rica, ao que parece.
Então me levantei, tirei o avental que estava amarrado em minha cintura e pedi licença ao meu chefe para ir embora. Eu precisava entender o que estava acontecendo. E, principalmente, precisava entender o que aconteceu com o meu corpo, para reagir de forma tão estranha, pela presença daquele homem de olhos penetrantes.











CAPÍTULO 2
Jack
Saí daquela lanchonete minúscula sem conseguir entender o que se passava na cabeça daquela mulher. Que tipo de pessoa recusaria receber uma fortuna? É quase como ganhar na loteria!
Sou um homem de negócios e nunca entro em uma jogada às escuras. Quando recebi o comunicado dos meus advogados sobre o testamento do meu sócio Thomas, tratei logo de averiguar toda a ficha da moça que estava sendo indicada como sua única herdeira, sua neta Cindy Clark, filha única de seu único filho já falecido. Pareceu-me que a tal moça foi fruto de um relacionamento passageiro e jamais havia sido registrada como sua neta, fato que ele corrigiria agora com sua morte e seu testamento.
Quando recebi o dossiê, fiquei absurdamente surpreso em saber que a herdeira era uma mulher simples, sem estudos, falida e quase perdendo o único imóvel que possuía, onde morava e que esta possuía uma enorme quantidade de dívidas e hipotecas vencidas. Seu salário na lanchonete era uma piada, sua vida humilde não oferecia qualquer tipo de conforto ou segurança, e ela não tinha com quem contar, já que a família vivia distante e não parecia se importar muito com sua situação.
No caminho para a tal lanchonete desenhei em minha mente uma enorme quantidade de possibilidades de como poderia ser essa moça. Esperava encontrar uma mulher triste, com o rosto marcado pela vida e sem qualquer tipo de atributo de beleza. Só daria uma possibilidade para ela, aceitar as condições impostas em testamento por seu avô e em seguida vender toda sua parte para mim. Não tinha qualquer condição de uma mulher simples comandar uma parte dos meus negócios.
Qual foi minha surpresa ao entrar naquele lugar e colocar meus olhos em cima de uma deusa de pele alva, cabelos pretos, longos e volumosos, olhos de um verde profundo e todas aquelas curvas marcadas em um uniforme surrado e feio. Ali eu percebi que ela merecia muito mais. Eu sabia que ela era a Cindy antes mesmo de se apresentar. O local era minúsculo e só tinha ela de mulher servindo as poucas mesas.
Descuidada e desajeitada, estava envergonhada e tentando limpar toda a bagunça que provavelmente havia feito no cliente a quem atendia. Ao me aproximar, o cheiro adocicado de seus cabelos entrou pelas minhas narinas e entorpeceram meu cérebro, fazendo com que uma parte muito preciosa do meu corpo respondesse lá em baixo. Aquilo seria divertido e meus planos haviam mudado consideravelmente.
Durante os poucos minutos que conversamos em uma mesinha no canto, ela se mostrou completamente amedrontada com toda a situação. Eu queria tirar proveito daquilo e quando toquei a mão dela que repousava sobre a mesa, senti uma corrente elétrica atravessar meu corpo e um arrepio gelado tomar conta de mim. Ela deve ter sentido algo, pois puxou sua mão imediatamente e a colocou sob os joelhos.
Parei de prestar atenção ao que ela falava e fui tomado por um desejo absurdo ao deixar meus olhos passearem pelo generoso decote que deixava a ideia do quão empinados e arredondados eram seus seios. E aquela boca... Ah! Aquela boca! Lindos lábios carnudos, desenhados especialmente para passearem pelo meu corpo e tocarem meu sexo, com vigor e desenvoltura. Eu estava completamente hipnotizado como não ficava por uma mulher há muito tempo. Se eu continuasse ali, rasgaria seu uniforme e a foderia ali mesmo, em cima daquela mesa, na frente de todo mundo. Precisava ir embora e manter o controle... O controle do meu corpo e da situação, uma vez que já não conseguia esconder o volume do meu membro pulsando e quase explodindo de tenta vontade.
Deixei um horário de reunião marcado para o dia seguinte. E saí dali com uma única certeza: Cindy Clark jamais voltaria a ser a mesma mulher depois de mim. E eu, com certeza, seria muito em breve o homem a dominar a sua cama. Thomas havia me deixado um presente. Um presente deliciosamente inesperado.

















CAPÍTULO 3
Cindy
Cheguei em casa tentando entender a situação em que estava. Quanta coisa havia acontecido em tão pouco tempo. Primeiro aquele cara gostoso, capaz de fazer acontecer um curto-circuito em qualquer mulher que entrasse naquela lanchonete. No começo imaginei ser um cliente. Não costumávamos receber clientes como ele, mas não me importaria se isso virasse rotina. Mas apesar do corpo delicioso do homem, o que mais me preocupava era aquela história de ações. Como assim? Meu avô some, passa um tempo sem falar comigo, morre e me deixa rica? Muito estranha essa história. Não sei se devo acreditar. Resolvi tomar um banho para esfriar a cabeça, o que não foi suficiente. Parecia que eu estava ligada em todas as potências elétricas. Fazia tempo que o desejo sexual não mostrava as caras. Desde aquele meu último namorado babaca. Liguei a TV para assistir um filme, precisava tirar aquele homem terrível, perigoso e gostoso da minha mente e pensar no que fazer quanto as ações que ganhei. “Que salto, hein Cindy Clark? De garçonete a milionária”, pensei.
                                               ***
Acabei cochilando no pequeno sofá que precisa ser trocado, mas dinheiro é artigo de luxo em minha vida, aliás era até algumas horas atrás, porque agora eu podia comprar muita coisa pelo jeito, ainda não sei o quanto rica estou, mas pelo jeito era uma boa mudança em minha vida financeira.
Fui em direção a cozinha, para fazer algo para comer, havia saído cedo do trabalho e estava sem me alimentar. Enquanto saboreava um sanduíche de atum, alface e tomate, preparava-me psicologicamente para ler a carta que o Sr. Doman mencionou durante nossa conversa. Meu avô explicava nessa carta todos os seus motivos. Sempre me perguntei o porquê de meu pai não ter me assumido. Minha mãe jamais me jogou contra ele, mas ele também não me procurou durante anos da minha vida e quando o fez foi só com a intenção de querer ser útil financeiramente, não aceitei, pois eu precisava mais de carinho e atenção de um pai, pois sofri muito durante a infância nas festinhas da escola, dia dos pais, quando acabavam sempre perguntando pelo meu pai, se eu sabia quem ele era, e quando não tinha respostas para dar, saíam rindo de mim. Apesar disso tive dois contatos com meu avô por telefone, um quando minha mãe faleceu, pois entrei em contato com meu pai na empresa, para falar sobre a morte da minha mãe, mas ele não estava, com o recado em mãos meu avô retornou a ligação, já que meu pai estava viajando. Nossa última conversa foi quando da morte do meu pai, mas a mágoa não me permitiu ir ao seu sepultamento, posso ter sido muito dura, mas eu precisava ser forte para poder seguir em frente e sobreviver como sempre fiz.
Porém minha situação até horas atrás, era bem ruim. Eu estava quase perdendo a única coisa que eu tinha, meu apartamento que herdei da minha mãe. Gastamos o que tínhamos e o que não tínhamos com o tratamento do câncer, e durante um tempo tive que deixar de trabalhar para cuidar dela, foi aí que tudo começou a sair do eixo em minha vida, as economias foram usadas e quando ela se foi, o que me restou é o teto onde vivo. Nunca consegui entender tudo sobre a relação dos meus pais, mas chegou um momento em minha vida que havia aprendido a conviver com toda a situação. Fomos sempre muito unidas e nos fortalecíamos uma na outra e sei que de onde ela estiver ela olha por mim.
Fui para o meu quarto e peguei no criado mudo a pasta que o Sr Doman me entregou antes de deixar a lanchonete onde trabalho. Olhei aquelas folhas sem entender muito bem aquilo, acho que realmente eu precisaria de ajuda, mas agora o que mais me interessa encontro dentro de um envelope creme, texturizado, muito chique por sinal, onde li “Para Minha Querida Neta”. Oi? Sério o “querida neta”? Bom, vamos abrir o envelope e ver seu conteúdo e tentar entender.
“Querida neta,
Sei que pode estar achando estranho te chamar desse modo, mas saiba que hoje posso te denominar assim, porque seu pai fez uma confusão e tudo ficou mal entendido. Para que você esteja lendo essa carta é porque já não estou nesse mundo.
Seu pai sempre foi um homem irresponsável, que só queria usufruir do dinheiro que eu ganhava com meu trabalho, nunca quis assumir um cargo, uma posição na empresa. Vivia arrumando várias mulheres, as vezes o pegava saindo do quarto com mais de uma. Sempre o alertava para que fosse ao menos cuidadoso com a saúde dele e com as mulheres que tinham interesse no dinheiro e status que ele poderia proporcionar a elas. Foi quando conheceu sua mãe e ficaram juntos por algum tempo, o que era uma situação diferente, porque com todas as mulheres ele só dividia a cama por apenas uma noite e nunca mais. Ele me jurou que estava apaixonado por ela, já o estava convencendo a trabalhar comigo até que um dia ele soube da gravidez e tudo mudou.
Ele não estava contente com a notícia e eu e sua avó o fizemos assumir a responsabilidade, palavra que não fazia parte de seu dicionário. Depois de um tempo chegou dizendo que sua mãe havia perdido o bebê e que tinham terminado tudo.
Nós sofremos a perda de um neto, mas após essa situação entendemos o término. Seu pai continuou com sua vida inconseqüente e foi assim até o fim. Não se casou, não teve outros filhos, enfim, deixou essa vida sem ter escrito uma história.
Somente quando você o procurou para lhe falar sobre o falecimento de sua mãe e vi o recado sobre sua mesa, descobri a mentira contada por ele anos atrás, e pude agradecer a Deus pela sua existência, eu finalmente tinha uma neta e você é a única, pois seu pai era filho único. Infelizmente eu e sua avó não pudemos ter mais filhos devido a complicações no parto de seu pai.
Assim que seu pai chegou da viagem a trabalho, pois ele havia chegado a conclusão de que deveria trabalhar, o chamei para uma conversa séria, sobre toda a situação, foi então que ele mentiu mais uma vez dizendo para não me importar com nada disso, já que você não era filha dele, que sua mãe tinha falado aquilo que era para se “dar bem na vida”. Mais uma vez, esse velho acreditou no filho, mesmo assim em sua morte pedi para que fizesse contato com você informando sobre o ocorrido, talvez fosse minha intuição que me dizia que isso era importante a ser feito.
Foi somente há poucos meses quando eu e sua avó criamos coragem para entrar no quarto de seu pai após quase cinco anos de seu falecimento é que descobrimos através de uma carta que ele escreveu para sua mãe e que nunca foi entregue, pois sua data era de poucos dias antes do falecimento dela, por isso penso que não teve tempo de entregá-la, onde ele admitia seus erros e que gostaria de tentar se aproximar de vocês e fazer dar certo essa relação. Ele estava arrependido do que fez, mas acho que quando soube da morte dela, novamente o medo se apoderou dele e uma aproximação de você foi descartada, já que teria que cuidar de você sozinho.
Com isso minha neta, quero que saiba que esse seu avô te ama, mesmo sem termos convivido e quero que saiba que mesmo não estando mais aqui, vou cuidar de você, através dele que era como um “filho” para mim, uma pessoa maravilhosa que irá conviver e aprender, por favor siga minhas instruções, não é pretensão minha ditar sua vida, mas faça o que estou te orientando para o seu bem, você merece tudo de bom, a vida já te fez sofrer bastante, agora tem que ser feliz.
Desejo que você possa alcançar todos os seus objetivos e saiba que desde já tenho muito orgulho de ser seu avô, você é uma sobrevivente.
Tudo que é meu é seu, aproveite sua avó, ela ainda tem muito a lhe ensinar e amar.
Beijos de seu avô
Thomas”
Quando terminei de ler a carta lágrimas rolavam em meu rosto. Como as pessoas podem ser tão individualistas, egoístas, só pensarem em si? Minha mãe no leito de morte me disse que meu pai não havia ficado com ela, porque a família dele era contra o relacionamento deles, mais uma mentira do meu pai, para seus pais falou primeiro que minha mãe havia perdido o bebê e depois que eu não era sua filha. Que ódio! Não quero nem saber que ele havia se arrependido em algum momento, pois depois voltou a mentir amar meu pai seria difícil, digo quase que impossível. Meu avô devia ser uma pessoa maravilhosa, pena seu tempo se esgotou sem ao menos nos conhecermos pessoalmente, mas iria procurar minha avó, pois ela é tão vítima quanto eu.
A parte mais difícil seria ter que conviver com aquele homem, gostoso, lindo e enigmático. Teria que estudar e assumir meu lugar e responsabilidade. Eu não fugiria como meu pai, isso eu tinha certeza, se meu avô confiou a mim esse destino, vou abraçar e vou seguir em frente, de fraco nessa família bastou meu pai.


















CAPÍTULO 4
Jack
Tenho trinta e cinco anos, solteiro convicto, e que tenho uma vida sexual bem intensa e peculiar, mas carrego uma dor, que muitas vezes tira meu sono e sossego. Éramos amigos eu e Richard, apesar da diferença de quase seis anos na idade, sempre nos demos muito bem. Nossas famílias eram vizinhas e com isso fomos companheiros desde a infância. Richard sempre foi inconseqüente e eu sempre tentei concertar as merdas que ele fazia, mas tinha lugares que eu não podia ir, então ele tinha que se virar sozinho, com dezesseis anos namorava Cindy, minha pequena ruiva, e com ela fazia todos os meus programas, enquanto meu amigo, cada noite estava com uma, quando não com um harem. Mas ele conheceu Katheryne e pude ver que ali havia um sentimento diferente para meu amigo, sua família soube desse relacionamento, achei que ele iria sossegar mesmo que só tivesse vinte anos, mas algo o fez mudar novamente, a gravidez dela. Richard tinha aversão a responsabilidade e essa seria para vida toda. Inventou um monte de mentiras durante todos esses anos, até John descobrir tudo há alguns meses atrás. Ajudei-o a redigir junto com seus advogados o seu testamento, em que sua neta seria a herdeira de tudo. Mary sua esposa, não tinha condições de assumir nada, portanto ficaria tudo sob responsabilidade dessa menina de apenas vinte anos. Não consegui acreditar quando fiquei sabendo que ela não cursava uma faculdade, morava sozinha e que seu único bem estava correndo sério risco. Como uma pessoa assim poderia gerir negócios? Decidi investir no meu poder de persuasão e convencê-la a me vender sua parte, com isso ela teria dinheiro pra resolver sua vida, não colocaria em risco a empresa e eu seria o único dono da rede de clubes.
Mas uma coisa mexeu comigo a coincidência do nome. Ela tinha o nome do único amor que tive na vida e que por uma loucura de adolescente, ela engravidou quando tínhamos dezesseis anos. Mesmo assim continuamos unidos e embarcamos nessa de ficarmos juntos e ter nosso filho.
 Casamos numa cerimônia simples no jardim da mansão onde eu morava e tínhamos decidido morar com meus pais por um tempo até eu ter condições de nos manter, mas o destino foi cruel conosco e muito cedo eu soube o que era dor, perdi os dois, Cindy e Mathews, no parto e desde então vivo sozinho. O amor é um sentimento muito banalizado hoje em dia, todos dizem “te amo” com uma facilidade, onde na maior parte das vezes, não sabem que sentimento é esse. Se nada disso tivesse acontecido, hoje nós teríamos quase vinte anos de casados e meu filho estaria com dezenove anos. Tudo teria sido tão diferente.
Com isso decidi me dedicar aos e estudos e posteriormente a empresa que meu pai e Thomas eram sócios e há alguns anos fiquei no lugar do meu pai ao lado de Thomas já que Richard, realmente era um caso perdido, por pouco tempo chegou a trabalhar conosco, mas sem assumir a empresa assim como eu. Apesar de sermos bem diferentes em muitos aspectos, continuamos amigos, mas aí a vida me preparou outra surpresa, me tirou o meu amigo de infância em um acidente de carro a quase cinco anos, pronto lá estava eu perdendo mais uma pessoa querida. Não sei porque tinha que passar por tantas coisas ruins em apenas trinta e cinco anos de vida.
Assim como pedido pelo Sr. Thomas a quem tinha como um segundo pai, procurei por sua neta. Me preparei para encarar essa tarefa e conseguir meu objetivo que era comprar suas ações, mas nada me preparou para o que vi, uma bela mulher, de nome Cindy e linda assim como a minha Cindy.
Meu Deus será possível? Só pode ser brincadeira. Tive que reunir todas as minhas forças e conseguir falar tudo o que tinha que ser dito e acabei mudando os planos, foi natural, pois não pensei muito para fazê-lo. Onde eu estava com a cabeça?
O desejo passou por mim no momento exato em que olhei pra ela, mesmo naquele uniforme horroroso, ela conseguia ser atraente. Onde você está com a cabeça Jack? Ela tem idade pra ser sua filha, e é filha de seu melhor amigo, pensei comigo.
Decido tomar um banho e comer algo, já está tarde e amanhã de manhã tenho que estar no escritório cedo e me preparar para receber Cindy, e estou sentindo que essa menina será a minha morte.










CAPÍTULO 5
Cindy
Esse homem será minha morte. Penso assim que meus olhos atingem a estrutura alta e requintada do elegante prédio no centro da cidade. Como um cone, se elevava imponente... assim como o homem de olhar cor turquesa que me encarou ontem mesmo, me fazendo perder literalmente o equilíbrio da minha vida.
Letras garrafais em provável titâneo definiam o estabelecimento luxuoso:  Gold Star Club. Era ali. O táxi se afastou enquanto eu me mantinha hipnotizada, adorando aquele local que por ironia infeliz do destino, teria sido o chão que pisaria até aquela altura da minha vida. Não meu velho apartamento prestes a deixar de ser meu. Penso com o coração apertado no trocado do táxi, afinal, aquilo era luxo. Meu meio de transporte era o metrô, oras. Mas, surge em minha mente a frase que se tornou ápice da decisão e do motivo de estar ali: sou rica
Bem, em outros tempos eu mesma me acharia aproveitadora de oportunidades. Mas não. Lendo a carta de meu avô, eu decidi que iria sim, assumir o que me era de direito. E o faria pela minha mãe. O câncer foi cruel, nos deixou marcadas e eu sofri muito, na verdade, sofremos muito. Minha mãe convivendo com a doença e a ciência da possibilidade de deixar nada para sua única filha. O medo de morrer naquela pobreza indigna, e a dor daquela solidão ingrata. Eu, do meu lado, sofrendo por saber que partiria a qualquer momento a única pessoa preciosa na minha vida, e que depois disso, nada teria a não ser dívidas e a certeza de que se não lutasse, ficaria até sem nosso teto.
Agora, caminhando pela calçada ainda hesitante, sinto o gélido frescor do ar condicionado quando meu corpo atinge o interior do luxuoso prédio e um arrepio na espinha me toma. Ondas de pensamentos me envolvem. O que estou fazendo aqui? Devo estar aqui? Sim. Devo. É tudo meu de direito e sei que aquele sentimento é decorrente do mais novo pensamento que cultuo desde ontem: Meu pai foi um covarde. Por causa de sua covardia quase que minha mãe teve um sepultamento cruel, por não termos dinheiro para as despesas com o funeral. Graças ao meu chefe, o modesto senhor Cohrrer, que me emprestou dinheiro ás custas de doze meses de salário cinqüenta por cento inferior, pude jogar delicadamente uma gérbera laranja no pequeno espaço que restou acima do caixão de minha mãe.
Me descubro estranhamente vingativa. Não. Justa. Um misto, na verdade. Quero o meu espaço e não porque preciso de dinheiro. Afinal, quando tive? Nunca. Quero vingar a luta vã de uma doença que tomou minha mãe, e me fez insegura, amargurada e sem outras razões para viver.
Agora eu poderia estudar! Meu Deus uma faculdade sempre foi meu sonho e o sonho de minha mãe. Lembro de suas palavras, o sentimento de culpa entalado quando revelava que ela poderia ter a melhor vida. Bem, agora teria.
Sou arremessada para frente pelo meu entusiasmo. Uma moça uniformizada sorri assim que me deparo em frente á sua mesa.
_Posso ajudá-la?
O sorriso era tão branco que dava vergonha. Há muito não me misturava com pessoas cheirosas de perfume, e não de comida.
_Sim. Tenho um horário marcado com o senhor Domer.
Hiiiiii! Recebo um olhar de estranheza da jovem que me sorriu há pouco. Mas ela é treinada para manter a pose, eu sei.
_Vou verificar. Um instante.
Com dedos finos e elegantes em unhas esmaltadas num vermelho penélope, ela entreabre uma agenda – entre as cinco sobre uma mesinha lateral – e aponta para a mesma. Penso que certamente, ela encontrou nada.
_De que se trata?
_Eu... _ gaguejo porque sou pega de surpresa. _bem, na verdade o senhor Domer mesmo me pediu que viesse hoje, neste horário.
_Compreendo.
Ela disse, mas continuou me encarando como se fosse o contrario.
_Vou acionar sua secretária, pessoal. Um instante. Se quiser se sentar...
Olho para a poltrona elegante e convidativa á minha direita, onde a mão da outra apontou, num pequeno ambiente acolhedor. Um vaso de planta verde dá vida ao requintado espaço. O burburinho era leve ao meu redor. Mesmo assim, me mantive atenta para qualquer não que viesse a receber da moça. Passo os olhos no meu jeans e é o mais novo que eu tenho, cruzo os pés passando os olhos com orgulho no meu all star limpo e branco. Bem, ao menos meu suéter era novo de fato. Presente da filha de Cohrrer, e na verdade, era porque não serviu nela. Ergo os olhos de repente porque sinto uma força me conduzir e por um momento meu mundo para. Deparo-me com a força dos olhos turquesa me fitando de onde está. Era como se me hipnotizasse com aquele brilho intenso pra mim e o que senti naquele momento, foi uma pressão na minha barriga. Meu Deus! Que sensação estranha e absurda. Era desejo que sentia por aquele homem que eu nunca vi, vi ontem pela primeira vez... E minha calcinha deu o primeiro indício para que não me restasse dúvidas de que era sim, desejo.
Baixo os olhos imediatamente como se o senhor Domer pudesse enxergar minha peça intima, molhada e sabendo que era por sua própria causa. Que ridículo, ao menos aquilo ele não podia saber.
Ele pareceu tentar uma conversa com a jovem que me atendeu, mas não tirou os olhos de mim, sei porque senti o peso do olhar dele. Nossa! Era hipnose, e sabendo disto ergui os olhos novamente para me aprisionar nos do homem que agora partia em minha direção com passos decididos, vencendo o curto espaço entre nós. E agora? Devo me erguer? Espero que ele se aproxime? Corro? Me enfio debaixo do tapete? Ai meu Deus...












CAPÍTULO 6
Jack
Sou tomado por uma emoção estranha e comovente. Sinto-me estranho quando vejo sem intenção a jovem menina sentada em uma poltrona da sala de espera dos clientes. Por um momento, pensei que não viria devido á reação que apresentou na lanchonete quando a abordei. Mas por incrível que pudesse parecer, algo me dizia que ela era surpreendente mesmo.
Ela me olha e eu a prendo propositalmente. Quero uma justificativa pelo atraso e já respiro fundo, assumindo minha postura alfa cruel que é como trato meus subalternos errantes. Ocorre-me que Cindy não era subalterna... Mas seria muito interessante mantê-la naquela posição por algum tempo, até que finalmente fizesse a proposta. Minha mente planejou tudo, sou muito perspicaz e fugaz. Justo e frio. Mas, acima de tudo sou homem. De algum modo, aquela espécime de mulher, vestida de jeans, suéter e all star, me causou um nó entre minhas coxas que minha primeira vontade foi de agarrar seus ombros e erguê-la, até minha sala. Lá, a foderia com o jeans baixado até os joelhos, nem precisaria despi-la e seria um prazer manter o tênis naqueles pés femininos, batendo em minhas nádegas enquanto...
Por Deus! O que estou pensando? Quando foi a ultima vez que fodi uma mulher vestida daquele jeito? Na juventude. E que mulher se vestia daquele modo para uma reunião de negócios e mais, uma reunião onde determinava que estaria rica? Cindy.
Mas aquele era outra Cindy. A neta de seu amigo. A quem deveria tratar com polidez por um tempo, judiar no estágio á ponto de fazê-la desistir de qualquer chance de ficar ali na Gold Star e por fim, oferecer minha melhor oferta, de modo que assumisse todas as ações.
Me restabeleço imediatamente e vou em direção á ela. Percebo seu olhar inseguro e por um instante me volta aquela emoção primária. Mas descarto e fecho minha cara. Estou em meu território.
_Senhorita Cindy. _ofereço minha mão que é para ser apertada e me surpreendo com a firmeza do toque.
_Senhor... Domer.
Ela gaguejou. Aquilo me deu sinais de que eu poderia esmagá-la quando e como quisesse. Seria questão de tempo. Percebo que ela volta a mão com rapidez após meu aperto e não evito um leve curvar nos lábios, quando minha vontade era de rir.
_Penso que lhe alertei sobre ser pontual.
Não posso perder a oportunidade de começar ali e ela imediatamente cora.
_Eu tive um contratempo com o taxi.
_Não se justifique, mas peço que seja a última vez.
Agora eu era o alfa. Eu conduziria aquela dança de camelos e no íntimo, já sabia que aquela luta, já estava ganha.




CAPÍTULO 7
Cindy
Percorro os olhos pelo ambiente de luxo que era a sala do senhor Domer e procuro saber qual sentimento me toma naquele momento. Sinto que sou tratada como uma peça de um jogo perdido, o olhar dele me dizia aquilo e eu só não consigo compreender o jogo que estamos jogando. Sento-me como uma moça elegante, mesmo vestida com meu jeans, e apoio minhas costas no encosto macio da cadeira confortável, enquanto o ouço conversar sobre a empresa. Para me impressionar, ele colocou vários folders explicativos sobre o clube Gold Star, que na verdade era um clube de luxo, que se instalava em hotéis e empresas e formavam parcerias de entretenimento de acordo com o objetivo proposto.
A boca dele se movendo para falar era linda e as mãos gesticulavam com firmeza. A sala tinha um perfume leve e almiscarado. Num dado momento, entraram mais dois homens que se apresentaram como advogados de seu avô. Agora, conversavam como se seu propósito ali, fosse uma lembrança.
O que? Insinuavam que não aceitaria um cargo ali, na empresa de seu avô? Ora, estavam todos errados. Abro a boca para me pronunciar, mas sou calada quando vários papeis são colocados em minha frente, juntamente com a caneta de ouro. Ouro!
_Deve assinar aqui e aqui.
Bem, ela devia acreditar no senhor Domer, certo?
_O que estarei assinando?
_Fique tranqüila. Não estou tomando seu dinheiro.
Arrogante!
_São documentos triviais.
Leu o que entendeu, e entendeu que tudo bem. Algumas cláusulas foram redigidas pelo avô então estava tudo certo.
_Já sabe parcialmente como a empresa funciona. Agora quero que conheça as opções de cursos para sua faculdade.
Ah meu Deus! Vou fazer faculdade! E uma ridícula vontade de chorar me tomou. Ah não...  não posso chorar aqui... não. E mesmo que eu quisesse, uma emoção me toma mesmo e eu choro, quase que convulsivamente, assustando os três homens e um deles me olha com... ternura?
_Cindy.
Uau! Enquanto ainda choro e tento me recuperar do meu estado de lamuria, ouço meu nome ser chamado de modo tão íntimo. E rapidamente, uma mão esquentou meu ombro e um lenço foi suavemente em meu rosto.
Que vergonha.
Cinco minutos se passaram e agora só estamos nós dois novamente na sala.
_Me desculpe. _consigo murmurar, sentindo o rosto inchado e sabendo que meu nariz estava muito vermelho.
_Está tudo bem. Afinal, não é todo dia que ficamos ricos.
Ergo meus olhos e detenho nos olhos turquesa, ciente de que ele está fito nos meus verdes.
_Penso que deve ter acreditado que chorei de emoção por ter ficado rica, mesmo.
_E não?
Nego com a cabeça. Dou um instante e continuo.
_O sonho da minha mãe era me ver formar na faculdade. Só que, nossas economias que eram para isso, foram usadas no tratamento da doença dela. Não tínhamos como prever.
_Eu sinto muito.
Ele devia ter sentido mesmo, porque voltou as costas com tudo na cadeira, agora ao meu lado.
_Não sinta. Já passou. Minha mãe se foi, eu fiquei... é isto o que importa agora. O modo como vou continuar sem ela. É isso que fará ser preciosa minha vida. Isso eu decido.









CAPÍTULO 8
              Jack                                   
“Eu fiquei... é isto o que importa agora. O modo como vou continuar sem ela. É isso que fará ser preciosa minha vida. Isso eu decido.”
Repito mentalmente como mantra as palavras de uma jovem ditas há três semanas atrás. Suspiro, bebericando meu café preto, sem açúcar. Classificaria como sábia aquela frase, dita em tom tão seco. Não consigo parar de pensar em Cindy, e aquilo me dá medo. Devo ser honesto comigo mesmo. Sinto o medo me tomar, talvez seja porque sei que meus planos incluem ser um pouco chantagista com ela.
Da última vez que a vi, dei as orientações para algumas compras que seriam o ápice para seu início como estagiária comigo. Claro que pedi á Pepper para ajudar a moça do all star, visto que ela poderia simplesmente surgir na empresa com um Nike ou uma bermuda de algodão. Já sei que está encaminhada para iniciar no curso de administração com ênfase em empreendimentos e marketing e me sinto satisfeito em parte, sabendo que o desejo de meu amigo estava sendo concretizado.
Mas aquela pulguinha ali... pulsando.
Dali a duas semanas seria meu aniversário de casamento. Todos sabiam que meu humor estaria aflorado, meu espírito enegrecido então, meu âmago já dava indícios de que iria lamentar dezenove anos de casado. Só que infelizmente, Cindy não estava mais entre nós. Tampouco meu filho. Olho para a mesinha e não resisto, pego o porta-retrato com a foto de minha vida. A mulher da minha vida. Que me deu sentido e tirou.
Um dos motivos de não querer me envolver com ninguém desde então, o risco da sensação da substituição. Por isso tinha mulheres apenas para sexo. Era a proposta, e todas concordavam. Pronto. Não precisava de mais nada. Mulheres, sexo, divertimento. Meus objetivos atuais.
Porque tenho responsabilidades, pego meu celular e disco o número que facilmente decorei.
_Alô.
_Cindy? É o Jack...
_Oi!
Não sei porque meu coração saltou com aquela voz feminina, que demonstrou explicitamente certa alegria em ouvir minha voz.
_Como estão as coisas?
_Estão ótimas. Olha, eu estou adorando a Pepper.
_É mesmo? _finjo desinteresse e continuo. _Estão se dando bem?
_Sim, ela me levou em vários lugares... _ela parou para rir e a gargalhada dela ecoou num ponto bem íntimo da minha barriga. _Cortei meus cabelos! Ela disse que eu deveria ser mais moderna...
Deixo ela falar e viajo na voz rouca do outro lado da linha. Me pego sorrindo imaginando Cindy e Pepper obedecendo minhas ordens de deixá-la mais razoável para pisar naquele prédio segunda feira. E porque estou há duas semanas sem sexo, me sinto ereto e pronto ali mesmo, sentado na minha cadeira alfa de diretor executivo, entre meu corte italiano já deslizo uma mão para me acalmar e a voz em meu ouvido é tentadora. Hum, Cindy tinha uma voz deliciosa para fazer sexo... Já imagino o corpo todo colado ao meu. E agora sei que faria sexo com ela calçada com aquele all star e teria que ser com o all star!
Ela riu e eu me senti o último dos homens.
_Ainda está ai?
Pigarreio culpado. Ajeito minha postura na cadeira e retiro a mão da minha virilidade. Sossegue homem!
_Um pouco ocupado, mas...
_Puxa, desculpe. Eu fiquei falando...
_Não.
Ai caramba. Agora que fiquei infeliz mesmo.
_Continue.
_Não imagine, Jack. Está ocupado, não quero atrapalhar. Pepper está me chamando, tenho que ir. Tchau.
_Tchau.
Puta que o pariu! Ergo meu corpo retesado e a tesão dá lugar á outra coisa. Precisava fazer sexo urgentemente. Meu telefone á mão, e já sei para quem ligar...







CAPÍTULO 9
Cindy
Olho para o espelho e não me identifico nele. Vejo uma jovem mulher devolver minha imagem. Estou me sentindo mais bonita mesmo, aparei meus cabelos e na verdade foi um corte moderno, que deixou meu rosto mais á vista. Estou vestida com um tailleur verde que combina com meus olhos e valoriza minha silhueta esguia. Termino de me maquiar com sombra verde para destacar a roupa e meus olhos, rimel e batom.
Eu recebi um dinheiro em minha conta e já fazia parte da herança. Não era tudo, mas eu tinha certeza de que poderia viver por cinqüenta anos que não gastaria nem metade daquilo. Comecei minha faculdade e ainda lembro da sensação no meu peito, era a vida me socando de esperança quando subia os degraus da escada da melhor universidade da cidade, tudo cuidadosamente providenciado por Jack. Pepper também foi providência dele, ela era uma mulher muito bonita, na verdade, quarenta anos de beleza e elegância. Porque tinha muito dinheiro agora, fui orientada a sair de casa temporariamente para o prédio de Pepper. Um andar de diferença. Jack alegou ser melhor para minha segurança. Há três semanas atrás eu ainda titubeei, porque não tinha interesse de sair de minha casa velha, além de sair do meu emprego de garçonete. Mas percebi por mim mesma, que não valeria a pena discutir com ele. Então, fui obediente morar próximo da empresa, despedi-me do senhor Cohrrer e de sua filha Ammy. Foi até triste minha partida.
Providenciado também, foi minha visita para conhecer minha avó. Estou muito ansiosa... meu coração saltava só de imaginar abraçar alguém do meu sangue novamente. Só vou ter que esperar porque (....), minha avó está em Buenos Aires, mas prestes a retornar de viagem.
Aquela, era a parte mais importante da riqueza em minha opinião.
De salto alto e look novo, me encaminho para a cobertura ainda hesitante. Um frio na barriga e a necessidade de aceitação por parte de um homem lindo e gostoso, que ora me dá indícios de que me deseja e ora, que não me suporta.
As portas do elevador se abrem e entro, não há ninguém então teclo o botão. Normalmente, fica um assessorista, mas não é o caso daquela segunda feira. Seguro minha pasta colada ao meu peito e aguardo a porta fechar e um segundo sou tomada por uma explosão de sensação em meu corpo, quando um homem lindo e sexy, de perfume almiscarado entra como um furacão, a tempo de quase perder o elevador. Agil como felino não perde e agora estamos frente a frente.
_Quase hein! _sorrio para Jack insinuando que poderia ter perdido o elevador.
E ele me olha como se associasse á voz á pessoa, procurando semelhança.
_C-Cindy!
Nossa! E estou tão diferente assim?
_Oi.
_Menina!
E naquele momento tudo parou. O homem sério que entrou no elevador, trajando o habitual corte italiano, se aproximou muito, pegou minha pasta e jogou ali no chão do elevador. E foi tudo tão rápido que quando percebo, mãos me entrelaçam pelas costas, e uma boca pressiona a minha, com possessão. Atitude. E me vi correspondendo com a língua e com a mesma intensidade o beijo que Jack Domer me dá. Colando nossos corpos e não me deixando opção de manter nenhum milímetro de distancia longe daquele corpo quente e pronto, que eu senti ali no pé da minha barriga.
O beijo me pareceu durar horas, talvez uma eternidade. O calor que sinto com a língua dele se movendo na minha boca, mudando o lado do beijo com a cabeça decidida me dá uma sensação de que sou muito desejada por ele. E quando ele cola nossos corpos e consigo sentir a dureza da ereção em mim ele interrompe tudo.
Nossa!
Num segundo rápido, ele se afasta e me olha como se eu tivesse feito tudo errado. E será que fiz mesmo, correspondendo ao beijo dele com todo meu desejo? Me pergunto ainda tonta e contrariada. De certo Jack não esperava minha afoita e calorosa recepção. Um misto de vergonha e raiva me toma. Meu sangue todo se concentra no meu rosto e me sinto a ultima das mulheres, paralisada diante do olhar de choque ou talvez de acusação dele.
_Cindy...
_Jack...
Nossas vozes se misturam e ninguém diz nada. A minha está rouca e indecisa, procuro o que dizer e sei que nada pode justificar meu ato feminino em resposta á minha libido. Bem, ele me beijou e eu correspondi, o que teria de tão mal naquilo?
O elevador está parado e eu nem sei há quanto tempo.
Com a mesma atitude que Jack me agarrou, ele pega a própria pasta e antes de sair com aquela atitude alfa me olha, e o brilho que continha aquela visão me dizia que ali não era meu lugar.